Missão sobre duas rodas

No Dia Nacional do Motociclista, conheça o grupo de apaixonados por moto que transformou um hobby em ministério
Gustavo Cidral
Ivonil Machado, presidente nacional do Ministério dos Motociclistas Adventistas: “Quando direcionamos para a missão algo que já fazemos por gosto, os resultados vêm naturalmente”. Foto: Dinei Avelar

Segundo a Confederação Nacional dos Transportes (CNT), a frota de motocicletas no Brasil quadruplicou em 15 anos, passando de 4 milhões em 2001 para 20,2 milhões em 2015. Mais do que um meio de transporte prático, a moto se tornou um estilo de vida para muitas pessoas e um meio de evangelização para os integrantes do Adventist Motorcycle Ministry (AMM).

Criado na Flórida (EUA) em 2008, o projeto foi trazido para o Brasil há quatro anos. Presente em 22 estados, o motoclube já conta com 900 participantes no país.

Nesta entrevista, Ivonil Machado, presidente nacional do AMM, explica como funciona e como trabalha esse ministério de apoio que é tema de reportagem publicada na edição de agosto da Revista Adventista.

Como o AMM está organizado?

Temos estatuto, regimento interno, manual da marca e manual do uniforme que norteiam os procedimentos dos membros e líderes do motoclube. Em relação à direção do AMM, há o nível administrativo nacional (formado pelo presidente, vice-presidente, tesoureiro e secretário) e as lideranças estaduais e regionais. Em cada estado, existem sedes regionais, que contam com diretor, vice-diretor, tesoureiro, secretário e capelão. Além disso, temos o Conselho do AMM, o Conamm, formado por diretores nacionais, diretores estaduais e fundadores do AMM no Brasil.

Além do AMM, existem outros ministérios de motociclistas adventistas no Brasil?

Há pelo menos mais dois ministérios estabelecidos: O Moto Clube Adventista (MCA) e o Ministério Adventista de Motociclistas (MAM).

Você se tornou conhecido como cantor. Desde quando cultiva a paixão por duas rodas?

Sou motociclista desde adolescente. Fiquei um período sem moto, mas nos últimos oito anos voltei a praticar esse hobby. Um amigo viu as fotos de minhas viagens e me perguntou se eu conhecia o AMM. Ele me passou o contato do então presidente, Leomar Gehrke, e comecei a participar do motoclube da região de Maringá (PR), onde atuei como diretor por dois anos. Posteriormente, fui diretor estadual, vice-presidente e agora exerço a função de presidente nacional.

Recentemente, o AMM participou do Brasília Capital Moto Week, maior evento do gênero no país. Quais ações foram realizadas?

Esse é um megaevento que reúne cerca de 350 mil motos durante dez dias. Praticamente todos os motoclubes (inclusive outros grupos evangélicos) marcam presença nesse evento. Neste ano, fomos com um grupo de 150 membros. Tivemos a oportunidade de montar uma “igreja” num dos galpões e usamos o espaço para realizar cultos e palestras diariamente. Tivemos a presença de muitas visitas especialmente no sábado e no domingo. Também entregamos milhares de livros e DVDs e oramos com pessoas que talvez nunca fossem entrar numa igreja tradicional. Para despertar maior interesse, usamos folhetos, estudos bíblicos e outros materiais adaptados para esse público.

A presença dos motociclistas adventistas costuma ser bem recebida nesse tipo de evento?

Sempre somos muito bem recebidos. O código de ética do motociclismo diz que quem usa colete deve ser tratado como irmão. Isso nos aproxima. Além de compartilharmos as aventuras vividas na estrada, temos a oportunidade de apresentar o evangelho.

Integrantes do AMM de várias regiões do Brasil participam da distribuição do livro missionário em municípios próximos da sede da editora, localizada em Tatuí (SP). Créditos: William Moraes

Além de evangelizar pessoas que cultivam o mesmo hobby, o AMM desenvolve outros projetos?

Nosso foco é evangelizar os motociclistas. No entanto, paralelamente, também realizamos projetos sociais. Um deles é o Moto Esperança, por meio do qual arrecadamos brinquedos para crianças pobres. Também coletamos materiais e ajudamos na construção de casas para famílias necessitadas, além de promover treinamentos para motociclistas sobre segurança no trânsito. Cada sede regional decide o que será feito para ajudar o próximo e outros motociclistas.

Esses esforços têm produzido resultados?

Temos muitos testemunhos de conversão. Recentemente, um ex-adventista, presidente de um motoclube secular na cidade de Indaiatuba, no interior de São Paulo, conheceu o AMM, tirou todos os emblemas do seu clube e decidiu se filiar ao AMM e voltar para a igreja. Seu batismo deve acontecer em breve.

O que tem motivado o crescimento desse ministério de apoio?

O AMM brasileiro surgiu num contexto de forte ênfase no programa “Meu Talento, Meu Ministério”. Nosso ministério se encaixa perfeitamente nessa proposta. Temos recebido apoio das instituições da igreja e dos meios de comunicação adventistas, o que tem contribuído para a divulgação da iniciativa e, consequentemente, o crescimento do número de participantes.

Como o AMM tem servido outras áreas da igreja?

Procuramos dar suporte aos departamentos de Evangelismo, Assistência Social e a outras áreas. Isso se dá por meio da participação na distribuição do livro missionário, dos materiais da campanha Quebrando o Silêncio e na abertura de eventos como congressos e camporis de desbravadores.

O lema do AMM é “fazendo o que é preciso do jeito que eu gosto”. Como transformar um hobby em ministério

Fazer o que é preciso tem que ver como a missão de pregar o evangelho e ajudar o próximo. Buscamos fazer isso por meio do nosso talento, da nossa profissão ou do nosso hobby. Ou seja, do jeito que gostamos. Quando direcionamos para a missão algo que já fazemos por gosto, os resultados vêm naturalmente. Todas as atitudes do cristão devem ser estabelecidas em honrar o glorificar o nome de Deus, conforme as palavras de 1 Coríntios 10:31.

GUSTAVO CIDRAL é jornalista e trabalha como assessor de comunicação da Igreja Adventista para a região norte do Paraná (Com colaboração de Márcio Tonetti, editor associado da Revista Adventista)

LEIA TAMBÉM

Motociclistas transformam vidas por meio do evangelho e caridade

Veja também

Submissão à palavra

Teólogo brasileiro que dirige o Instituto de Pesquisa Bíblica fala sobre as tensões doutrinárias e a postura que devemos ter diante da Bíblia.