Mudanças discretas

Na atualidade, a estratégia do inimigo é disfarçar suas intenções e criar acomodação
Créditos: DSA / Fotolia

Você deve conhecer bem aquela história dos sapos que pareciam espertos e, por isso, fugiram de uma panela de água quente, mas entraram confortavelmente em outra de água fria, que estava sobre o fogo. Sem notar, foram se adaptando à mudança de temperatura, até que não resistiram e morreram.

Apesar da simplicidade, essa ilustração serve para mostrar como é fácil rejeitar o pecado quando ele mostra a cara, mas é ainda mais fácil ser enganado quando o inimigo disfarça suas intenções. No passado, Satanás foi mais direto e atacou o povo de Deus, assumindo claramente sua maldade. Hoje a estratégia dele é outra. Em lugar do confronto, ele vai inserindo discretamente suas ideias, e as mudanças ocorrem de maneira quase imperceptível.

O alerta de Ellen White é claro: “Agentes invisíveis estão em operação para fazer com que a falsidade se pareça com a verdade; erros estão revestidos com uma roupagem enganadora para que os homens sejam levados a ­aceitá-los como essenciais a uma educação superior” (Medicina e Salvação, p. 88).

São mudanças discretas, com foco especial nas novas gerações, e que estão nos conduzindo rapidamente para uma condição preocupante. Afinal, “as correntes do pecado são muito leves para ser percebidas até que fiquem muito pesadas para ser quebradas” (adaptado de Warren Buffett). Se não despertarmos em tempo, “aquilo que não vencermos acabará nos vencendo, e causará nossa destruição”, diz Ellen White (Caminho a Cristo, p. 32).

Você já notou como essas mudanças transformaram as duas principais celebrações ligadas a Jesus? A Páscoa enfraqueceu sua relação com a morte de Cristo e hoje é representada pelos coelhos e ovos de chocolate. O Natal, que simbolizava o nascimento de Cristo, hoje é representado pelo papai Noel
e seus presentes. Foram mudanças que aconteceram quase imperceptivelmente.

Há outras mudanças, ainda mais significativas biblicamente, que estão em andamento de maneira discreta, e precisamos nos proteger contra elas. Exemplos:

1. Mudança na guarda do sábado como um dia de adoração para um dia de recreação. As atividades espirituais do sábado vão se concentrando cada vez mais no programa da manhã, e o resto do dia é usado para a família, sono e recreação. Algumas dessas atividades são positivas e necessárias, mas não estão concentradas no crescimento espiritual, a verdadeira razão da existência do sábado.

2. Mudança de um casamento permanente para um casamento conveniente. O compromisso bíblico “até que a morte os separe” vai sendo substituído por “até que qualquer outro interesse os separe”.

3. Mudança na visão bíblica do sexo com a pessoa certa, da maneira certa e no momento certo para sexo com qualquer pessoa, de qualquer maneira e em qualquer momento. A partir daí, de maneira rápida, estão se multiplicando as opções e conceitos sexuais.

4. Mudança da crença no relato da criação para a visão de uma simples ilustração. Quando o relato de Gênesis 1
e 2 é tratado de forma alegórica, toda a mensagem bíblica é comprometida, com destaque para o surgimento do pecado, a salvação, o sábado, a família, a sexualidade e especialmente a segunda vinda de Jesus. Afinal, quem não crê na criação não será capaz de crer na recriação.

5. Mudança do foco externo para o interno. Estamos consumindo nossas energias cuidando de nós mesmos, melhorando nossa estrutura, aumentando nosso conforto, preparando programas espetaculares, resolvendo problemas de relacionamento, criando um ambiente mais protegido, e acabamos nos esquecendo de que não somos uma colônia de férias, mas um exército em campo de batalha. Não estamos no mundo para descansar, mas para salvar.

No fim, tudo se concentra na mudança discreta das prioridades do Céu para os interesses da Terra. Diante desse imenso desafio, o conselho inspirado é simples e eficiente: “Vigiai e orai” (Mt 26:41). Cuidado com as mudanças discretas!

ERTON KÖHLER é presidente da Igreja Adventista para a América do Sul

(Texto publicado originalmente na edição de maio de 2017)

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  • Simone Norbim Gomes

    Excelente reflexão! É um chamado para despertarmos do “sono espiritual”.

  • Jason Aleixo

    Bem observado pelo líder Erton Köhler. O Natal não é festividade bíblica. A Páscoa que hoje se comemora é pagã. Perdeu-se a reverência na Casa de Deus. As construções não seguem o padrão bíblico. A Palavra de Deus, a Bíblia, não é mais o centro de estudo e sim pregações com base em filosofia secular. O “assim diz o Senhor” não é o que vale e sim o “eu acho”. O Espírito de Profecia é rebaixado a livro secular. O Dom de Profecia tem sido trocado por alegações espiritualistas. O fim chegou e foi deixado de pregar e estudar os escritos proféticos. “O Meu povo perece por falta de conhecimento”. Clamemos, misericórdia, Santo Deus, “ora vem, Senhor Jesus!”.

  • marcleide souza

    Falando em mudanças sutis, fico tremendo quando olho ao meu redor na igreja e vejo dezenas de adolescentes e não poucos adultos viajando nos celulares na hora do culto. Falta de respeito com Deus e com o pregador. Tenho 3 filhas ainda crianças e fico pensando nelas quando chegar a idade. Acredito que o sinal de celular deveria ser cortado dentro das igrejas. Quem não relaxa algumas horas em Deus, busca estresse no diabo. Nosso medo de magoar ou perder os membros é tão grande, que nos tornamos covardes. Daí se perde todo mundo, porque os covardes não entrarão no reino do céu nem quem fica desrespeitando a Deus com o uso do celular numa hora tão sagrada. A irmã White diz que as Bíblias nos serão tomadas, e não será difícil, pois alguns que só a usam no celular, não sabem nem aonde guardaram a de papel. Deus nos livre dessas mudanças sutis.