Prova de amor

Precisamos resgatar a centralidade do sacrifício de Cristo como a verdadeira razão  da celebração da Páscoa
Cerca de 25% dos evangelhos são dedicados a apresentar a morte de Cristo. Se o restante de sua vida fosse relatado com os mesmos detalhes, precisaríamos de 8.400 páginas. Créditos da imagem? Lightstock

Segundo Rick Warren, pastor e escritor evangélico, “para construir uma ponte entre Deus e nós, Jesus precisou de apenas dois pedaços de madeira”. Com palavras inspiradas, Ellen White nos assegura de que “da cruz depende toda a nossa esperança” (Atos dos Apóstolos, p. 116). Paulo, diante da complexidade religiosa de Corinto, decidiu “nada saber […], senão a Jesus Cristo e este crucificado” (1Co 2:2). E para você, qual é a importância da cruz?

No Calvário, Deus provou seu “amor para conosco” (Rm 5:8), mesmo sem ter a garantia de uma resposta positiva. Depois de uma noite de profunda angústia e sem dormir, de enfrentar interrogatórios constantes, sofrer agressão física e levar a culpa do pecado de toda a humanidade, Jesus entregou a vida. Estava praticamente sozinho, abandonado por seus seguidores e entregue nas mãos dos malfeitores. Uma tremenda prova de amor!

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A caminho da cruz, foi maltratado e chicoteado. Uma cena dramática, em que a agressão era feita usando um açoite com tiras de couro e uma bola de ferro na ponta. O couro batia na pele, enquanto o ferro ou o chumbo rasgava a carne. Somente depois de todo esse sofrimento é que vinha a crucificação. Diante de cenas tão fortes, o sacrifício de Cristo não pode ser tratado como algo simples, pequeno ou apenas poético, mas como uma imensa prova de amor.

O impacto da cruz sobre os primeiros cristãos foi tremendo, sendo visto não simplesmente como um fato histórico, mas como um agente transformador. Basta observar que 25% dos evangelhos são dedicados a apresentar a morte de Cristo. Se o restante de sua vida fosse relatado com os mesmos detalhes, precisaríamos de pelo menos 8.400 páginas! Sua morte é igualmente lembrada até hoje por duas das principais cerimônias cristãs: a Santa Ceia e o batismo. Além disso, já no 2º século, a cruz tornou-se o símbolo principal dos cristãos.

A reação dos discípulos foi impressionante! Eles perderam o medo, não mediram as consequências e se entregaram completamente em resposta a essa prova de amor. Aos 75 anos, Pedro foi crucificado de cabeça para baixo. Tiago foi decapitado. André foi crucificado. Mateus foi morto à espada. Felipe foi enforcado. Tomé foi atravessado por uma lança. E Marcos foi arrastado pelas ruas de Alexandria. Diante da cruz, o medo foi substituído pela ousadia no cumprimento da missão. O exemplo de sacrifício pela fidelidade também foi seguido por Lucas, que acabou enforcado. Estêvão foi apedrejado. E Paulo, decapitado.

Será que o valor de nossa vida corresponde a esse sacrifício? Alguém teve a curiosidade de fazer as contas e descobriu que valemos bem pouco. Em média, nosso corpo equivale a 30 litros de água, gordura para fazer sete pedaços de sabão, carvão para alguns lápis, ferro para um prego, cal para caiar um galinheiro e enxofre para tirar as pulgas de um cachorro. Fazendo as contas rapidamente, não é difícil descobrir o baixo valor de nosso corpo. Porém, olhando para a cruz, fica evidente o alto preço de nossa vida.

Amor verdadeiro não se revela só com palavras, mas se prova com atitudes. Por isso, Deus foi além das declarações de amor quando o “Verbo se fez carne e habitou entre nós” (Jo 1:14). Ele “deu o seu filho único, para que todo aquele que nele crê não pereça” (Jo 3:16). Diante de expressões tão claras, qual é a prova de seu amor a Deus? Diante da cruz, nossa melhor resposta é reconhecer que não somos nada, mas Deus é tudo; que é preciso abandonar o engano do perfeccionismo para abraçar o poder da graça; que precisamos renovar a confiança de que Deus não vai desistir de nossa salvação, apesar de nossa condição; que precisamos pressa em compartilhar a mensagem do Salvador que morreu, preparando o caminho para o Rei que virá.

ERTON KÖHLER é presidente da Igreja Adventista para a América do Sul

(Texto publicado originalmente na edição de abril de 2017)

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