Vocação e missão

Encontro no IAP inspira estudantes de enfermagem a unir profissão e missão
Depois de servir no Egito, a estudante Enfermagem Bianca Freitas (esq.) está de malas prontas para um projeto de 40 dias na Ásia. Ela via levar também a colega de faculdade Brenda Melissa Mota. Foto: Carolina Perez

Apesar de 31% da população mundial se declararem cristãos, estima-se que 4,2 bilhões de pessoas ainda não ouviram falar a respeito de Jesus Cristo. Esse e outros dados sobre os desafios globais da missão cristã foram apresentados na 12ª Semana de Enfermagem do Instituto Adventista Paranaense (IAP), nos dias 17 a 19 de maio.

Mesmo que essas informações pareçam não ter relação direta com a área da saúde, na verdade, a associação é mais coerente do que se imagina. Afinal, a arte do cuidado, o ideal da enfermagem, pode ser melhor exercida no escopo da missão. É o que defende Diego Alexandre Rozendo, doutorando em Ciências Médicas pela Unicamp e coordenador do curso de enfermagem do IAP. “Acredito que todo enfermeiro cristão deve ser um missionário. Se a gente não tiver esse desejo no coração e propósito na profissão, seremos mais um entre milhares que já atuam por aí. Pensar em missão é pensar em exercer o cuidado da melhor forma para todas as pessoas”, explicou o professor.

Longe de casa

O tema “Ministérios Urbanos que Transformam” foi escolhido no intuito de despertar nos estudantes iniciativas que gerem impacto social. Mas essa ênfase missionária não é nova para alguns estudantes de Enfermagem do IAP. Bianca Freitas, aluna do curso, diz que seu desejo de servir surgiu antes da escolha profissional. “Optei por enfermagem porque sabia que poderia ser missionária ao exercer essa profissão dentro ou fora do país.” Ela já desenvolveu ações voluntárias no Egito, e neste mês viaja para uma missão de 40 dias na Ásia.

Brenda Melissa Barros Mota, que também sonha em se tornar uma enfermeira missionária, irá acompanhar a colega de classe nessa viagem. As expectativas de sua primeira experiência como voluntária são de crescimento pessoal e espiritual. “Sempre ouvimos que você não volta a mesma pessoa depois de experiências assim. Quero viver essa mudança”, enfatiza.

Preparo

No entanto, as estudantes não seguem para além-mar sem apoio ou preparo. Com a inauguração do Instituto de Missões do IAP em abril, os voluntários passaram a receber o suporte da filial brasileira do Adventist Frontier Mission (AFM), ministério de apoio da igreja que atua entre grupos não alcançados em 21 países. Dessa forma, antes de carimbar o passaporte, o voluntário passa por uma seleção e treinamento.

Para o pastor Samir Costa, coordenador da AFM Brasil, participar de uma missão transcultural marca para sempre a vida do voluntário. “Vemos pessoas que dispensaram o conforto, adaptaram-se às peculiaridades culturais, apenas pelo prazer de servir. Isso é incrível”, relatou ao apresentar aos estudantes alguns testemunhos de brasileiros que servem em diversos continentes.

O pastor Wallyson Santos, outro a falar para os universitários, seguiu o fluxo contrário. Depois de servir no exterior, ele passou a coordenar a Base Gênesis, um centro de apoio para refugiados no coração da capital paulista. Wallyson enfatizou que a missão tem que ver com vocação e estilo de vida. “As pessoas que entendem esse chamado saem fazendo aquilo que Deus pediu que elas fizessem: ser uma bênção. Esse foi o chamado de Deus para Abraão, que se estende até nós”, afirmou Wallyson.

Perto de casa

Mas, como sabemos, não é preciso necessariamente atravessar o mar para colaborar na missão de Deus. Willian Santos, ex-morador de rua e ex-usuário de drogas, chegou a perambular dois anos por uma “cracolândia” de Diadema (SP), e foi resgatado pelas orações e ajuda da sua família. “Assim que Deus me libertou dos vícios, voltei para a igreja. Porém, no instante em que me sentei no banco do templo, Ele me chamou de volta às ruas.”

A diferença é que agora Willian usa sua experiência de libertação para auxiliar outros dependentes. Ele lidera o projeto Resgate Urbano Adventista (RUA), ministério que atende moradores de rua providenciando roupas, alimentos e encaminhamento clínico na região metropolitana de São Paulo. “O projeto RUA me faz ser um pouco de Cristo para as pessoas na rua e me faz mais humano também, mais cristão”, reconheceu. A expectativa é que os conceitos e histórias compartilhados no encontro inspirem o grupo a continuar essa corrente do bem.

CAROLINA PEREZ é assessora de comunicação do Instituto Adventista Paranaense

(Publicada originalmente na edição de julho de 2017 da Revista Adventista)

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