Resgate e apoio

Deus formou a igreja para que haja encontro, contato e integração
Foto: DSA / Lightstock

Discipulado! Por favor, não se canse de ouvir esta palavra, mas procure compreendê-la melhor e aplicar corretamente seu significado. Afinal, ela está sendo repetida por pastores e líderes, seu conceito está em artigos, sermões, vídeos e livros e sua ênfase aparece em projetos, programas e planos. Você já entendeu por que estamos colocando tanta força nesta palavra e em sua aplicação na vida da igreja?

Antes, porém, é importante entender de forma prática o que é discipulado. Há muitas definições teológicas, filosóficas ou sociológicas, mas prefiro adotar um conceito simples e fácil de ser compreendido por qualquer um: discipulado é “gente cuidando de gente” para se aprofundar em comunhão, relacionamento e missão.

A Bíblia é nossa base e sua mensagem é nossa bússola, mas sua ênfase está em pessoas. A essência do evangelho mostra que Cristo veio ao mundo para “buscar e salvar o perdido” (Lc 19:10). Seu ministério foi usado para resgatar as pessoas e cuidar delas. Em toda a Revelação o centro é Cristo, mas o foco são as pessoas. Jesus veio por causa das pessoas, morreu pelas pessoas e voltará para levar apenas pessoas para o Céu. Nesse mesmo raciocínio, o discipulado é a oportunidade de resgatar pessoas e oferecer-lhes o apoio necessário. Esse é o papel da igreja como comunidade.

Em primeiro lugar, buscamos resgatar um discipulado que, no passado, acontecia de maneira mais natural. As pessoas tinham mais tempo, as famílias eram mais unidas, a vida espiritual era mais forte, a sociedade era mais inocente, a força da tecnologia era irrelevante e as pessoas eram mais comprometidas. Por isso, perdíamos menos gente e cuidávamos melhor daqueles que estavam conosco. Os tempos mudaram e hoje as pessoas estão distantes, ocupadas, sufocadas por seus próprios interesses, afetadas por uma sociedade egoísta e perversa, influenciadas por relações virtuais e superficiais. Precisamos resgatar relacionamentos genuínos e cuidado pessoal para que haja um crescimento espiritual mais sólido.

Precisamos resgatar também o ministério pastoral, pois o foco nas tarefas tem empobrecido a visão de ministério. Há tantas coisas para fazer, problemas para resolver, materiais para preparar e tarefas para executar que, por fim, o cuidado das pessoas se torna secundário. Absorvidos por suas tarefas, muitos pastores encontram sua igreja apenas nos cultos, deixando de construir relacionamentos mais profundos. O resultado é uma comunidade que se enfraquece e um ministério que acaba perdendo o brilho nos olhos e o fogo no coração.

Ao mesmo tempo, discipulado é apoio. Afinal, as maiores carências hoje são emocionais. Não nos faltam bons programas, excelentes edifícios, planos bem elaborados ou produções destacadas. Mas tudo isso perde o efeito sem relacionamentos mais profundos. As pessoas vêm primeiro para uma família e depois para uma igreja. E saem, em sua maioria, não porque discordem da mensagem, mas porque não foram acolhidas. Estão em busca de um lugar em que possam ter valor e experimentar amor genuíno, onde a Bíblia não seja apenas ensinada, mas especialmente praticada.

Discipulado também é apoio na luta contra a fúria do inimigo. Nos últimos dias, suas tentações e provações serão tão sutis e violentas que, se não nos ajudarmos uns aos outros, poucos irão resistir. Deus está no comando e nosso sustento vem do Senhor, mas Ele usa pessoas para cuidar, ajudar, amar e proteger outras pessoas. Por isso, formou a igreja para que haja encontro, toque, integração e apoio mútuo.

Discipulado também é apoio no cumprimento da missão. Rádio, TV, internet, DVDs ou livros são instrumentos preciosos, mas é no contato pessoal que as pessoas decidem fazer parte da família do Senhor. Assim, que tal fazer planos de começar o novo ano trazendo mais pessoas para dentro de sua vida? Esteja certo de que, apoiando outros, você terminará sendo fortalecido e chegaremos juntos ao Céu.

ERTON KÖHLER é presidente da Igreja Adventista para a América do Sul

(Artigo publicado originalmente na edição de dezembro de 2017 da Revista Adventista)

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