Vento do Espírito

A história do agricultor que conheceu a mensagem adventista por influência de um folheto encontrado no cemitério no Dia de Finados
O folheto que Benedito  Oliveira achou no cemitério há 38 anos oferecia um curso bíblico por correspondência e isso mudou sua vida. Foto: Pedro Ferraz

Era 2 de novembro de 1979, Dia de Finados. Depois de completar 24 anos de vida no dia anterior, Benedito Oliveira visitou o cemitério de Assis Chateaubriand, no oeste do Paraná. Já órfão de mãe, ele não tinha parentes sepultados ali, apenas seguia o costume de muitos brasileiros criados na tradição católica.

Sempre muito observador, enquanto caminhava naquela manhã nublada, reparou que em quase todos os túmulos havia folhetos. Foi uma rajada de vento que trouxe um impresso desses até ele. Benedito agachou-se, pegou o folheto e notou que falava de uma atitude de esperança diante da morte. Procurou descobrir de qual túmulo aquele exemplar havia “se perdido”, mas não achou; por isso, levou o folheto para casa. “Todos os anos, no Dia de Finados, os adventistas deixavam esses impressos bem cedo no cemitério”, explica.

Quando chegou em casa, Benedito leu o folheto, interessou-se pelo tema e decidiu solicitar o curso bíblico por correspondência que era oferecido pelo ministério A Voz da Profecia. Por morar em um sítio afastado da cidade, onde não havia serviço de correios, ele aproveitava as visitas ao centro do município para pegar as lições que vinham de uma caixa postal do Rio de Janeiro.

Ele conta que já tinha lido a Bíblia, mas sem muito entendimento; por isso, surpreendeu-se com a coerência bíblica daquelas lições. Criado num lar religioso, ele consegue ainda rezar um terço decor, mas já naquela época questionava algumas crenças de sua tradição.

Três anos depois, o jovem agricultor visitou a igreja adventista da cidade. Ele foi muito bem recebido e acabou ficando o dia inteiro por lá. Os membros fizeram questão de lhe emprestar o hinário, acompanhar com ele os textos bíblicos, e convidá-lo para almoçar e ficar para o programa da tarde. No sábado seguinte, ele voltou ao templo e, no posterior, levou a esposa e a filha mais velha, num trajeto de 28 km, ida e volta, percorridos de bicicleta. Quando chovia, Benedito fazia esse caminho a pé. E sempre chegava cedo para acompanhar a classe dos professores da Escola Sabatina. “Eu não tinha nem lição, mas gostava de aprender com a discussão sobre o tema.”

Passo a passo, durante alguns meses, Benedito e sua esposa, Júlia, foram confirmando que precisavam tomar uma decisão. Ele foi batizado em 12 de outubro de 1982, e ela, cerca de um mês depois. Inicialmente, o estilo de vida adotado pelo casal foi incompreendido no início por alguns familiares. “Meu pai me disse que havia perdido um filho. E na casa da minha sogra as pessoas não entendiam porque não comíamos tudo o que elas preparavam.”

Se foi o tema da morte que num primeiro momento despertou o interesse de Benedito para a mensagem adventista, foi o estudo das profecias bíblicas que confirmou sua fé. E isso ocorreu pouco tempo depois do seu batismo, quando uma série evangelística de três semanas foi realizada no fórum da cidade com o tema “Revelações do Apocalipse”. Aquelas palestras moldaram a convicção de Benedito de que Deus está no controle da história.

Há mais de 25 anos, ele, a esposa e as duas filhas se mudaram para Curitiba. Ali Benedito passou a trabalhar como funcionário público municipal e desde 1994 atua como ancião da Igreja do Capão Raso. Com a esposa, ele se dedica a distribuir folhetos, ministrar estudos bíblicos e pregar sobre profecias. O casal, que já levou várias pessoas ao batismo, sonha em influenciar positivamente também seus familiares. Por hora, eles podem se contentar com o desenvolvimento espiritual do único neto que, com apenas quatro anos, já mostra grande interesse pelos diagramas proféticos. “Quem sabe um dia vou vê-lo pregar sobre os livros de Daniel e Apocalipse”, projeta o avô, com os olhos marejados.

Se Deus estabelece e remove reis (Dn 2:21), e controla a tempestade (Lc 8:24), certamente Ele pode usar o vento para fazer um folheto chegar
nas mãos certas.

WENDEL LIMA é editor associado da Revista Adventista

(Publicado originalmente na edição de novembro de 2017 da Revista Adventista)

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