Legado da Reforma

Evento discute a herança do movimento liderado por Lutero há 500 anos
Dr. Jean Zukowski, um dos palestrantes, falou sobre os desdobramentos da reforma eclesiológica motivada pelas ideias de Lutero. Crédito: Unasp

No dia 31 de outubro de 1517, Martinho Lutero fixou suas 95 teses na porta da igreja do castelo de Wittenberg, opondo-se abertamente aos dogmas da Igreja Católica. Corajosamente, o monge passou a pregar sobre a justificação pela fé e a defender o livre acesso do povo à Bíblia, o que o levou a traduzir as Escrituras para o idioma alemão. Por defender essas ideias, Lutero foi excomungado alguns anos depois.

A Reforma Protestante liderada por ele impulsionou um movimento que revolucionou não somente o mundo religioso de sua época, mas provocou grandes mudanças que influenciaram a sociedade atual. Foi com o objetivo de discutir o legado da Reforma que o Unasp, campus Engenheiro Coelho (SP), promoveu o congresso intitulado “Reforma: caminhos e transformações, 500 anos depois”, realizado nos dias 19 a 25 de agosto.

“É importante lembrar o que a Reforma Protestante significou para a vida política, social e espiritual dos protestantes. Muitos perderam esse espírito e o congresso tentou resgatar isso”, explica Fábio Darius, um dos organizadores da programação.

O evento reuniu professores e alunos de vários cursos de graduação e pós-graduação do centro universitário e contou com a participação de destacados teólogos, como o doutor Wilhelm Wachholz, responsável pela Comissão Editorial Obras de Martinho Lutero. Ao falar sobre os fatores que motivaram a Reforma, ele lembrou que, no período medieval, o conceito de salvação com base nos méritos próprios tornava o relacionamento com Deus um fardo. Foi nesse contexto que as ideias defendidas por Lutero trouxeram uma nova perspectiva para os cristãos ao enfatizar que é unicamente a graça de Cristo que liberta o pecador. Reafirmando a importância de Lutero, Wilhelm disse que ele faz parte da lista dos grandes nomes que deram início à Idade Moderna.

Por sua vez, Milton Torres, pós-doutor em Estudos Literários, destacou que sem o aporte grego do Renascimento e a influência de Erasmo de Roterdã, legada especialmente pela sua tradução do Novo Testamento, provavelmente a Reforma não tivesse acontecido como acorreu.

Já o pastor Jean Zukowski, doutor em Religião com ênfase em História do Cristianismo, se concentrou na reforma eclesiológica. Para ele, além da redescoberta da salvação pela graça, uma das maiores contribuições de Lutero à eclesiologia protestante foi sua doutrina do sacerdócio de todos os cristãos. O sociólogo Haller Schunemann, outro convidado, expôs a importância da Reforma para a área educacional. Citando um exemplo, ele disse que o atual paradigma científico recebeu forte influência desse movimento.

Outro destaque da programação foi o concerto com a participação do Coral Luterano de Campinas que resgatou hinos compostos no contexto da Reforma.

Além das palestras, houve apresentação de artigos em diversos grupos de trabalho que exploraram a relação da Reforma com diversas áreas do conhecimento. Matheus Claus, estudante do curso de História, falou por exemplo sobre as gravuras que retratam Lutero no livro The Great Controversy (O Grande Conflito, no título em português), da escritora norte-americana Ellen White.

Os textos dos artigos apresentados serão disponibilizados no formato e-book no site do evento. [Larrisa Zanardi, estudante de Jornalismo do Unasp, campus Engenheiro Coelho]

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