Evangelização na era do iPhone

Lançado há dez anos, smartphone revolucionou a telefonia móvel e possibilitou novas formas de divulgar a mensagem bíblica
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Créditos da imagem: Eduardo Olszewski/Fotolia

Há dez anos, o lançamento do primeiro iPhone causava uma revolução no mundo da tecnologia. No fim de 2005, depois de uma tentativa fracassada de criar um smartphone versátil em parceria com a Motorola, Steve Jobs, então diretor-executivo da Apple, convocou sua equipe e disse: “Vamos fazer isso, nós mesmos!”

A decisão não somente mudou o futuro das tecnologias da comunicação, mas abriu uma janela inimaginável para a divulgação do evangelho a toda nação, tribo, língua e povo (Ap 14:6).

Na verdade, a visão empreendedora de Jobs, seu ímpeto criativo e a capacidade de colocar ideias em prática foram fundamentais para a transformação de indústrias como a de computadores pessoais, dos filmes de animação, da música, dos telefones e de tablets, bem como das publicações digitais. Além disso, ele abriu caminho para um novo mercado de conteúdo digital com base em aplicativos e não apenas em websites (Steve Jobs, 2011, p. 12 e 13).

O iPhone foi apresentado pela primeira vez no dia 9 de janeiro de 2007. Na ocasião, como que prevendo o futuro, Jobs disse que ele mudaria tudo: “Hoje, estamos apresentando três produtos revolucionários dessa categoria. O primeiro é um iPod de tela larga com controle pelo toque. O segundo é um celular revolucionário. E o terceiro é um aparelho pioneiro de comunicações pela internet”. Depois de repetir a lista, ele perguntou: “Estão entendendo? Não são três aparelhos separados, é um aparelho só, e ele se chama iPhone” (Ver mais em: Steve Jobs apresenta primeiro iPhone).

Quando surgiu a ideia para a criação do iPhone, um dos grandes objetivos da Apple era alcançar o mercado mundial de celulares, já “que em 2005, tinham sido vendidos mais de 825 milhões de celulares para um público mais amplo, desde criancinhas até vovós” (Isaacson, p. 484). Após 30 meses e um investimento de 150 milhões de dólares, surgia o primeiro celular com teclado digital e tela multitoque para fazer ligações, assistir a vídeos ou ouvir música (leia mais em: How Apple Kept its iPhone Secrets e The Untold Story: How the iPhone Blew Up the Wireless Industry).

No entanto, no que diz respeito ao alcance mundial, existiu um efeito colateral não percebido. Um ano depois, em julho de 2008, com a inauguração da App Store, plataforma de distribuição de aplicativos para o iPhone, surgia entre os duzentos primeiros Apps da loja virtual o Bible. Considerado o mais popular do gênero, ele já foi instalado em 250 milhões de aparelhos. De acordo com o último relatório do ministério YouVersion.com, em 2016, foram 11 bilhões de capítulos lidos, 2,1 bilhões de capítulos ouvidos, 1 bilhão de marcações e notas, 230 milhões de versos compartilhados, 48 milhões de versos inseridos em imagens e 27,5 milhões de planos de leitura concluídos.

O iPhone abriu caminho para outros sistemas operacionais usados nos celulares, a exemplo do Android. Dentro de cada uma dessas plataformas digitais existem Bíblias que auxiliam para que “o evangelho seja pregado em todo o mundo, em testemunho a todas as nações” (Mt 24:14).

Entretanto, não podemos esquecer que essas são apenas ferramentas auxiliares. Como expressou Ellen G. White, “Cristo confia a Seus seguidores uma obra individual – uma obra que não pode ser feita por procuração. O serviço aos pobres e enfermos, o anunciar o evangelho aos perdidos, não deve ser deixado a comissões ou caridade organizada. Responsabilidade individual, individual esforço e sacrifício pessoal são exigências evangélicas” (A Ciência do Bom Viver, p. 147).

FLÁVIO PEREIRA DA SILVA FILHO, mestre em Teologia Bíblica, é pastor e jornalista

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