Ponto da virada

A leitura do livro A Grande Esperança ajudou um jovem a encontrar Deus e a trocar o ateísmo pelo adventismo
Lucas Mendonça, que não acreditava em Deus, encontrou num livro missionário Alguém que ele não conhecia. Foto: Bernardo Coelho

Cerca de 11% da população mundial não acredita em Deus, segundo a pesquisa “Ateísmo: Taxas e Padrões Contemporâneos”, do sociólogo norte-americano Phil Zuckerman. Há cerca de quatro anos, o analista de suporte Lucas Mendonça, de 22 anos, fazia parte dessa estatística. Durante toda a sua vida ele acreditou que o mundo tivesse surgido ao acaso. Lucas não aceitava a existência de uma entidade religiosa responsável pelo “controle” da humanidade.

LEIA TAMBÉM: Livro deixado na garagem de uma casa em Rio Branco muda a história de advogada criminalista

Na infância, ouvia sua família católica rezando a Deus, mas não compreendia a razão. Sendo muito crítico, questionava: “Por que acreditar nos santos e em Alguém que não vemos?” Até que um dia comprou uma Bíblia para ler, mas acabou ateando fogo nela por achar absurdo seu conteúdo. “A partir de então, coloquei na minha mente que Deus não existia e que toda religião e crença eram inúteis”, confessa. Para ele, Deus passou a ser apenas uma invenção da mente humana.

Primeiro contato

No entanto, como é próprio do ser humano, Lucas passou a fazer perguntas existenciais sobre a origem e o propósito da vida. Nesse processo, ele frequentemente se deparou, por um lado, com argumentos que defendiam Deus como o Criador e, por outro, o Universo como um fim em si mesmo. Lucas nunca acreditou nas histórias de milagres que ouvia e tocava a vida sentindo-se num vale sombrio. “Ninguém me entendia, e eu não entendia o restante do mundo.”

Mas um dia algo começou a mudar dentro dele. Em maio de 2012, quando a igreja foi às ruas para distribuir o livro A Grande Esperança, ele recebeu um exemplar. Vendo que se tratava de algo relacionado com religião, não leu o material e o guardou numa gaveta. No ano seguinte, Lucas ganhou o mesmo livro de um colega adventista. “Estava num momento difícil da vida e muito frustrado com meu emprego, namoro e estudos. Quando peguei aquele livro, senti que precisava lê-lo”, assume.

Intrigado, decidiu ler apenas a introdução. Pelo fato de o livro tratar de maneira muito direta sobre a situação trágica da humanidade e o plano salvador que Deus elaborou, Lucas já estava sendo surpreendido ao chegar à sexta página. “Nunca tinha visto uma abordagem tão clara sobre Deus, a Bíblia e o mundo. Fiquei encantado com a maneira pela qual o livro me apresentou um Ser que eu não conhecia.”

Conversão

Poucos meses depois, ele completou 18 anos e comemorou a passagem para a maioridade consumindo álcool e drogas. No fim daquele dia, porém, quase sem forças e envergonhado, lembrou-se das palavras do livro. Pela primeira vez ele se ajoelhou e disse humildemente: “Deus, se Você realmente existe, mostre-me!”

Os dias que se seguiram foram bastante reflexivos. Tudo ao seu redor parecia estar se encaixando e passando a ter sentido. Até seus problemas começaram a ser resolvidos. Logo Lucas começou a trabalhar em uma empresa com um gerente adventista. E aos poucos eles passaram a conversar sobre a Bíblia e temas espirituais. O jovem funcionário chegou a ir à igreja com seu superior. “As músicas que ele colocava no carro quando andávamos juntos mexiam muito comigo”, relembra carinhosamente.

No entanto, Lucas ainda não confiava em Deus. E consumia frequentemente álcool e drogas ilícitas. Em 2014, começou a trabalhar aos sábados. “Apesar de tudo que eu fazia de errado, as palavras do livro sempre me vinham à mente. Não tinha como ignorar aquela verdade”, admite.

Até que uma amizade o ajudou a entender melhor a mensagem adventista. Ele compreendeu o verdadeiro significado da observância do sábado e de outras doutrinas. Em 2016, finalmente decidiu ser batizado e começar uma nova vida. Ativo em sua igreja, na cidade de São Paulo, Lucas tem sido convidado para testemunhar em programas da TV Novo Tempo. Ele também já participou do projeto Impacto Esperança, distribuindo livros como aquele exemplar que fez diferença em sua vida. O que faz muitos acreditarem nesse projeto é o fato de que pode haver outros jovens ateus sendo influenciados por algum dos mais de 123 milhões de livros entregues nos últimos dez anos no Brasil.

JHENIFER COSTA é assessora de comunicação da sede paulista da Igreja Adventista

(Texto publicado originalmente na edição de agosto de 2017)

Veja também

Desfazendo mal-entendidos

Livro discute a relação da Igreja Adventista com a cultura pop.