Perigo a um clique

Saiba os riscos que existem na internet para o desenvolvimento sexual e afetivo de crianças e adolescentes
Créditos da imagem: Fotolia

Todo mundo fala que os adolescentes vivem no “mundo da lua”. Atualmente, o melhor seria dizer que eles vivem mesmo é no ciberespaço, transitando entre os limites do real e virtual, do público e privado, do permitido e proibido. Nessa exploração curiosa de um mundo novo, cabem cuidados que previnam problemas emocionais futuros e ajudem no desenvolvimento saudável da sexualidade.

A adolescência é marcadamente um período de maturação sexual, em que o adolescente deseja firmar sua identidade e se abrir para relacionamentos. O ponto é que, de algum modo, a tecnologia digital tem modificado a forma pela qual esse processo tem ocorrido. Isso é o que mostram as investigações da professora Evelyn Eisentein, especialista em adolescentes, da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj). Segundo a pesquisadora, hoje a iniciação sexual e afetiva se dá no isolamento e anonimato do uso do computador. O problema é que esse processo é construído com informações obtidas livremente, mediado por pessoas desconhecidas e aprovado ou rejeitado nas redes sociais.

Desse modo, ocorrem mudanças como: o desenvolvimento da identidade e do papel sexual tende a ser substituído por uma “personalidade virtual”, causando até dissociação e confusão mental; encontros e namoros se tornam despersonificados; influências culturais sobre gênero, atitudes, crenças e valores morais e éticos são substituídas rapidamente pelo acesso facilitado à pornografia e ao pansexualismo, imoralidade e ilegalidade digital.

Muitos adolescentes com dificuldades no relacionamento familiar e social buscam nas redes sociais apoio emocional, porque a internet é um canal de comunicação. Mas a exposição inconsequente de dados pessoais pode representar riscos. “Caiu na rede é peixe”. Nesse caso, passa a ser: “Caiu na rede é público”. É por isso que muitos adolescentes se machucam, vítimas de perigos reais do mundo virtual. Entre as práticas on-line que causam mais danos, estão:

Sexting. Diz respeito ao compartilhamento de textos curtos, simples, com ou sem imagens de teor sexual, geralmente via celular. Quando a mensagem contém, além do conteúdo erótico escrito, fotos de nudez, aplica-se o termo nude selfie ou apenas nude.

Cyberbullying. Refere-se ao comportamento de bullying assistido pela tecnologia digital. Inclui toda comunicação repetitiva de mensagens hostis, com conteúdos sexuais associados ou não, mas com a intenção clara de prejudicar ou causar desconforto em outro usuário. Isso é uma forma de abuso psicológico.

Grooming. Corresponde a atos de sedução e manipulação psicológica com a finalidade de gerar uma relação de confiança entre os envolvidos. Com a diminuição da inibição, é estabelecida uma dependência emocional e, assim, tem ­início um relacionamento de cunho sexual com uma criança ou adolescente. O comportamento é considerado criminoso porque normalmente precede uma atividade de cunho pornográfico, abuso ou exploração sexual.

Abuso e exploração sexual. Implica no envolvimento de crianças e adolescentes em atividades sexuais impróprias para sua idade, comprometendo seu desenvolvimento físico, mental e social. No abuso, seja por força ou coerção, o menor é submetido a situação de estimulação ou satisfação sexual. Na exploração, por sua vez, existe a finalidade de comercialização, como ocorre na prostituição, pornografia e no tráfico de pessoas.

A prevenção desses riscos começa em casa com um diálogo aberto, no qual são definidos os limites para acesso ao ciberespaço e serviços de mensagens eletrônicas – tempo de acesso, critério no uso de webcam e envio de informações pessoais, fotos e vídeos; restrição de conversas e encontros com desconhecidos; recusa de convites e prêmios de viagens; não fornecimento de senhas; utilização de filtros de segurança on-line; atenção aos sinais de risco e formalização de denúncia, se necessário.

TALITA BORGES CASTELÃO é psicóloga clínica, sexóloga e doutora em Ciências

(Texto publicado originalmente na edição de julho de 2016 da Revista Adventista)

Veja também

Mudanças nos Arautos

Quarteto terá nova formação em 2018. Substituto de Társis Iraídes já foi escolhido.