O jogo mortal da “baleia azul”

O desafio que tem seduzido adolescentes e motivado comportamentos autodestrutivos
Créditos da imagem: Fotolia

Nas últimas semanas, um jogo mortal tem conseguido derrubar o tabu da imprensa sobre divulgação de suicídios. O desafio da “baleia azul”, nome que teria sido dado em referência às baleias que agonizam e morrem quando encalham em águas rasas, surgiu na Rússia há alguns meses e foi introduzido no Brasil nas últimas semanas. Responsável por desencadear uma epidemia de comportamentos de autodestruição, o desafio seduz, pelo seu espírito competitivo e pela pressão de grupo, principalmente adolescentes entre dez e vinte anos.

O participante é escolhido e acrescentado por amigos ou mesmo desconhecidos a um grupo de rede social e desafiado por meio de manipulação mental, pressão de grupo e ameaças cada vez mais graves contra sua vida e a de pessoas próximas. As 50 etapas do jogo envolvem atividades como passar um período exaustivamente longo ouvindo músicas psicodélicas, assistir a uma sequência interminável de filmes de terror, ir a lugares medonhos durante a madrugada e agir pondo a vida em risco. Cada fase deve ser registrada por meio de fotografia e compartilhada na rede social e com os demais jogadores.

As atividades levam o participante a induzir em si mesmo uma perturbação mental ao ponto de deixar a mente depressiva e pronta para encarar as provas finais, que consistem em automutilação e tentativa de suicídio. O “baleia azul” alicia principalmente adolescentes que demonstram carência de afeto familiar e de aceitação social.

Infelizmente, alguns participantes do jogo concluíram a etapa final e se mataram. Aparentemente, os últimos requisitos exigem que o participante desenhe com material cortante uma baleia no braço e, depois, tire a própria vida. Casos de morte confirmada relacionada ao “baleia azul” vêm sendo noticiados, mas muitos outros estão sendo investigados pelas autoridades. Policiais têm se infiltrado no jogo usando perfis falsos de rede social para tentar descobrir quem são os curadores da disputa, que induzem pessoas ao autoextermínio. Além disso, conselheiros de jovens, que agem com motivação religiosa e cristã, estão se infiltrando no “baleia azul” para tentar, de alguma forma, dissuadir participantes a abandonar a disputa sem medo das ameaças dos demais jogadores.

Ninguém precisa morrer para cumprir a etapa final do jogo da morte, pois alguém já cumpriu todos os desafios e morreu em nosso lugar. Ele deixou a casa do Pai e partiu para um lugar sombrio e assustador. O envolvimento levou-o a permanecer semanas em um lugar isolado, onde presenciou aparições do demônio. Também formou um grupo com mais doze pessoas e advertiu que todos, menos um, teriam uma morte trágica. Frequentemente Ele precisava sair de madrugada para estar em lugares solitários, muitas vezes em montes e desertos.

Finalmente, entregou a própria vida. Mas Ele não estava em um jogo de autoextermínio. Ele fez isso por amor a toda a humanidade. Era o Plano de Salvação que acontecia, a conquista da vida eterna. Ele interveio na senda de quem caminhava para a morte a fim de abrir uma rota de escape para a vida. Jesus Cristo cumpriu todas as fases da disputa entre o bem e o mal. Ele foi até o fim e abriu os braços para que as feridas em seus pulsos fizessem escorrer seu sangue, o sangue que liberta do pecado e traz vida. Não foi suicídio. Foi sacrifício que pagou com a vida do Filho de Deus a morte exigida de quem está preso no pecado. Ele aceitou morrer para que você e eu pudéssemos viver.

Sozinhos não podemos abandonar o pecado. Devido à pressão da própria natureza pecaminosa e das sugestões malignas (normalmente chamadas de “tentação”), praticamos uma série de comportamentos autodestrutivos. A mentira destrói as relações sociais, a desonestidade mata a confiança em nós mesmos, a gula arruína a saúde, a lascívia extermina o amor verdadeiro, a ganância sufoca o altruísmo, e a falta de fé extirpa do coração a esperança.

Para intervir nesse jogo de morte, Jesus Cristo se infiltrou entre nós encarnando-se. Ele assegura que você e eu podemos abandonar o desafio de morte chamado pecado e ter a garantia da vida. Assim como no “baleia azul”, no jogo do pecado há a ameaça constante da morte. No entanto, Jesus Cristo se propõe a morrer em lugar de cada pessoa envolvida com o jogo do pecado. Ele morreu para que o pecador não precisasse ser condenado a ficar eternamente morto. Ele morreu para que cada pessoa pudesse abandonar o jogo mortal e ter segurança em uma nova vida livre de qualquer comportamento autodestruidor, liberta do poder escravizador do pecado.

Se alguém está preso ao jogo da morte e sofre uma irresistível e ameaçadora pressão para permanecer e praticar uma série de atitudes trágicas, saiba que Jesus Cristo já cumpriu por você a etapa final: Ele morreu em seu lugar. Seus pulsos foram feridos com pregos sobre a cruz, num lugar assustador chamado “Caveira” (ou Calvário). Você já pode sair sem medo do jogo, pois a morte dele atende ao que exigem de você. Ele libera você de cumprir o desafio de morrer, para que você possa, ao entregar a vida a Ele, tornar-se imortal e viver para sempre.

“Mas foram nossos pecados que caíram sobre Ele, que o feriram, cortaram e esmagaram — nossos pecados! Ele recebeu o castigo mortal, e isso nos restaurou. Por meio das feridas dele, somos curados” (Isaías 53:5, adaptado de A Mensagem).

FERNANDO DIAS é pastor e editor da Casa Publicadora Brasileira

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  • Joseph

    O apelo dizendo o que Cristo fez por nós, além de longo, não acho que foi útil n este contexto, pois quem lê esse tipo de artigo não está no “jogo”, e mesmo se tivesse, não procuraria esse tipo de artigo para ler. Além do mais, o artigo acabou virando um sermão! O foco (final) deveria estar voltado à atenção dos pais e responsáveis às crianças, adolescentes e jovens, de como agir e que tipo de ajuda deveriam procurar caso qualquer sinal de mudança estranha aparecesse nos jovens. Quando a pessoa já está presa ou virou escrava de qualquer vício, ou quando as circunstâncias já estão no limite, a família deve tomar decisões drásticas, que conselhos e qualquer outra coisa nada mais podem fazer.