Santo remédio

Nutritivo, preventivo e curativo, o alho oferece benefícios para a saúde que estão sendo bem documentados por pesquisas científicas
Inúmeros estudos apontam as propriedades preventivas e terapêuticas do alho, seja cru, envelhecido, em extrato ou solução aquosa. Créditos: Fotolia

Muito já foi escrito a respeito dos benefícios do alho como alimento e remédio. Existem diversas referências históricas sobre o “poder milagroso” desse bulbo que vem sendo utilizado há milênios por várias civilizações. Em anos recentes, porém, muito mais do que lendas, vemos a multiplicação de pesquisas científicas que confirmam algumas importantes propriedades preventivas e terapêuticas do alho. Ainda que seja bom evitar o famoso “serve para tudo”, é inegável que o alho merece destaque entre os alimentos.

Nos últimos 50 anos, das mais de mil pesquisas científicas que procuraram explorar os segredos nutricionais e terapêuticos do alho, destaco um estudo publicado The Journal of Nutrition (2006). Nessa pesquisa são destacadas várias propriedades medicinais do alho relacionadas a uma de suas substâncias ativas e suas diversas formas de utilização, seja cru, envelhecido, em extrato ou em solução aquosa. Abaixo, listo alguns benefícios do alho que estão bem documentados cientificamente.

1. Efeito hipolipemiante. O alho contribui para baixar os níveis do mau colesterol (LDL) e também dos triglicerídios. Alguns estudos tentaram refutar essas propriedades, mas apresentaram erros sérios de metodologia, entre eles uma pesquisa realizada pela Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, em 2007. Porém, os mecanismos desse efeito positivo ainda são desconhecidos. A hipótese é que uma substância ativa do alho inibe a síntese de colesterol no fígado.

2. Efeito antimicrobiano. Ele é atribuído à alicina, substância responsável pelo cheiro característico do alho e que inibe a proliferação de bactérias e as elimina. Por isso, o alho também é recomendado em casos de tuberculose em que o agente infeccioso desenvolveu resistência. Estudos indicam ainda que o alho combate fungos, protozoários e vírus.

3. Efeito preventivo. Um estudo publicado no Asian Pacific Journal of Tropical Biomedicine (2013) revelou o efeito do alho na prevenção de intoxicação do fígado pelo analgésico e antifebril Tylenol e o antibiótico gentamicina.

4. Efeito anti-hipertensivo. De acordo com pesquisa publicada no Journal of Integrative Blood Pressure Control, em 2014, o alho é indicado para casos de hipertensão, ainda que como tratamento coadjuvante, porque interage bem com os medicamentos anti-hipertensivos e age sobre o óxido nitroso, que induz o relaxamento da camada interior que reveste os vasos sanguíneos (endotélio).

5. Efeito anticancerígeno. O periódico The Journal of Nutrition (2001) publicou uma revisão de pesquisas epidemiológicas que apontam uma correlação entre a ingestão de alho e o bloqueio da formação de substâncias que causam câncer de estômago, esôfago, colón, pâncreas e seios.

6. Efeito hipoglicemiante. De acordo com um artigo publicado no Journal of Molecular Nutrition & Food Research (2007), as substâncias ativas do alho estimulam a produção de insulina e diminuem a resistência celular a esse hormônio. O estudo também mostrou que o alho ajuda nos casos de diabetes porque tem ação anti-inflamatória e antioxidante.

Apesar de todos esses benefícios, para que a ingestão do alho seja eficaz como alimento e remédio, é necessário atentar para dois detalhes: (1) não deve ser cozido nem frito, porque a alta temperatura neutraliza suas substâncias ativas; (2) deve-se amassar ou espremer o alho cru e ­deixá-lo em contato com o ar por meia hora antes de consumi-lo para que suas propriedades sejam ativadas.

Devido ao cheiro forte, muitos desanimam em utilizá-lo; porém, as cápsulas de alho, que não têm cheiro e mantêm suas propriedades, são uma boa alternativa. É preciso lembrar também que para certas enfermidades recomenda-se determinadas fórmulas à base de alho, como extratos, soluções aquosas ou etanoicas. A conclusão é que, sem dúvida, esse “santo remédio” deveria fazer parte de nossa dieta diária.

SILMAR CRISTO é médico, consultor e autor de vários livros sobre saúde e qualidade de vida

(Artigo publicado originalmente na edição de abril de 2017)

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