Do outro lado do mundo

Saiba como um livro missionário produzido no Brasil mudou a vida de alguém no Japão
Ricardo Pereira
Em 2011, 21 mil livros missionários foram distribuídos no Japão. A brasileira Sandra Reiko pegou um exemplar desses em um supermercado. Foto: Arquivo pessoal

Sandra Reiko é uma brasileira que vive no Japão. No Brasil, ela morava em Marília (SP), onde frequentava uma igreja protestante tradicional. Na cidade japonesa para a qual ela se mudou em 2000 não havia uma congregação de seus irmãos de fé. Por isso, ela passou a fazer parte de uma igreja pentecostal, na qual se esforçava para se familiarizar com o dom de línguas. Cerca de dez anos depois, em um dia em que Sandra fazia compras num supermercado, ela viu uma pilha de livros Ainda Existe Esperança que estavam à disposição dos clientes. Ela pegou um exemplar, levou para casa, mas o deixou esquecido por algum tempo na prateleira.

Naquele ano, 2011, minha esposa e eu havíamos chegado ao Japão como missionários. Atuamos por alguns meses na Igreja Internacional de Tóquio e por um pouco mais de um ano e meio nas igrejas de língua portuguesa de Toyota e Karya. Decidimos continuar um projeto que tinha sido iniciado pelo pastor que havia nos antecedido ali: Flávio Inahara. Com o apoio da Igreja do Unasp, campus São Paulo, e da Associação Paulista do Vale, recebemos no fim daquele ano a doação de 21 mil livros Ainda Existe Esperança, de Enrique Chaij. Organizamos a distribuição daqueles exemplares entre as igrejas brasileiras do Japão. Nossa intenção era alcançar nossos 250 mil compatriotas que vivem na terra do sol nascente.

Os adventistas dedicaram alguns fins de semana para entregar esse material. Visitamos diversos condomínios, inclusive o Homi Danchi, um conjunto habitacional construído pela fábrica de carros Toyota e onde vivem muitos brasileiros. Das 9 mil pessoas que moravam ali, 4 mil eram brasileiras. Por isso, as placas do bairro são bilíngues e há vários comércios e serviços voltados para os imigrantes do Brasil. Sandra morava a 40 minutos de Toyota, na cidade de Nagoya, a quarta mais populosa do país. Naquela região, deixamos livros nos condomínios e comércios, incluindo 200 exemplares que ficaram num mercado de produtos brasileiros. Foi ali que Sandra teve acesso ao material.

Depois de deixar seu exemplar na prateleira, Sandra continuou a realizar buscas na internet para sanar suas dúvidas quanto ao dom de línguas. Ela queria uma explicação bíblica e racional. Após assistir a alguns vídeos, encontrou uma mensagem do pastor Ivan Saraiva. Identificou-se com a argumentação e começou a procurar se havia alguma igreja da denominação dele na região. Foi quando ela se lembrou do livro missionário e o levou para a fábrica em que trabalhava. Após ler o livro, surpreendeu-se com o carimbo da Igreja Adventista no fim dele. Ali havia também meu telefone. Ela entrou em contato e marcamos para começar os estudos bíblicos. Suas dúvidas foram sanadas e ela compreendeu outras questões importantes sobre o plano de Deus para sua vida.

Sandra foi batizada em 2013, numa ocasião muito especial: em um acampamento realizado na região de Toyota, após uma série de evangelismo dirigida pelo falecido pastor Berndt ­Wolter. Ele era professor de evangelismo da Faculdade de Teologia do Unasp e por duas férias seguidas levou alunos do curso para dar estudos bíblicos, distribuir livros e pregar em várias igrejas do Japão. O Núcleo de Missões do Unasp dava passos mais ousados em relação aos projetos transculturais, e o batismo da Sandra pelo pastor ­Wolter coroou esse momento.

Sandra continua fiel a Deus e à mensagem que abraçou, dando testemunho das mudanças que tem experimentado. Ela atualmente frequenta uma congregação que reúne 30 pessoas em Inuyama. A história dela é um dos muitos exemplos de que não existe limites para a literatura missionária e que os esforços dos adventistas sul-americanos pode fazer a diferença até do outro lado do mundo.

RICARDO PEREIRA é pastor em Bruxelas, na Bélgica, e atuou por dois anos como missionário no Japão

(Texto publicado originalmente na seção Páginas de Esperança da edição de dezembro de 2017 da Revista Adventista)

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