Recalculando a rota

Jovem adia entrada no doutorado em Física do ITA para participar de projeto missionário em outro país
Flávia Santos recebe do pastor Elmar Borges, líder dos jovens adventistas para o Sul do Brasil, homenagem pela participação no projeto Um Ano em Missão. Foto: arquivo pessoal

Números, cálculos, fórmulas… Desde cedo Flávia Santos demonstrou facilidade em lidar com as ciências exatas. Graduada em Física pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), com apenas 23 anos de idade a jovem paranaense concluiu o mestrado no ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica) na mesma área.

Especialista em cálculos de trajetória de missões espaciais, ela estudou as velas solares, uma nova tecnologia que tem sido desenvolvida e testada por alguns países nos últimos anos. Esse método alternativo de impulsão de aeronaves faz com que seja diminuída significativamente a quantidade de combustível usada nos foguetes, reduzindo os custos das missões espaciais e abrindo a possibilidade, como alguns acreditam, até mesmo de viagens intergaláticas.

Porém, assim que apresentou sua dissertação em 2015, Flávia deu uma guinada na carreira. Apesar de ter grandes chances de entrar logo em seguida no programa de doutorado, ela decidiu interromper os estudos para participar de outra missão igualmente desafiadora: o projeto One Year in Mission (OYiM, na sigla em inglês).

Batizada na Igreja Adventista aos 11 anos de idade, Flávia teve a primeira experiência em projetos de voluntariado quando ainda cursava a graduação. Na região norte do Paraná, onde nasceu, ela participou da Missão Calebe, grupo formado por jovens que dedicam as férias para ações sociais e evangelísticas.

Depois que se mudou para São José dos Campos, no interior do Estado de São Paulo, a fim de estudar no ITA, a jovem também participou de congressos da igreja voltados para pessoas interessadas em ser missionárias fora do Brasil. Num desses eventos, ela conheceu projetos do Núcleo de Missões do Unasp (Numci) e chegou a pensar em ir para a chamada Janela 10/40, região que concentra aproximadamente dois terços da população mundial e consiste num dos territórios mais desafiadores para o cristianismo.

Porém, como ainda não havia concluído o mestrado, resolveu esperar. Novas portas voltaram a se abrir em setembro de 2015, quando participou do I Will Go, congresso internacional de universitários adventistas missionários, realizado no Unasp, campus Engenheiro Coelho (SP). “Voltei do congresso super animada e com diversos contatos”, relembra.

Equipe de 23 voluntários que participou do projeto Um Ano em Missão no Chile, em 2016. Foto: OYiM

A oportunidade de ter uma experiência concreta como missionária fora do Brasil veio no fim do mesmo ano, quando ela foi selecionada como representante da igreja no Sul do Brasil para participar do projeto Um Ano em Missão em Santiago, capital chilena.

“Em 2016, eu iria entrar no doutorado, mas adiei para poder participar do Um Ano em Missão”, conta. E garante: “Foi o ano mais feliz da minha vida”.

Embora a líder de jovens sempre tenha se engajado nas atividades da igreja, ela afirma que precisava de um envolvimento maior. Isso a levou a recalcular a rota da vida. “Deus me mostrou que eu estava gastando muito tempo para mim mesma, para a realização dos meus sonhos. Por meio do serviço voluntário, aprendi a deixar meu eu de lado e a viver o sonho de Deus para a minha vida”, enfatiza.

Ela gostou tanto da experiência que, neste mês, voltou ao Chile a fim de coordenar uma equipe local do OYiM ao longo de 2017. Seu desafio agora é preparar outros jovens para ser missionários.

Alguns perguntam se ela pensa em voltar para a academia. Apesar de ter recebido bastante incentivo, Flávia ainda está analisando a possibilidade. Mesmo que volte para o laboratório e retome os cálculos das missões espaciais, ela pretende continuar como missionária e, quem sabe, realizar o antigo sonho de pisar em regiões inalcançadas pelo evangelho. Independentemente do rumo que sua vida irá tomar, ela tem uma certeza: “Onde Deus quer que eu esteja é o melhor lugar para eu estar”. [Márcio Tonetti, equipe RA]

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