Missão além do escritório

Servidores de sede administrativa da igreja doam férias e recursos próprios para desenvolver projeto missionário no Egito
No total, 54 servidores da igreja no sul do Brasil participaram do projeto voluntário.

O destino, Egito. Na bagagem, a vontade de servir. Nem a distância nem as barreiras culturais intimidaram os servidores da sede administrativa da Igreja Adventista para o sul do Brasil, que no mês de fevereiro embarcaram numa experiência inusitada de voluntariado por 20 dias na cidade do Cairo.

A ideia nasceu do desejo de se envolverem mais profundamente na missão, embora todos já contribuam, direta ou indiretamente, para a pregação da mensagem. Com esse objetivo, acompanhados dos líderes locais, profissionais de várias áreas doaram as férias e investiram recursos próprios para custear a viagem.

O Nile Union Academy, único internato adventista de ensino médio de todo o Oriente Médio, foi a instituição que abrigou e recebeu, em grande parte, os serviços prestados pelos voluntários. Além disso, uma programação especial foi organizada para as crianças de uma escola sudanesa. “Somos gratos pelo grande impacto que esse grupo de voluntários causou no campus”, afirma o pastor Richard Doss, diretor do internato que tem 120 alunos.

No Brasil, Keila Tavares é secretária, mas em solo egípcio desenvolveu todo tipo de tarefa. A prioridade era ajudar no que fosse necessário: pinturas, reformas, entre outras atividades. “Eu ouvia outras pessoas falarem de missão e meu desejo era viver essa experiência. A concretização desse sonho é algo que eu vou levar por toda a vida. Volto com o desejo de fazer mais pela missão em meu próprio país e motivar outros jovens a dedicar a vida por essa causa”, garante.

Além das reformas, o grupo contribuiu na aquisição de um trator para auxiliar no projeto de reciclagem de lixo organizado por Ronylson Freitas, voluntário brasileiro que está no Egito há um ano e meio. O projeto inclui até mesmo a melhoria de um campo de futebol. “Pode parecer algo simples, mas o campo será um meio de integrar os alunos de diferentes culturas e religiões, a fim de que eles abram o coração para o evangelho e aceitem o convite para frequentar a igreja”, explica o pastor Edson Medeiros, diretor financeiro da União Sul-Brasileira.

Cenário desafiador

A sede administrativa da igreja no Oriente Médio atende 20 países, que concentram aproximadamente 520 milhões de pessoas. Nessa região de maioria muçulmana, existem apenas 3,7 mil adventistas, o equivalente a 1 membro para cada 146 mil habitantes. Mesmo no Nile Union Academy, os adventistas são minoria.

Pregar a Bíblia abertamente é uma prática proibida pelo governo local. Por isso, é necessário usar outras abordagens. O pastor Kleyton Feitosa, líder da Igreja Adventista no Egito e no Sudão, revela que a oração e o relacionamento são os maiores aliados, já que entregar folhetos, realizar campanhas evangelísticas ou até mesmo convidar alguém para os cultos são ações ilegais. “A maioria absoluta (99%) dos nossos membros é composta de nativos que frequentam os mesmos lugares, trabalham ou estudam com pessoas de outras denominações. O desafio deles é apresentar Cristo por meio do exemplo”, conta.

Essa também foi a estratégia dos voluntários brasileiros, segundo o pastor Marlinton Lopes, presidente da igreja no sul do Brasil. “Nesse internato, muitos jovens nativos decidem ser obreiros e pastores. Então, nosso objetivo foi ajudar a preparar uma estrutura melhor para atrair, inspirar e motivar esses estudantes à missão”, analisa.

Próximo passo

A ideia pioneira pretende ser o embrião de um programa que deve envolver outros servidores da organização adventista. A proposta é que, nos próximos 18 meses, as nove sedes administrativas da igreja nos três estados do sul do Brasil também impactem algum país do Oriente Médio por meio de parcerias com o Serviço Voluntário Adventista.

“Hoje, temos recursos, talentos e pessoas disponíveis. O sonho da igreja na América do Sul é colocar tudo isso a serviço da missão local e global”, conclui o pastor Elbert Kuhn, coordenador do SVA.

JÉSSICA GUIDOLIN é assessora da Igreja Adventista no sul do Brasil e foi uma das participantes do projeto na cidade do Cairo

(Texto publicado originalmente na edição de abril de 2017)

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