Tragédia da Chapecoense

Adventistas demonstram solidariedade aos parentes das vítimas do acidente aéreo e transmitem esperança para milhares de torcedores durante velório coletivo

Tragédia da Chapecoense - foto 1Com o grito simbólico “o campeão voltou”, acompanhado de choro e aplausos, caixões de 51 vítimas do maior desastre aéreo da história do esporte chegaram na Arena Condá na manhã do último sábado, 3 de dezembro. Apesar da chuva, milhares de pessoas compareceram ao velório coletivo no estádio da Chapecoense. Na arena lotada, o clima era de um vazio inexplicável diante da tragédia que envolveu jogadores, integrantes da comissão técnica, dirigentes do time e profissionais de imprensa na madrugada do dia 29 de novembro em Medellín, na Colômbia.

“Eu choro todos os dias. Foi muito triste para mim e para a minha família”, diz o aposentado Lírio Cervelin sem conseguir conter a emoção. Ele conta que seus netos também sentiram muito a perda, especialmente o que atua nas categorias de base do time de Chapecó.

Noticiar esse fato foi um dos momentos mais difíceis da carreira do jornalista Marcelo Canelas, da TV Globo, que em 2013 também fez a cobertura do incêndio que tirou dezenas de vidas em Santa Maria (RS), sua cidade natal. Ele conta que perdeu amigos e companheiros de trabalho no acidente aéreo. “É muito difícil saber que estamos fazendo reportagens sobre a morte deles. Ao mesmo tempo, é nossa obrigação como jornalistas esclarecer o que aconteceu e, especialmente, mostrar como todo o Brasil se envolveu no drama da cidade”, afirma.

Apoio aos enlutados

Assim que o acidente foi confirmado, fiéis da Igreja Adventista do Sétimo Dia se reuniram para orar e planejar ações em favor das famílias enlutadas. Além de expressar palavras de conforto e esperança, os voluntários distribuíram água mineral, folhetos com a inscrição “Força Chape” e exemplares do livro Em Busca de Esperança e A Única Esperança. Os materiais foram entregues para familiares das vítimas, torcedores, jornalistas e equipes de apoio que trabalhavam no estádio da Chapecoense.

Na madrugada de sexta para sábado, alguns fiéis permaneceram nas ruas conversando com os torcedores e realizando serenatas. O pastor e cantor Tiago Arrais também esteve na cidade no fim de semana e acompanhou a visita de líderes da igreja às famílias enlutadas.

VEJA MAIS IMAGENS DAS AÇÕES FEITAS POR VOLUNTÁRIOS ADVENTISTAS

No sábado, dia em que os caixões das vítimas chegaram na Arena Condá para o velório coletivo, uma equipe de médicos e enfermeiros, auxiliada por jovens e desbravadores, ofereceu atendimento. “Buscando confortar e diminuir a dor que essas pessoas estão sentindo, nos mobilizamos para conversar com elas, abraçá-las e oferecer apoio àquelas que necessitavam de cuidados médicos”, conta Fábia Pierozan, técnica de enfermagem.

Outra forma de apoio foi o “Táxi da Esperança”. Carros disponibilizados pela igreja ficaram de plantão para atender familiares que necessitaram de transporte até o local da cerimônia fúnebre.

Durante homenagem feita pelos pastores adventistas Moisés Móra e Siloé Almeida na Arena Condá, Cid Moreira foi convidado para narrar trechos da Bíblia.
Durante homenagem prestada pela Igreja Adventista por meio dos pastores adventistas Moisés Móra e Siloé Almeida na Arena Condá, Cid Moreira foi convidado para narrar trechos da Bíblia.

Durante as homenagens e discursos, o jornalista Cid Moreira leu dois textos clássicos da narrativa bíblica: o capítulo 13 da primeira carta do apóstolo Paulo aos Coríntios e o Salmo 23. Na sequência, o pastor Moisés Móra, líder de Jovens da igreja nas regiões norte e oeste de Santa Catarina, reforçou a esperança na promessa bíblica de que as lágrimas e o sofrimento terão fim.

“Essa tragédia comoveu não apenas o Brasil, mas o mundo. Sentimos muito a dor de ter perdido esses guerreiros. Por isso, desde os primeiros momentos após a tragédia procuramos demonstrar apoio, carinho e amor às pessoas enlutadas”, afirma.

Para a estudante Emili Lazaroto, também abalada pela tragédia, foi impressionante ver a onda de solidariedade manifestada por gente do Brasil e de outros países. “Especialmente em momentos dramáticos como esse, as ações demonstram o que as pessoas são de verdade. Ao ver tanta gente se importando com o próximo, eu acredito que o mundo ainda tem esperança”, ressalta. [Willian Vieira e Paulo Ribeiro, equipe RA]

VÍDEO MOSTRA O MOMENTO DA HOMENAGEM FEITA PELA IGREJA ADVENTISTA DURANTE O FUNERAL

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