Herói de verdade

A incrível história de um homem que enfrentou os horrores da II Guerra Mundial portando apenas o indestrutível escudo da fé
Em 1945, Desmond Doss recebeu do então presidente Harry Truman a Medalha de Honra do Congresso. Foto: desmonddoss.com
Em 1945, Desmond Doss recebeu do então presidente Harry Truman a Medalha de Honra do Congresso. Foto: desmonddoss.com

Horrorizado com as atrocidades da II Guerra Mundial, um jovem norte-americano se alistou no exército de seu país, mas foi rejeitado devido à sua fragilidade física. Porém, ao perceber o grande amor que o rapaz nutria por sua nação, um general ofereceu-lhe a chance de participar de um experimento chamado “Operação Renascimento”. Foi assim que o franzino Steve Rogers se tornou o poderoso Capitão América, uma verdadeira máquina de guerra para defender os Estados Unidos.

Nos quadrinhos e no cinema, o super-herói, portando apenas um indestrutível escudo, encarna os valores morais que a mais poderosa nação da Terra deseja que sejam reconhecidos nela. Como “sentinela da liberdade”, Capitão América é inteligente, corajoso, honesto e patriota, mas não passa de mera ficção.

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Na vida real, os heróis de verdade também são forjados em uma espécie de “Operação Renascimento”. Nascido em uma típica família norte-americana, Desmond Doss foi educado com valores cristãos. Em sua biografia Soldado Desarmado, escrita pela esposa, Frances M. Doss, e que está sendo lançada pela Casa Publicadora Brasileira, é apresentado um fato, aparentemente despretensioso, mas que marcou o processo de constituição de uma personalidade com envergadura heroica.

O pai de Desmond, Thomas Doss, em um leilão, adquiriu um quadro em que a lei de Deus é retratada. Com imagens para cada mandamento, aquela pintura deixou profundas impressões na mente e no coração de um menino que não imaginava ser, posteriormente, um dos mais respeitados heróis de seu país.

Frances M. Doss relata: “[Desmond] reconheceu mais uma vez como aquela ilustração havia influenciado sua vida. O sexto mandamento, ‘Não matarás’, era representado com a imagem de Caim, com um porrete na mão, pisando no corpo do irmão, Abel, logo depois de matá-lo. Desmond se perguntou muitas vezes: ‘Como um irmão foi capaz de fazer algo assim?’ […] Conseguia imaginar Jesus lhe dizendo: ‘Desmond, se você me ama, não vai matar, mas, sim, salvar vidas como Eu faria se estivesse em seu lugar. Siga meu exemplo.’”

Por isso, na II Guerra Mundial, Desmond Doss se sentiu honrado por poder servir sua nação, mas se recusou a empunhar armas. Então, foi arrolado no exército como objetor de consciência e passou a trabalhar como paramédico. O respeito heroico à lei de Deus também se manisfestou na vida de Doss em relação ao quarto mandamento. Por incrível que pareça, durante o período em que esteve em treinamento e no campo de batalha, Desmond sempre encontrava um jeito de ir à igreja aos sábados, além de não fazer nenhuma atividade de trabalho no dia do Senhor.

Por sua posição ao lado da verdade, Doss recebeu o rótulo de covarde e esteve a ponto de ser expulso da corporação como louco. Porém, ele se manteve firme como um verdadeiro herói, enquanto Deus preparava a situação em que seu nome e o de seu servo seriam honrados. Usando apenas o indestrutível escudo da fé, Doss se defendeu dos dardos inflamados do inimigo, permaneceu no exército norte-americano, mas, acima de tudo, confirmou seu alistamento entre as hostes divinas.

Depois de um ataque surpresa dos japoneses em Okinawa, muitos companheiros de Doss ficaram feridos e totalmente vulneráveis ao inimigo no alto de uma escarpa de dez metros. Só um herói de verdade poderia defendê-los. Firme ao posto do dever, havia um homem chamado Desmond Doss. O “covarde e louco” era a única pessoa com coragem e lucidez suficientes para resgatar os soldados feridos no alto do desfiladeiro. Sozinho e desarmado, ao longo daquela extenuante e perigosa empreitada, Doss orava: “Senhor, ajuda-me a salvar mais um.” Foi assim que, depois de cinco horas, Desmond resgatou o último dos 75 homens, sem que nenhum deles perdesse a vida.

Por esse e outros atos heroicos, Desmond Doss recebeu das mãos do presidente Harry Truman o mais importante reconhecimento militar norte-americano: a Medalha de Honra do Congresso. Depois disso, ele ficou famoso, sua história foi parar nos quadrinhos, livros, documentários e até em filme de Hollywood.

A vida heroica de Desmond Doss é uma evidência de que a verdadeira “Operação Renascimento” inscreve o decálogo no coração humano, o qual, como um indestrutível escudo, protege os soldados fiéis com amor a Deus e ao próximo e os prepara a fim de que sejam vencedores nas ferrenhas batalhas do grande conflito. Doss foi leal a Deus e fiel à sua consciência. Por isso, continua inspirando pessoas do mundo todo.

VINÍCIUS MENDES é pastor e editor na Casa Publicadora Brasileira

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