Sinto, penso, logo aprendo

Saiba por que as emoções e a afetividade são tão importantes para o desenvolvimento humano
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Falar de “educação integral” é comum hoje em dia. Mas essa era uma abordagem completamente inovadora para o século 19, quando Ellen White expressou a necessidade de um ensino que considerasse o ser humano como um todo. Embora não tenha sido uma pesquisadora específica dessa área, seu livro Educação traz princípios que continuam sendo relevantes mais de um século depois.

Hoje se sabe, por exemplo, que a construção do conhecimento e os sentimentos ou emoções andam de mãos dadas, pois a criança (como qualquer ser humano), desenvolve-se por completo, sendo improvável afirmar que exista dificuldade de aprendizagem puramente cognitiva ou afetiva. O que ocorre em geral é o bom ou mau direcionamento afetivo no sistema de construção de conhecimentos a certos conteúdos.

Henri Wallon (1879-1962), famoso educador francês, dedicou vários anos para estudar o papel das emoções e da afetividade na aprendizagem. Para ele, esses eram aspectos centrais na formação da pessoa. Por isso, à semelhança de estudiosos como Jean Piaget (1896-1980) e Lev Vygotsky (1896-1934), Wallon valorizou a afetividade no desenvolvimento humano.

Um exemplo citado numa reportagem publicada no site da revista Nova Escola, ilustra o conceito: “Quando uma mãe abre os braços para receber um bebê que dá seus primeiros passos, expressa com gestos a intenção de acolhê-lo e ele reage caminhando em sua direção. Com esse movimento, a criança amplia seu conhecimento e é estimulada a aprender a andar. Assim, toda pessoa é afetada tanto por elementos externos – o olhar do outro, um objeto que chama a atenção, uma informação que recebe do meio – quanto por sensações internas – medo, alegria, fome – e responde a eles. Essa condição humana recebe o nome de afetividade e é crucial para o desenvolvimento”.

Embora tenha sido influenciada pela psicologia evolucionista, a teoria pedagógica de Wallon trouxe grandes contribuições à psicologia do desenvolvimento. Para ele, se existem sentimentos que conduzem à melhor compreensão e aos objetivos da aprendizagem (o que deve ser assimilado pela criança em cada etapa de seu desenvolvimento), deve haver constante análise por parte do professor no sentido de despertar nas crianças o desejo de aprender e o gosto pelo saber.

Para tanto, é necessário conhecer como se processa o pensamento infantil, bem como suas fases de desenvolvimento. Cabe ressaltar que isso não compete somente ao professor, mas também aos pais e outros responsáveis que passam (ou deveriam passar) a maior parte do tempo com os pequenos.

Então, quais caminhos poderiam ser percorridos a fim de propiciar melhor desenvolvimento cognitivo e afetivo na infância?

Para que esse desenvolvimento seja potencializado diariamente, é necessário problematizar situações para que a criança seja capaz de buscar soluções por si. Isso implica criar, manter e promover a comunicação para que os alunos/filhos possam progredir em suas descobertas, a ponto de poder se aproximarem da atividade de forma afetiva e aprender com ela.

Questionamentos, brincadeiras e atividades que favorecem o diálogo são alguns meios para motivar o envolvimento das crianças na educação. Não oferecer respostas prontas antes de os pequenos tentarem responder também é algo a ser aprendido por pais e professores. Como educadores, muitas vezes reproduzimos o que vivenciamos enquanto alunos. Infelizmente, em muitos casos não se dedica tempo para que as crianças se envolvam com as problematizações e elaborem suas respostas. Passamos à frente delas, não as esperamos pensar e geralmente damos tudo pronto.

Sejam crianças ou adultos, todos necessitam do elo entre a cognição e a afetividade para aprender. Por isso, para que haja mais envolvimento e melhor desenvolvimento cognitivo, um excelente caminho é propiciar mais afetividade, com experiências prazerosas e atividades que chamem a atenção dos nossos filhos ou estudantes.

NÁDIA TEIXEIRA é mestre em educação, psicopedagoga e pedagoga. Trabalha na CPB como coordenadora pedagógica da Universidade Corporativa da educação adventista

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