Espécie multi-planetária

Desbravar novos mundos é um desejo não apenas de astrônomos e multimilionários, mas de todos os que aguardam o retorno de Cristo
Planetas parecidos com a Terra (“e”, “f” e “g”) teriam condições de ter água em estado líquido em sua superfície, de acordo com astrônomos. Créditos da imagem: Observatório Europeu do Sul (ESO)

Na semana passada, astrônomos europeus e americanos anunciaram a descoberta de sete planetas do tamanho da Terra, situados a 40 anos-luz de distância. De acordo com os cientistas, eles orbitam a já conhecida estrela-anã Trappist-1, na constelação de Aquário.

O que deixou os astrônomos e jornalistas empolgados foi o fato de que três desses planetas se encontram na zona habitável do novo sistema solar, a uma distância segura para a subsistência da vida. A temperatura deles permitiria a existência de água em estado líquido na superfície e a atmosfera seria densa o suficiente para proteger esses planetas dos raios ultravioletas. Essas seriam as condições ideais para se encontrar vida fora do planeta Terra.

Ilustração do Observatório Europeu do Sul (ESO) mostra como seria o sistema de Trappist-1

Não é a primeira vez que cientistas encontram exoplanetas (planetas localizados fora do nosso sistema solar). A primeira descoberta ocorreu em 1988 (ver mais em: “A Search for Substellar Companions”, The Astrophysical Journal 331, 15 de agosto de 1988, p. 902-921). Desde então, mais de 3,5 mil planetas já foram localizados. Desses, o exoplaneta mais próximo de nós é o Proxima b, a 4,2 anos luz da Terra, descoberto em agosto do ano passado (“A Terrestrial Planet Candidate in a Temperate orbit around Proxima Centauri”, Nature, v. 536, nº 7617, 25 de agosto 2016, p. 437-440). Pela distância que fica da estrela Proxima Centauri, os astrônomos acreditam que ele também contenha água em estado líquido na sua superfície.

Considerando que exoplanetas não emitem luz ou refletem muito pouco da luz de sua estrela-mãe, eles não podem ser observados nem identificados diretamente por telescópios. No entanto, é possível identificá-los indiretamente pelos movimentos ou pela luminosidade da estrela que orbitam. Essas estrelas oscilam conforme a órbita do planeta. Ao calcular a oscilação, os astrônomos são capazes de extrair informações referentes ao tamanho e à distância do planeta. Outra forma de detectar um planeta é identificando frequentes quedas de luminosidade da estrela hospedeira. Em alguns casos, a órbita do exoplaneta passa exatamente entre a estrela e o ângulo de visão do astrônomo. Ao passar em frente à estrela, o planeta provoca um eclipse; a luminosidade da estrela cai e o astrônomo deduz a presença do planeta.

Viver em outros mundos

O ser humano sempre manifestou o desejo de explorar o desconhecido. Essa curiosidade nos levou a explorar os continentes. Depois de vasculharmos todo o planeta, começamos a olhar para o céu em busca de novas aventuras. Quando descobrimos que existem outros planetas orbitando o Sol, passamos a alimentar o desejo de viajar pelo espaço e habitar esses mundos. O instinto explorador se reflete em filmes como Guerra nas Estrelas, Jornada nas Estrelas, Avatar, Interestelar, Perdido em Marte e no recém-lançado Passageiros.

Porém, esse ainda é um sonho distante. De acordo com o site Space.com, viajar para o planeta Proxima b, situado a apenas 4,2 anos-luz da Terra, levaria 165 mil anos, usando a tecnologia disponível atualmente. Mesmo assim, desafios como esses, em vez de desanimar, instigam o ser humano a criar novas tecnologias e lutar para se superar. Embora ainda não seja possível chegar a planetas como o Proxima b, outros alvos menores já foram alcançados. Além de ter pisado na Lua, há alguns anos o homem vem tentando chegar a Marte. Embora já tenhamos pousado uma sonda no planeta vermelho, não nos contentamos com essa realização – queremos estar lá pessoalmente.

Movidos por esse sonho, instituições governamentais como a NASA e empresas particulares como a Blue Origin, Boeing e a SpaceX estão investindo milhões de dólares a cada ano para colocar o primeiro ser humano em Marte. A última, em especial, tem recebido muita atenção da mídia devido aos diferentes mecanismos e tecnologias que desenvolveu para baratear o custo das viagens espaciais.

Um lançamento que poderia custar de 250 a 400 milhões de dólares para a NASA é realizado por 61,2 milhões de dólares pela SpaceX. A razão dessa redução de custos está na diminuição de processos burocráticos, na consciência financeira dos funcionários e na preferência pela praticidade na hora da elaboração e execução dos projetos. Outro fator que ajuda a SpaceX a cortar os custos é a reutilização de seus foguetes. Diferentemente da agência espacial americana, a empresa de Elon Musk é capaz de pousar os foguetes e reaproveitá-los para futuros lançamentos (veja mais em: “Como o pouso do foguete da SpaceX no mar muda viagem a Marte”.

Todos esses elementos deixam Musk confiante de que será capaz de levar novamente humanos à Lua em 2018 e enviar uma nave tripulada a Marte em 2024. Movido por esses sonhos, Musk não esconde seu desejo de tornar o ser humano uma “espécie multi-planetária” (Veja também: “What it took for Elon Musk’s SpaceX to disrupt Boeing, leapfrog NASA, and become a serious space company”).

Sonho realizável

Viver em um mundo melhor é a esperança que Deus plantou em nosso coração desde o surgimento do pecado. O apóstolo Paulo afirmou que todos os patriarcas, a começar com Adão, acreditavam que existe um mundo melhor, e que “eram estrangeiros e peregrinos sobre a Terra” (Hb 11:13).

Já em sua época, Enoque, aquele que foi levado ao Céu antes de morrer, anunciava a realização dessa nova realidade: “Olhem! O Senhor virá com muitos milhares dos seus anjos” (Jd 14, NTLH). Quando Jesus esteve na Terra, confirmou essa esperança ao declarar: “[…] voltarei e os levarei para Mim, para que vocês estejam onde Eu estiver” (Jo 14:3, NVI).

O plano de Deus não é somente que visitemos o planeta ao lado, mas que reinemos e governemos com Ele todo o Universo por toda a eternidade! (Ap 22:5). Embora a Terra continuará sendo o nosso lar, teremos a liberdade de viajar e visitar outros mundos. Esse é um privilégio que, conforme garantem as Escrituras, alguns já estão desfrutando. A Bíblia declara que pessoas como Enoque, Elias, Moisés e muitos outros que ressuscitaram por ocasião da crucificação de Cristo, estão vivendo no Céu atualmente.

A escritora norte-americana Ellen G. White, a quem a Igreja Adventista credita o dom profético, relata que, em visão, teve a oportunidade de ver outros mundos habitados: “A relva era de um verde vivo, e os pássaros gorjeavam ali cânticos suaves. Os habitantes do lugar eram de todas as estaturas; nobres, majestosos e formosos. Ostentavam a expressa imagem de Jesus, e seu semblante irradiava santa alegria, que era uma expressão da liberdade e felicidade do lugar. […] Vi ali o bom e velho Enoque, que tinha sido trasladado. […] Perguntei-lhe se ali era o lugar para onde ele tinha sido transportado da Terra. Ele disse: “Não é; minha morada é na cidade [a Nova Jerusalém], e eu vim visitar este lugar.” Ele percorria o lugar como se realmente estivesse em sua casa” (Primeiros Escritos, 2014, p. 39-40).

Ser uma “espécie multi-planetária” é um sonho não apenas de astrônomos e multimilionários como Elon Musk, mas de todo cristão que aceitou Jesus como seu Salvador e aguarda Sua breve volta.

No entanto, essa viagem não será realizada graças ao investimento de bilhões de dólares em novas tecnologias desenvolvidas pela ciência, mas graças ao sangue de Jesus. Embora o preço pago por Cristo na cruz seja incalculável, Deus oferece a salvação gratuitamente. Você recusaria essa oferta para uma vida eterna em lugares inimagináveis?

GLAUBER S. ARAÚJO, mestre em Ciências da Religião, é pastor e editor da Casa Publicadora Brasileira. Além da teologia, se interessa pela física, astronomia e cosmologia

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