Morre ex-pastor que inspirou livros e roteiro de filme em Hollywood

Michael e Lindy Chamberlain ficaram conhecidos ao travar uma longa e dura batalha na justiça australiana a fim de provar inocência num dos julgamentos mais famosos do país 
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Michael Chamberlain morreu em Gosford, na Austrália, aos 72 anos. Créditos da imagem: reprodução Adventist Record

Michael Chamberlain, ex-pastor adventista que, juntamente com a esposa, Lindy, se tornou réu num dos julgamentos mais longos e notórios da Austrália, morreu no dia 9 de janeiro aos 72 anos, vítima de leucemia.

Em matéria publicada no site da revista Adventist Record, o presidente da Igreja Adventista na Austrália, Jorge Muñoz, se referiu a Michael como um defensor da justiça. “Sua luta pela justiça continuará sendo uma lição para todos nós neste país”, enfatizou.

A vida de Michael e Lindy mudou tragicamente no dia 17 de agosto de 1980, quando Azaria, filha mais nova do casal, desapareceu de uma barraca perto de Uluro (também chamada de Ayers Rock), local em que a família acampava. O corpo do bebê de nove semanas nunca foi encontrado.

O fato chocou o mundo e, durante mais de três décadas, dividiu a opinião pública. Sob acusação de ter tirado a vida de Azaria em algum tipo de ritual religioso, o casal foi condenado à prisão. O pai ganhou suspensão condicional, mas a mãe cumpriu três anos em regime fechado.

Caso Chamberlain
Michael e Lindy Chamberlain deixam tribunal em Alice Springs durante o segundo inquérito sobre o desaparecimento de Azaria, em 1981. Foto: The Sydney Morning Herald / Media Fairfax via Getty Images

Ao ter a condenação anulada em 1986 depois que foram encontrados pedaços da roupa de Azaria perto de tocas de dingos, cães selvagens australianos, Lindy Chamberlain foi liberta. Contudo, a trágica história que inspirou o filme Um Grito no Escuro, interpretado por Meryl Streep e Sam Neill, teve um desfecho somente em 2012, cerca de 32 anos depois do ocorrido. A justiça australiana entendeu que, de fato, o bebê havia sido morto por um cão selvagem, argumento que o casal defendera desde o início.

“Acredito que um dingo agarrou Azaria e a arrastou para longe da barraca. Existem provas de que um dingo é capaz de atacar, apoderar-se e causar a morte de crianças muito pequenas”, declarou a legista Elizabeth Morris no Tribunal de Justiça de Darwin.

“Estou aqui para lhe dizer que você pode obter justiça mesmo quando achar que tudo está perdido”, disse Michael à imprensa assim que recebeu o veredicto.

Por ocasião do lançamento do livro Heart of Stone: Justice for Azaria, ele ressaltou: “Tenho paz e gratidão em meu coração pelo fato de o espírito de Azaria agora estar em repouso, e tenho gratidão e paz no meu coração porque a justiça por nós foi feita”.

Apesar do desfecho favorável, a forte pressão popular, o escrutínio público e a terrível batalha travada durante anos para provar a inocência trouxeram muitas consequências para a vida do casal. Em 1984, Michael deixou o ministério pastoral e sete anos depois se divorciou da esposa.

Mas “apesar do impacto irreparável de suas perdas, Michael Chamberlain continuou lutando em muitas áreas de sua vida”, conforme publicou a Adventist Record. Em 2002, ele concluiu o doutorado em Educação na Universidade de Newcastle. Além de concorrer ao parlamento e escrever alguns livros, Michael foi professor em Brewarrina e Gosford e presidiu uma empresa em Cooranbong. Nos últimos cinco anos, dedicou boa parte do tempo para cuidar de Ingrid, sua segunda esposa, que sofreu um acidente vascular cerebral (AVC) em 2011. [Márcio Tonetti, equipe RA / Com informações da Adventist Record, da Veja e do The Guardian]

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