Seja o dono do seu dinheiro

Aprenda a gerenciar o orçamento doméstico e a evitar que o desequilíbrio financeiro controle sua vida
O dinheiro não tem o poder de proporcionar as qualidades essenciais para uma vida melhor. Isso significa que, embora ele seja importante, não deve se tornar o centro da nossa existência. Foto: William de Moraes

O dinheiro é algo imprescindível na cultura ocidental. Dependemos dele para sustentar a família, pagar o aluguel ou a parcela da casa própria, manter em dia as contas de água e luz e adquirir outros produtos e serviços necessários à sobrevivência. Para obtê-lo, a maioria de nós precisa enfrentar longas jornadas de trabalho. Mas como é possível fazer com que o dinheiro trabalhe para nós e não o contrário?

Primeiramente, necessitamos reconhecer que o dinheiro é limitado no que pode fazer. Ele é um auxílio para a vida, não seu ponto central. John Lennon e Paul McCartney estavam certos ao cantar: “I don’t care too much for money / For money can’t buy me love” (Não ligo muito para dinheiro, pois o dinheiro não pode comprar amor). Tampouco o dinheiro é capaz de comprar felicidade, a não ser aquela que é passageira. Semelhantemente, ele não é capaz de comprar sabedoria, pois, em geral, ela vem com a experiência de vida.

É fácil acrescentar itens a essa lista. Porém, a ideia principal é de que o dinheiro não tem o poder de proporcionar as qualidades essenciais para uma vida melhor. Isso significa que, embora ele seja importante, não deve se tornar o centro do nosso universo.

Outro passo importante para se tornar senhor do seu dinheiro é descobrir em que você o está gastando. Isso implica vasculhar o extrato bancário, as contas, a fatura do cartão de crédito e os comprovantes de compras. Você realmente precisa saber para onde está indo seu dinheiro. Traçar um panorama de seus hábitos de consumo ajuda muito no controle das finanças. Hoje há vários sites e aplicativos que disponibilizam ferramentas que podem ajudá-lo a calcular para onde seu dinheiro está indo ao longo do ano, do trimestre, do mês, da quinzena ou da semana. O livro Administração Financeira da Família (CPB) pode ajudar.

Ao ler isso, talvez alguns estremeçam ao pensar em fazer uma análise tão criteriosa, registrando cada centavo gasto. Na realidade, a palavra orçamento é temida e evitada por muitos. No entanto, em vez de nos limitar, estabelecer um orçamento é algo libertador. Ao fazer isso, você terá condições de saber se o orçamento é suficiente para cobrir as despesas no supermercado, o aluguel mensal (ou a parcela do financiamento imobiliário) e a conta de telefone.

Depois de descobrir para onde vai seu dinheiro, você precisa definir qual é a renda total da família. Isso inclui, por exemplo, a remuneração proveninente de um emprego de tempo integral ou meio período, de trabalhos temporários, de pensões ou os rendimentos de uma aplicação financeira.

O cenário ideal para uma vida economicamente equilibrada é que a renda seja, evidentemente, maior do que os gastos. Caso contrário, será preciso pensar bem no que deve ser feito para cortar despesas. Lembre-se de que isso não visa a limitar você, mas sim a libertá-lo para que se torne senhor do seu dinheiro.

Outra dica importante para os casais é que tudo isso precisa ser discutido com o cônjuge. Caso contrário, será difícil fazer o plano funcionar. Vale lembrar que, em geral, um costuma ter mais habilidade para cuidar do orçamento doméstico do que o outro.

Orçamento equilibrado

Tão importante quanto ter um orçamento doméstico é estipular um plano factível e equilibrado. Afinal, a saúde financeira não tem que ver com se privar do necessário. Amy Fontinelle, do site Investopedia, afirma que criar um orçamento é como fazer uma dieta. “Se você tentar se privar demais, vai acabar exagerando e jogando fora todo o trabalho duro. Um exagero nas compras pode atrapalhá-lo muito mais do que se recompensar ocasionalmente.” Por isso, não há problema em se desfrutar um pequeno luxo ocasional, desde que isso esteja dentro do orçamento. Evidentemente, se você está economizando para tirar férias, comprar um carro novo, dar entrada na casa própria ou fazer qualquer outra coisa, isso precisa fazer parte do seu planejamento financeiro. Quanto, afinal, você precisará guardar todo mês para que isso seja possível? Por exemplo, separar dinheiro toda semana como parte de um plano orçamentário o ajudará a alcançar seus objetivos mais rapidamente.

Talvez leve tempo até que você consiga aumentar os valores destinados a cada área contemplada no orçamento. Porém, não fique desanimado por causa disso. Apenas lembre-se de que você embarcou em uma jornada importante.

Também pode ser que, ao trilhar esse caminho, você descubra que superestimou ou subestimou algumas áreas e que é preciso estar preparado para fazer ajustes. As despesas mudarão, assim como a renda. Suas necessidades e prioridades também não serão sempre as mesmas. Isso quer dizer que você precisará acrescentar alguns itens e retirar outros.

Existem ainda as despesas que podem aparecer inesperadamente. Embora isso não precise estourar seu orçamento, é possível que exija o redirecionamento de recursos. O ideal é que o orçamento contemple um fundo para emergências.

Prioridades

Ao buscar entender melhor as prioridades financeiras que uma família deve estabelecer, conversei com uma consultora financeira. Antes de tudo, ela destacou os muitos objetivos conflitantes que uma família pode ter, dependendo das prioridades que foram estabelecidas. Isso reforça ainda mais a importância do planejamento.

Ao orientar as famílias, Mel Tull costuma dar cinco dicas de ouro, que compartilho a seguir:

1. Priorize a família e sua capacidade de se sustentar. A principal prioridade financeira não deve ser o carro nem a casa. Primeiramente, é preciso criar condições para que a família continue honrando os compromissos financeiros e cobrindo os gastos com saúde, no caso de haver algum imprevisto envolvendo os provedores da casa.

2. Entenda como o dinheiro está sendo gasto. Tenha um orçamento e guarde na poupança um montante suficiente para cobrir pelo menos as despesas de algumas semanas ou meses. Isso significa entender e controlar os gastos a fim de impedir que as dívidas pessoais saiam do controle.

3. Extraia o máximo do seu dinheiro e das suas economias. Para isso, é importante revisar periodicamente o planejamento feito. Existem algumas perguntas que podem ajudar a otimizar os recursos: Nossas economias devem ser colocadas em uma conta bancária ou usadas para pagar parcelas extras do financiamento imobiliário? No caso de um financiamento, quais são as melhores taxas? Devemos fazer um novo empréstimo para quitar dívidas existentes? Quais dívidas devemos priorizar?

4. Planeje-se para a aposentadoria. Mesmo que não consiga separar muito dinheiro para isso no momento, faça um planajemento de longo prazo, quem sabe criando um fundo de aposentadoria.

5. Estabeleça estratégias de investimento, mas somente depois que essas questões básicas estiverem sob controle. Sem o básico, tais estratégias podem dar errado e deixá-lo com uma dívida que você não conseguirá administrar.

Tudo isso pode ajudá-lo a exercer controle sobre o dinheiro em vez de ser controlado por ele. Porém, há mais um fato importante que gostaria de acrescentar. Use o dinheiro para apoiar uma causa maior. Talvez alguns possam ter motivações egoístas ao fazer isso, já que as pesquisas têm mostrado que doar contribui para a felicidade, a longevidade e as relações sociais. No entanto, o impacto positivo que o ato de doar exerce sobre os outros também é imenso e poderá ajudar você a viver de maneira mais generosa e a ser o senhor do seu dinheiro.

BRUCE MANNERS, doutor em Sociologia, é pastor da Igreja do Avondale College, em Cooranbong, na Austrália

(Artigo publicado na edição de setembro de 2017 da Revista Adventista)

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