A escolha certa

Ao começar o novo ano, decida ficar ao lado do Senhor, mesmo que seja necessário pagar um alto preço
Erton Köhler
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Ao ouvir o nome de Moisés, o libertador, muitas histórias familiares possivelmente venham à sua mente. E ao escutar o nome de Tutmés III, o grande faraó, quais são suas lembranças? Talvez o máximo que você conheça sobre ele seja o que um professor de história falou na escola. Mas as duas histórias, além de importantes, estão relacionadas entre si.

Vamos começar por Moisés. Desde pequenos, ouvimos a história do menino que nasceu condenado à morte e foi colocado no rio Nilo em um cestinho. Com essa atitude, Joquebede cumpriu a lei egípcia que exigia o sacrifício dos meninos no Nilo, “o qual era adorado como deus pelos egípcios, na suposição de que suas águas tivessem poder para conferir fertilidade e garantir vida longa”. A filha de faraó encontrou o bebê “como se fosse um presente do deus Nilo, em resposta às suas orações” (Dicionário Bíblico Adventista, p. 915).

A partir desse encontro, ele foi preparado para a vida real e o seu próprio nome já indicava isso. Quando sua mãe adotiva o escolheu (Êx 2:10), ela possivelmente estivesse seguindo a tradição egípcia de incorporar a palavra més a nomes reais como Tutmés, Ramsés e outros. No dia a dia, esses nomes costumavam ser abreviados para “Mósis” ou apenas “Més”.

Moisés passou apenas 12 anos com sua mãe biológica recebendo uma educação que o protegeu “de ser exaltado e corrompido pelo pecado e tornar-se soberbo em meio ao esplendor e à extravagância da vida na corte” e “nunca perdeu as piedosas impressões recebidas na juventude”. “Tão grande era o seu respeito pela fé dos hebreus que ele não encobria o seu parentesco pela honra de ser herdeiro da família real” (História da Redenção, p. 108-109).

Anos depois, “foi instruído pelos anjos de que Deus o havia escolhido para ser o libertador dos filhos de Israel” (História da Redenção, p. 108). Quando tinha 40 anos (At 7:23), ele entendeu que havia chegado a hora de escolher entre a fé e o trono.

Seus primeiros 40 anos foram passados com os reis da 18a dinastia egípcia: Tutmés I, Tutmés II e a rainha Hatshepsut, filha de Tutmés I. De acordo com a cronologia sugerida pelo Dicionário Bíblico Adventista, ela é a “filha de faraó” mencionada em Êxodo 2:5-10. Diferentes fontes históricas indicam que, quando morreu Tutmés I, ­Hatshepsut tinha cerca de 24 anos. Casou-se então com seu meio-irmão Tutmés II, seguindo o costume do antigo Egito, que recomendava aos membros da família real casarem entre si. Após a morte de Tutmés II, a história tomou outro rumo.

Nesse tempo, Moisés vivia no palácio, mas se recusava a adotar a religião egípcia, causando desconforto à família real. “Talvez o possível temor de que ele tomasse a coroa tenha levado os sacerdotes de Amom a conduzirem uma revolução do templo vários anos antes, colocando no trono um filho ilegítimo de Tutmés II, o marido falecido de Hatshepsut” (Dicionário Bíblico Adventista, p. 915).

Surgiu então o outro personagem: Tutmés III, o faraó escolhido para reinar no lugar que poderia ter sido de Moisés. Foi um grande líder político, levando o Egito a um de seus períodos mais destacados. Nesse período, ao que consta, oprimiu duramente os escravos hebreus.

Moisés e Tutmés III eram dois líderes dentro do mesmo palácio. Ellen White deixa claro que “Moisés era o grande favorito das hostes de faraó” (História da Redenção, p. 108). Por isso, o ambiente no palácio se tornou difícil, apressando a decisão de Moisés “de se aliar a seus desprezados conterrâneos e tentar libertá-los da opressão egípcia” (Dicionário Bíblico Adventista, p. 916).

As histórias tomaram rumos diferentes. Tutmés III continuou no palácio e Moisés fugiu para o deserto, encontrando abrigo em Midiã (Êx 2:15). Nos 40 anos seguintes, Tutmés III morreu e Moisés foi chamado de volta ao Egito, para trocar “o cajado de pastor pelo bordão de Deus” (História da Redenção, p. 111).

Dois líderes, duas escolhas e dois destinos. Um lutou pelo poder, o outro aceitou o chamado para o serviço; um escolheu o povo do Egito, o outro o povo de Deus; um escolheu o palácio, o outro o deserto; um escolheu exaltar o próprio nome, o outro o nome de Deus; um escolheu oprimir, o outro libertar. Resultado: um tem o nome na história, o outro na eternidade.

A múmia de Tutmés III foi encontrada em 1889 já danificada, e a visitei alguns meses atrás, exposta no Museu do Cairo, Egito. Moisés, porém, foi ressuscitado e está no Céu. Ele fez a escolha certa (Hb 11:24-25). Ao começar este novo ano, decida ficar ao lado do Senhor, mesmo que seja necessário pagar um alto preço. O tempo e a eternidade mostrarão os resultados. ]

ERTON KÖHLER é presidente da Igreja Adventista para a América do Sul

(Artigo publicado originalmente na edição de janeiro de 2018)

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  • Marcos Nunes

    Excelente reflexão para um novo ano. Obrigado, Pastor.