Os adventistas e a política

Documento votado no Concílio Anual sul-americano traz orientações para membros, líderes e servidores da igreja
Pastor Hélio Carnassale, líder sul-americano do departamento de Assuntos Públicos e Liberdade Religiosa, apresenta documento sobre a visão adventista em relação ao partidarismo político e manifestações públicas. Crédito: Naasom Azevedo

Como deve ser a relação da igreja com a política? A questão foi respondida num documento votado durante o Concílio Anual sul-americano, realizado em Salvador (BA) nos dias 3 a 7 de novembro.

A nova declaração complementa a anterior, reforçando a posição apartidária dos adventistas. Porém, acrescenta um novo tópico sobre manifestações públicas. Segundo o pastor Hélio Carnassale, diretor do departamento de Assuntos Públicos e Liberdade Religiosa, não havia uma orientação clara da igreja a respeito desse assunto, o que se tornou ainda mais necessário diante do aumento do número de protestos no país. “Ainda que pareçam ser pacíficas ou se proponham a isso, essas manifestações costumam terminar em vandalismo e violência. Mas essa ainda não é a principal razão para não se envolver nesse tipo de ato. Nossa postura não é de protesto, oposição nem de combate a autoridades constituídas, e sim de orar por elas e respeitá-las. A igreja não julga a qualidade de um governo ou sua justiça. Ela não se envolve nesse tipo de questão”, afirmou em entrevista à agência sul-americana de notícias.

A seguir, leia o documento na íntegra. [Equipe RA, da Redação / Com informações de Jefferson Paradello]

OS ADVENTISTAS E A POLÍTICA 

Como adventistas do sétimo dia, esperamos o breve retorno de nosso Senhor Jesus Cristo e ansiamos por aquela pátria eterna “da qual Deus é o arquiteto e edificador” (Hebreus 11:10). Aceitamos igualmente o desafio de ser “sal da terra” e “luz do mundo” (Mateus 5:13-14). Assim sendo, assumimos tanto o compromisso de pregar o evangelho com seus valores eternos quanto o dever de ser relevantes e servir às comunidades em que estamos inseridos, tornando-as lugares melhores.

“A Igreja Adventista tem procurado, desde seu início, seguir o exemplo de Cristo ao advogar a liberdade de consciência como parte integral de sua missão evangélica. À medida que o papel da igreja na sociedade se expande, é apropriado declarar os princípios que guiam nossa igreja em sua extensão mundial nos contatos com os governos das regiões nas quais operamos” (Declarações da Igreja, p. 154). Portanto, como igreja estamos determinados a cumprir nossos deveres institucionais e individuais, desenvolvendo relacionamentos saudáveis com os governos estabelecidos.

Este documento foi preparado para servir como um guia conciso e unificado sobre o pensamento da igreja quanto às questões políticas. Ele será útil para pastores, servidores e membros, indicando o posicionamento adequado nessa esfera. Não pretende substituir os conselhos divinos, mas sim expressar claramente a compreensão que a igreja tem no momento acerca do relacionamento institucional com os poderes públicos e os assuntos políticos, bem como os deveres de seus membros como cidadãos.

  1. Os adventistas e a política partidária

Existem alguns princípios fundamentais que regem a posição da Igreja Adventista do Sétimo Dia sobre política. Um deles é o princípio da separação entre Igreja e Estado, o que leva cada uma dessas entidades a cumprir suas respectivas funções sem interferir nas atividades da outra. A igreja acredita que adotar uma postura que não envolva filiação partidária ou qualquer tipo de compromisso com partidos políticos é uma das maneiras de manter esse princípio. Tal prática deve nortear não apenas a organização adventista em todos os seus níveis administrativos, mas também as instituições por ela mantidas, seus pastores e servidores.

A igreja encontra nos ensinos do Senhor Jesus e dos apóstolos base segura para evitar qualquer militância político-partidária institucional. O cristianismo apostólico cumpriu sua missão evangélica sob as estruturas opressoras do Império Romano sem se voltar contra elas. O próprio Cristo afirmou que Seu reino “não é deste mundo” e que, portanto, os Seus “ministros” não empunham bandeiras políticas (João 18:36). Qualquer posicionamento ou compromisso com legendas partidárias dificultaria a pregação do evangelho a todos indistintamente.

Por outro lado, a Bíblia não isenta a comunidade de crentes dos deveres civis, e isso está evidente na ordem de Jesus: “Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus” (Marcos 12:17). O Novo Testamento apresenta várias orientações sobre o dever cristão de reconhecer e respeitar os governos e as autoridades (Romanos 13:1-7; Tito 3:1-2; 1 Pedro 2:13-17). Somente quando os poderes temporais impõem a transgressão às leis divinas é que o cristão deve assumir a postura de antes “obedecer a Deus do que aos homens” (Atos 5:29). 

Assim, a Igreja Adventista do Sétimo Dia:

  • Reconhece as obrigações do exercício da cidadania, mas não possui nem mantém partidos políticos, não se filia a eles, tampouco repassa recursos para atividades dessa natureza. Por adotar uma postura apartidária, respeita as autoridades constituídas, mas não participa de qualquer atividade político-partidária.
  • Entende a importância do processo democrático, todavia não permite que em seus templos sejam realizadas reuniões com finalidades eleitorais, seja para promoção de candidatos (membros e não membros da igreja) ou de partidos políticos.
  • Respeita as pessoas eleitas para os diferentes cargos públicos, no entanto não possui uma bancada de parlamentares, não investe na formação de lideranças partidárias e nem trabalha para esse fim.
  1. Os adventistas e as eleições

Os adventistas reconhecem a autoridade e a influência da vida e obra de Ellen G. White, mensageira e cofundadora da Igreja Adventista do Sétimo. Seus escritos não substituem a Bíblia, mas têm servido para ampliar a compreensão das Escrituras Sagradas. Isso ocorre também em assuntos relacionados com a esfera pública.

Em um de seus diários ela registrou que, em determinada reunião, os pioneiros adventistas consideraram demoradamente a questão de votar. Depois de serem mencionadas algumas opiniões, ela escreveu: “Eles acham que é direito votar em favor dos homens defensores da temperança governarem em nossa cidade, em vez de, por seu silêncio, correr o risco de serem eleitos homens intemperantes” (Mensagens Escolhidas, v. 2, p. 337).

Em outra oportunidade, encontramos Ellen G. White assumindo uma clara posição sobre a participação dos membros da igreja na escolha de candidatos que pudessem favorecer a aprovação de leis que combatessem a venda de bebidas alcoólicas. Nessa ocasião, ela destacou que cada cristão tem a responsabilidade de exercer toda influência possível para estabelecer leis para conter essa atividade destruidora da saúde e das famílias. Escreveu ela: “Todo indivíduo exerce uma influência na sociedade. Em nossa terra favorecida, todo eleitor tem de certo modo voz em decidir que espécie de leis hão de reger a nação. Não deviam sua influência e voto ser postos do lado da temperança e da virtude?” (Obreiros Evangélicos, p. 387).

Esses textos deixam claro que cada adventista deve exercer o direito ou o dever de votar, usando essa prerrogativa para eleger pessoas que promovam conceitos em favor da saúde e da qualidade de vida. Certamente isso envolve a preferência por candidatos que também promovam outros princípios e valores bíblicos praticados e defendidos pelos adventistas e que podem se tornar um benefício para toda a população. 

Assim, Igreja Adventista do Sétimo Dia:

  • Recomenda que seus membros cumpram o direito ou o dever do voto, desde que nessas ocasiões não haja qualquer incompatibilidade com os princípios bíblicos defendidos pela igreja.
  • Orienta que seus membros votem de acordo com a consciência individual, que escolham candidatos que defendam os princípios da qualidade de vida e da saúde, do modelo bíblico de família, dos valores éticos e morais, da liberdade religiosa e da separação entre Igreja e Estado.
  • Determina que pastores, servidores da organização, líderes locais e membros não promovam candidatos em cultos da denominação, seja em suas sedes administrativas, unidades educacionais, de saúde ou em quaisquer outras instituições.
  • Veda o uso do dízimo e de quaisquer outros recursos para financiar candidatos, campanhas eleitorais ou partidos políticos.
  • Repudia e não autoriza o recebimento de vantagens e benefícios pessoais ou institucionais ilícitos, indevidos ou em desacordo com os regulamentos eclesiástico-administrativos. A posição oficial da igreja sobre recebimento de fundos governamentais está no livro Declarações da Igreja, página 157.
  • Não usa, não fornece e nem autoriza o fornecimento de dados cadastrais ou de qualquer outra natureza para o envio de propaganda eleitoral aos seus membros.
  • Não autoriza a impressão de propaganda ou material de cunho político em suas editoras, nem o uso de espaço publicitário em seus periódicos para veiculação de propaganda eleitoral. Fica igualmente não autorizado o uso da internet, rádio, televisão e publicações da igreja e de suas instituições para esse mesmo fim, salvo quando impostas obrigatoriamente por lei, como no caso da Rádio e TV Novo Tempo.
  • Não autoriza o uso de espaço físico de templos adventistas e de suas instituições para fixação de cartazes ou propaganda partidária-eleitoral. Não aprova que sejam organizados encontros e reuniões por pastores e servidores com propósitos político-partidários, seja em ambientes públicos ou privados.
  • Determinará, clara e expressamente, quem deve falar em nome da igreja para comunicar-se com os órgãos de imprensa e demais meios. Pastores e servidores, editores das casas publicadoras, apresentadores da Rádio e TV Novo Tempo, jornalistas, assessores de imprensa e comunicadores não estão autorizados a escrever, postar e falar em nome dos adventistas sobre temas políticos, e devem ter constante cuidado para não dar declarações que demonstrem preferências por ideologias, candidatos ou partidos.
  1. Candidatos que são adventistas

Entre os direitos do cristão adventista no exercício da cidadania está o de ocupar cargos públicos, eletivos ou não. O Antigo Testamento menciona exemplos de pessoas que exerceram funções de grande projeção nos governos de sua época. Por exemplo, José foi primeiro-ministro do Egito (Gênesis 41:38-46) e, tendo sido colocado por Deus no comando dessa nação, se manteve puro e fiel na corte do rei e foi “um representante de Cristo” junto aos egípcios (Patriarcas e Profetas, p. 369). Daniel exerceu importantes cargos governamentais em Babilônia sob os reinados de Nabucodonosor, Belsazar, Ciro e Dario, e, com lealdade incondicional aos princípios divinos, ele e seus companheiros foram embaixadores do verdadeiro Deus nas cortes desses reis.

É interessante notar que José e Daniel foram nomeados para funções públicas diretamente pelos próprios monarcas. Hoje, na maioria das democracias modernas, oficiais públicos tanto podem ser nomeados como podem ser eleitos por voto popular. A Igreja Adventista do Sétimo Dia respeita a decisão de seus membros de ocuparem cargos públicos, seja por meio de processo eleitoral ou por nomeação direta. Reconhece também que, como nos tempos de José, Daniel e Ester, a sociedade pode ser beneficiada pelo bom exemplo de políticos religiosos que exerçam suas atividades dignamente, sem comprometer princípios cristãos, ao mesmo tempo em que dão um bom testemunho da fé e promovem os valores bíblicos.

Assim, a Igreja Adventista do Sétimo Dia:

  • Determina que candidatos que são adventistas não usem o púlpito nem programas oficiais da igreja para pedir votos.
  • Solicita que os membros que se candidatarem a cargos públicos eletivos deixem suas funções na igreja local durante o período de campanha.
  • Estabelece que pastores e servidores que decidirem lançar candidatura se desvinculem obrigatoriamente do trabalho na organização adventista.
  • Não possui e nem lança candidatos. Mesmo que membros adventistas venham a concorrer a mandato eletivo, serão candidatos do partido político ao qual se filiarem e nunca candidatos da Igreja Adventista.
  • Estabelece que, quando surgirem situações em que candidatos, membros da igreja ou não, no exercício do mandato, estiverem concorrendo à reeleição ou a qualquer outro cargo público eletivo, serão tratados de acordo com as orientações deste documento.
  • Não apoia qualquer tipo de campanha para eleger candidatos, porém admite a possibilidade de administradores de Associação/Missão ou União informarem às lideranças eclesiásticas locais (pastores e anciãos) sobre a candidatura de membros adventistas, em circunstâncias que não contrariem as diretrizes deste documento.
  • Não autoriza que seus membros, quer sejam oficiais públicos, candidatos ou aqueles que tiverem sido eleitos, representem ou falem em nome da Igreja Adventista no exercício de suas funções.
  1. Manifestações públicas

A crescente onda de manifestações públicas exige reflexão e respostas sobre as seguintes questões: Os cristãos deveriam participar desses atos públicos? Pastores e servidores da organização adventista deveriam sair às ruas e apoiar protestos populares?

Como igreja, respeitamos o direito de expressão e as reivindicações pacíficas e legítimas. Afinal, nós também temos saído às ruas para chamar a atenção, por exemplo, contra a violência, por meio do projeto Quebrando o Silêncio e outras atividades. Portanto, não pensamos ser errado defender pacificamente ideias e ideais. Todavia, somos contra toda forma de expressão que lance mão da violência, física ou verbal; contra o vandalismo e a destruição do patrimônio público ou privado.

A Igreja Adventista deve assumir seu papel na sociedade como uma organização ativamente envolvida nas questões pertinentes aos interesses e necessidades dos cidadãos. Reconhece também o desafio de ser relevante e fazer a diferença na vida das pessoas e das comunidades onde ela está inserida. Quanto às questões que envolvem desigualdade e injustiça social, a igreja desenvolve, apoia e realiza projetos sociais e educacionais que beneficiam a vida comunitária. Suas várias frentes de atuação envolvem a ADRA (Agência Adventista de Desenvolvimento e Recursos Assistenciais), ASA (Ação Solidária Adventista), escolas, colégios e universidades, entre outros programas promovidos pelos vários departamentos e instituições da denominação. No entanto, busca agir na defesa de suas convicções sem conflitar com os princípios bíblicos e sem protestar contra ideologias e autoridades constituídas.

A Bíblia orienta os crentes a orar em favor das pessoas, autoridades e cidades, buscando sempre a paz (Jeremias 29:7; 1 Timóteo 2:2). Para os adventistas, muito mais do que protestar e reivindicar, a missão é proclamar. Nossas energias não devem ser postas em manifestações, mas em trabalhar pelo bem das pessoas e anunciar a volta do Senhor Jesus. 

Assim, a Igreja Adventista do Sétimo Dia:

  • Reconhece seu dever de atender às necessidades das pessoas, exercendo o papel de instituição servidora, sendo relevante na sociedade e fazendo a diferença no contexto onde está inserida.
  • Recomenda que os responsáveis que organizarem atividades públicas ajam com cuidado e prudência para que esses eventos sejam pacíficos e tenham como único objetivo chamar a atenção para as condutas compatíveis com os princípios cristãos, sem violência e sem vandalismo. Por isso, não recomenda a seus membros e nem autoriza seus pastores e servidores a participar em manifestações públicas de cunho político.
  • Incentiva que seus membros orem em favor das pessoas, cidades e autoridades.
  • Apesar de ser apartidária, reconhece a necessidade de lidar constantemente com representantes dos poderes públicos. Por isso, mantém sua postura de relacionamento adequado com as autoridades constituídas para que o funcionamento da estrutura institucional seja garantido, tendo como único propósito o cumprimento da missão.
  • Estabelece que, havendo atitudes não conformes com as recomendações e determinações deste documento, os casos serão analisados pela instituição ou igreja local a que pertencem os envolvidos.

Conclusão

Como cristãos, reconhecemos o papel legítimo dos governos organizados na sociedade, respeitamos o direito do Estado de legislar nas questões seculares e consentimos com essas leis quando não contrariam os preceitos divinos. Entendemos também que nossos membros devem assumir responsabilidades civis com seriedade. Os adventistas não devem utilizar o púlpito, as publicações e nem os meios de comunicação, sejam denominacionais ou não, para promover temas políticos, mas devem participar na responsabilidade de construir comunidades melhores.

Sem desmerecer as questões políticas e sua importância, entendemos ser um dever dar o devido destaque ao nosso verdadeiro papel, que é desenvolver práticas que resultem no fortalecimento da fé e promovam a esperança na iminente volta do Senhor Jesus Cristo. Reconhecemos que a vocação de pregar o evangelho envolve executar ações de solidariedade que expressem amor ao próximo e produzam alívio ao sofrimento humano. Por isso, todo esforço e toda energia devem ser canalizados para o serviço desinteressado em favor das pessoas, revelando profundo interesse na sua salvação. Seja nossa oração: “Vem, Senhor Jesus” (Apocalipse 22:20).

Este documento foi preparado em harmonia com as declarações oficias da igreja, conforme conteúdo do capítulo “A Relação entre Igreja e Estado” (Declarações da Igreja, p. 154-160), adotado pela Associação Geral em março de 2002 e que serve de diretriz e referência para o departamento de Assuntos Públicos e Liberdade Religiosa. Essa declaração pode ser acessada pelos links:

Espanhol: http://www.adventistas.org/es/institucional/organizacion/declaraciones-y-documentos-oficiales/

Português: http://www.adventistas.org/pt/institucional/organizacao/declaracoes-e-documentos-oficiais/

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  • Gerson Gilbert

    Quanto ao documento “Os Adventistas e a Política”, achei uma resolução muito tardia e concordo com quase a totalidade dele. Só me preocupei com o seguinte trecho: “… nem autoriza seus pastores e servidores a participar em manifestações públicas de cunho político”. Mesmo não sendo um operador do direito, vejo aqui um grande problema, porque é claramente inconstitucional essa proibição. Agravada ainda mais, porque os mesmos, poderão sofrer sansões administrativo-eclesiásticas, como explicitada nesse trecho: “Estabelece que, havendo atitudes não conformes com as recomendações e determinações deste documento, os casos serão analisados pela instituição ou igreja local a que pertencem os envolvidos”. Assim sugiro, que tal documento seja revisto por algum departamento jurídico.

  • el jhon

    Texto cheio de contradições! Vocês não podem amordaçar seus membros. A IASD não pode se calar perante governantes que promovem aborto, ideologia de gênero e casamento homossexual. Se calar e não se posicionar perante isso é atentar contra a palavra de Deus. Lamentável a forma como vocês tratam esses assuntos. Deus irá cobrar caro de vocês um dia.

  • Roger Willian Cabral

    Creio que alguns documentos só são necessários quando os membros são incapazes de pensar biblicamente por si mesmos. Então “Roma” lança sua bula papal e condena ao fogo eterno os “hereges”.