Atraídos pelo desconhecido

Dois irmãos se aventuram pelo faroeste americano atrás de riquezas e descobrem novas fronteiras da fé
Créditos da imagem: Divulgação

Está em nosso sangue o desejo de ir além das fronteiras. Deus colocou no coração humano a eternidade (Ec 3:11), que, na língua original, também pode significar universo. Movidos por essa semente divina, seres humanos desafiaram abismos, a ferocidade dos oceanos e até mesmo o espaço sideral, lançando-se ao desconhecido. Novos mundos foram descobertos e transformados, assim como se modificaram os antigos, produzindo, lá e aqui, novas paisagens. O livro Salvação no Faroeste (125 páginas), lançamento da CPB, capta um desses momentos – o avanço rumo ao “Oeste distante”, ou Far West norte-americano.

A promessa de fortuna fez com que milhares deixassem regiões gélidas, em uma odisseia repleta de perigos, rumo às terras quentes e selvagens. Entre esses aventureiros, estavam os irmãos Elliot Rouse e o protagonista Eliseu. Determinados a realizar seus sonhos, desviaram seu caminho para as terras férteis do noroeste. Solitários, atravessaram trilhas “cobertas com ossos de aventureiros descuidados”, vitimados pelos índios.

Aos solavancos da velha carroça, os irmãos aventureiros chegaram ao primeiro povoado que encontraram, e logo se dispuseram a trabalhar. Eliseu foi aceito para cuidar de cavalos. Certo dia, ele e seus colegas foram atacados por um grupo de índios armados e um indígena morreu no confronto. A cena do corpo no chão impressionou Eliseu, que se perguntou sobre o destino eterno daquele jovem nativo.

A ideia do inferno incomodava Eliseu sempre que se deparava com a morte, cena tão comum nas ruas e trilhas do Oeste. Lembrando-se dos ensinos e das leituras bíblicas de sua falecida mãe, determinou-se a seguir o caminho da honestidade, ainda que em um ambiente selvagem como aquele. Os perigos que enfrentaria fizeram Eliseu pensar cada vez mais no julgamento divino, até que chegou sua vez de ver a morte de perto.

Trabalhando como batedor do exército, Eliseu e um colega foram surpreendidos na madrugada pelos temidos índios sioux. Eliseu foi atingido no ombro por uma bala. Seu colega fugiu, e um índio tentou escalpelar (arrancar a pele) de Eliseu, mas ele resistiu; contudo, foi dominado. Dias depois, em uma aldeia, ele se viu despido e amarrado a estacas fincadas no chão com cordas de couro cru. Logo que tocou os formigueiros, sentiu os insetos ferirem cada centímetro de seu corpo.

Sozinho e, mais tarde, sob um céu estrelado, pensou em Deus. Apesar do ombro ferido e da ferocidade das formigas, Eliseu se lembrou de histórias bíblicas, entre elas, a do filho pródigo. Fez, então, uma prece trêmula para que Deus o perdoasse e lhe concedesse paz.

Por um milagre, a vida de Eliseu não acabou ali. Após um escape espetacular e muitas transformações, sua jornada rumo ao Oeste se tornou uma viagem para Deus. A semente da eternidade começou a brotar em seu coração. Como a paisagem havia se transformado, suas convicções, também. Sempre questionando pessoas sobre a justiça e a lógica do inferno, certo dia teve contato com vizinhos adventistas de uma fazenda, que o impressionaram muito com seu testemunho sobre o sábado em uma época de colheita.

Salvação no Faroeste é um livro de aventuras e de situações que permitem uma reflexão sobre temas como família, o papel do homem, o materialismo, o perigo dos vícios e o valor de virtudes como a coragem. Também reflete sobre os conflitos com os índios e as justas demandas dos nativos. É uma leitura empolgante para jovens e adultos. Além de uma história fantástica, traz um estudo bíblico sobre o inferno e a guarda do sábado. Na jornada de Eliseu e Elliot, com suas personalidades e destinos contraditórios, mas unidos por fortes laços, nos deparamos com nossas fronteiras. Percebemos que, em nossa jornada, somos atraídos pelo Desconhecido. Entendemos que somente Deus pode dar sentido à vida no mundo selvagem em que vivemos: em nosso faroeste.

TRECHO
“Ele tinha ouvido um pregador uma vez dizer que o castigo dos ímpios era para o benefício dos santos. No entanto, não conseguia imaginar que espécie de santo se beneficiaria ao ouvir os gritos dos que estavam condenados a sofrer por intermináveis milênios.”

DIOGO CAVALCANTI é pastor, jornalista e editor de livros na Casa Publicadora Brasileira

(Texto publicado originalmente na edição de julho de 2017 da Revista Adventista)

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