Raízes da nossa história

Saiba o que um pastor descobriu sobre a chegada do adventismo ao país pesquisando em fontes primárias encontradas na Alemanha e nos Estados Unidos
Michelson Borges
Crédito: Kellyane Link

Sendo descendente de uma das famílias adventistas mais antigas de Santa Catarina, Edegar Link cresceu ouvindo relatos da avó materna sobre o início da igreja na região. Isso despertou nele o interesse em conhecer mais sobre a chegada do adventismo ao Brasil. Porém, ele se deparou com uma dificuldade que a maioria dos interessados no tema enfrenta até hoje: a escassez de publicações na área e a limitação das pesquisas existentes, boa parte delas proveniente de fontes secundárias e da tradição oral.

Por isso, durante o mestrado na Universidade Adventista de Friedensau (Alemanha), ele foi em busca de fontes primárias que ajudassem a elucidar especialmente o período anterior a 1906, data do início da maioria dos registros disponíveis em português. Como lê alemão gótico, ele teve acesso ao conteúdo da mais antiga revista adventista da Alemanha, intitulada Zions-Wächter (Guarda de Sião). Nela, deparou-se com vários relatórios escritos a partir de 1896 sobre o Brasil. Esse periódico o levou a descobrir outras fontes primárias que até então não tinham sido levadas em conta por pesquisadores brasileiros e norte-americanos. As principais conclusões do estudo você confere na entrevista a seguir.

Qual foi a maior contribuição da pesquisa?

Ela possibilitou reescrever substancialmente os primórdios da história da igreja no Brasil. Além de mostrar de maneira mais ampla como Deus usou os imigrantes alemães na proclamação da mensagem adventista e os fatores teológicos e sociológicos que contribuíram para o crescimento da igreja nessa região, o estudo permitiu levantar novas informações e dados mais precisos sobre a história e o ano de fundação das primeiras igrejas, tanto de fala alemã quanto portuguesa, bem como das primeiras escolas adventistas no país.

Qual foi a base de sua pesquisa e quais outros aspectos da história do adventismo no Brasil ela ajudou a esclarecer ou até mesmo revisar?

Examinei as revistas Stimme der Wahrheit und Prophetischer Erklärer (Voz da Verdade e Expositor Profético), Christlicher Hausfreund (Amigo da Família Cristã) e Deutscher Arbeiter (Trabalhador Alemão), publicadas em alemão nos Estados Unidos; as revistas Zions-Wächter (Guarda de Sião) e Adventbote (Mensageiro do Advento), publicadas na Alemanha; Herold der Wahrheit (Arauto da Verdade), publicada na Suíça e Alemanha; e as revistas Missionsarbeiter (Trabalhador Misisonário), Der Adventisten Rundschau (O Panorama Adventista) e Rundschau der Adventisten (Panorama dos Adventistas), publicadas em alemão no Brasil. Eu as comparei com as fontes primárias norte-americanas, a exemplo da Review and Herald e Missionary Magazine, e com as fontes brasileiras: Revista Trimensal, Revista Mensal e Revista Adventista. Assim, pude reunir e examinar fontes primárias e obter uma compreensão mais abrangente, corrigindo informações equivocadas e ajudando a reescrever a história da igreja no Brasil. Entre os aspectos que ficaram mais claros, destaco o ano da chegada da revista Stimme der Wahrheit a Gaspar Alto, a data das primeiras conversões e batismos e a constatação da existência de imigrantes alemães adventistas no Brasil antes dos primeiros conversos.

Sempre houve polêmica em relação à data da chegada do primeiro pacote de literatura adventista ao Brasil. As principais referências oscilam entre 1879 e 1884. Existe uma data precisa?

Tendo em vista que 1879 foi o primeiro ano de edição da revista Stime der Wahrheit (1879) e que nesse período foram impressas apenas três edições do periódico, com tiragem limitada, é improvável que a revista tenha chegado ao Brasil naquele ano. Por outro lado, 1884 parece ser uma data muito tardia. Evidências sugerem que o pacote contendo dez exemplares da revista alemã Stimme der Wahrheit und Prophetischer Erklärer enviado de Battle Creek ao imigrante alemão Carlos Dreefke, residente na Colônia de Brusque (SC), chegou ao Brasil em 1880. Por exemplo, em 1956, Adolfo Hort contou ao pastor Germano Streithorst que ele presenciou a abertura do pacote no armazém de seu pai, David Hort, quando tinha nove anos de idade. Adolfo nasceu em Brusque, em 31 de agosto de 1871. Portanto, em 1880 ele tinha exatamente essa idade. Adolfo também contou ao pastor Streithorst que, naquele ano, uma grande enchente havia atingido Brusque. Na época, ele se deparou com sua mãe chorando por causa dos prejuízos causados pela catástrofe. Ela havia ficado impressionada com a leitura de um artigo da revista Stimme der Wahrheit sobre os sinais que antecedem a volta de Jesus. Os registros históricos confirmam que Brusque foi atingida por uma forte enchente entre 21 e 27 de setembro 1880, que se estendeu por todos os afluentes do rio Itajaí-Mirim, causando a morte de muitas pessoas e destruindo propriedades.

Havia a presença de alemães adventistas no Brasil antes das primeiras conversões entre 1895 e 1897?

Duas famílias de alemães adventistas migraram para o Brasil em dezembro de 1892: os Kümpel e os Lindermann, que se estabeleceram na colônia de São Pedro (RS). O nome dos Kümpel consta na primeira lista de membros da igreja de Vohwinkel (Alemanha), fundada em janeiro de 1876, como resultado do trabalho evangelístico do pastor suíço Jacob Erzberger. Ambas as famílias eram provenientes da igreja sabatista Die Getaufte Christengemeinde (Comunidade Cristã de Batizados), fundada por Johann Heinrich Lindermann, em 1856. Essa igreja guardava o sábado e acreditava na breve volta de Jesus. Praticamente todos os membros da congregação de Lindermann haviam se tornado adventistas. O pastor Huldreich F. Graf encontrou os Lindermann em São Pedro, em dezembro de 1897, e os Kümpel, em Não-Me-Toque, em outubro de 1898.

A “igreja” formada por missionários no Rio de Janeiro pode ser considerada a primeira igreja adventista no Brasil?

A primeira igreja adventista no Brasil surgiu em Gaspar Alto (SC). Foi organizada pelo pastor Frank H. Westphal em 15 de junho de 1895. Há outras fontes primárias que confirmam isso. Alguns autores citam um relatório do pastor Graf no qual ele menciona que organizou a igreja de Gaspar Alto no início de 1896. O que aconteceu ali, na verdade, foi uma reorganização. O pastor Graf encontrou uma igreja organizada às pressas no ano anterior, e por uma questão de necessidade reestruturou a lideranca dela.

Em ordem cronológica, a igreja do Rio de Janeiro é a segunda. Ela foi organizada pelo pastor Graf em 27 de outubro de 1895. Porém, era formada por famílias de obreiros alemães e norte-americanos e/ou americanos de origem alemã radicados no Brasil (Graf, Thurston, Berger, Hettrick, Stauffer). Não foi fruto de evangelização, como em outros lugares. Aquele grupo de obreiros precisava ser organizado em termos administrativos e foi isso que motivou a fundação dessa congregação. Os obreiros se deslocaram para trabalhar como missionários itinerantes pelo Brasil e a igreja permeneceu sendo apenas um pequeno grupo de irmãos. Em 1898, o pastor Frederick W. Spies batizou os primeiros três conversos no local, dos quais o irmão Bühler foi eleito ancião e o irmão Petit, diácono. Com a mudança de Guilherme Stein Júnior e do pastor Frederick W. Spies para lá, em 1899, o grupo da Escola Sabatina passou a ter 16 adultos e duas crianças. Os esforços evangelísticos posteriores continuaram e, em 1907, essa igreja alcancou 30 membros batizados, dos quais dois terços eram brasileiros.

A primeira igreja entre brasileiros (não alemães) foi realmente a de Não-Me-Toque (RS)?

Sim. A Igreja Adventista de Não-Me-Toque marca a transição da mensagem adventista do alemão para o português. Ela foi organizada pelo pastor Huldreich F. Graf em 27 de outubro de 1898, com 48 membros, dos quais 40 eram conversos brasileiros por ele batizados. Essa comunidade surgiu como resultado do trabalho de semeadura da mensagem adventista feito pela família Kümpel e do evangelismo de colheita de três semanas realizado pelo pastor Graf.

E quanto à comunidade adventista de Rolante?

A igreja de Rolante surgiu em outubro de 1904, como resultado do trabalho evangelístico dos pastores Huldreich F. Graf e Ernesto Schwantes entre alemães e brasileiros. Ela consta como a terceira igreja adventista de língua portuguesa no Brasil, embora tenha sido organizada oficialmente em 3 de julho de 1909. 

Fale sobre a igreja batista que se tornou adventista em Ijuí, em 1897.

Nesse ano, o pastor Graf batizou seis pessoas em Porto Alegre. Depois disso, acompanhado de Ernesto J. Schwantes, seu tradutor, ele viajou em lombo de mula até Ijuí. Lá ele encontrou uma pequena igreja batista alemã, cujo líder, Christian Lutunke, estava se correspondendo com o colportor Albert B. Stauffer havia quatro anos. Além de escrever cartas, Stauffer tinha lhe enviado literatura adventista. O pastor Graf realizou um evangelismo de três semanas no local e, ao fim, aquela pequena igreja batista alemã, juntamente com outros 26 novos conversos, foi organizada como igreja adventista do sétimo dia com 42 membros. Essa foi a primeira igreja adventista organizada no Rio Grande do Sul.

Houve outras conversões desse tipo?

Sim. Foi o caso dos “fenômenos” Lindermann e Stangnowski. Na Alemanha, antes da chegada da mensagem adventista ao país, já existiam igrejas que guardavam o sábado e acreditavam na volta de Jesus. Em 1856, Johann Heinrich Lindermann havia fundado a Getauften Christengemeinde (Comunidade Cristã de Batizados) em Vohwinkel e Rheydt, regiões de Wuppertal e Mönchengladbach. Elas eram fruto do movimento de reavivamento pietista. As igrejas de Lindermann se tornaram adventistas em 1876, graças ao trabalho evangelístico do pastor suíço Jacob Erzberger. Por sua vez, em 1863, Julius Stangnowski tinha fundado a Apostolisch Christliche Gemeinde (Igreja Apostólica Cristã) na cidade de Königsberg, leste da Prússia (atual Polônia), e estabelecido cinco pequenas congregações por lá. As igrejas de J. Stangnowski se tornaram adventistas em 1894 graças ao trabalho evangelístico do pastor Ludwig Richard Conradi. Curiosamente, parte dos seguidores de Julius Stangnowski imigrarou para os Estados Unidos e foi fundada uma igreja em Nova Iorque. Outra parte migrou para o Brasil, onde estabeleceu uma igreja em Joinville (SC), que em 1896 se tornou adventista.

E quanto ao grupo de sabatistas de Rio Cunha?

A maioria era germano-russo luterana, mas possivelmente havesse entre eles alguns batistas. Começaram a chegar ao Brasil no fim de 1891. Não há evidências históricas de que eles já fossem adventistas antes de chegar ao Brasil ou que tivessem tido contato com adventistas na Rússia. Sabemos que se interessavam pela nossa literatura e desejavam a visita de um pastor adventista. Há um relatório de Theodor Valentiner, editor da revista alemã Christlicher Hausfreund, de janeiro de 1892, que conta a respeito da imigração de russos-alemães para as vizinhanças de Gaspar Alto. Rio Cunha, que fica a cerca de 30 quilômetros dali, foi a região que mais recebeu colonos russo-alemães naquela época. Esse documento dá a entender que o grupo não era adventista, mas que foi enviado por Deus para fazer a obra avançar.

De acordo com minhas pesquisas, eles foram influenciados a guardar o sábado e a se tornar adventistas por meio de livros vendidos pelo colpoltor Albert B. Stauffer, pelo alemão Ernest Berger, da cidade de Timbó, que havia se convertido em 1902, e pelos irmãos de Gaspar Alto. Grande parte daquele grupo migrou para Alto Benedito, do qual 30 pessoas foram batizadas pelo pastor Graf, em julho de 1897. Não há entre os descendentes das famílias pioneiras de Alto Benedito evidência comprovando que alguns membros antigos que moraram em Rio Cunha tenham vindo como adventistas para o Brasil. Também não existe registro de batismos em Rio Cunha antes de 1900.

No intuito de defender a tese de que adventistas russos teriam migrado para o Brasil, alguns mencionam duas aparentes “evidências”. A primeira é o relatório de Ludwig Richard Conradi de 1893, publicado na Review and Herald, afirmando que sabatistas adventistas alemães provenientes da região da Rússia migraram para os Estados Unidos, Argentina e também para o Brasil. Porém, não há evidência histórica que comprove isso em relação ao Brasil, só em relação aos Estados Unidos e à Argentina. Também se costuma citar o trecho de um livro escrito pelo padre Victor Vicenzi, no qual ele afirma que adventistas russo-alemães teriam migrado para Rio Cunha a partir de 1880. Esse livro foi escrito em 1985, mais de cem anos depois dos fatos relatados. Em 1880, ainda não havia adventistas na Rússia.

A existência de adventistas em Rio Cunha é inquestionável, pois isso foi mencionado com frequência, a partir de 1903, em relatórios da Escola Sabatina. Além disso, sabemos que até uma escola adventista funcionou no local por alguns anos. No entanto, podemos comprovar que houve batismos somente a partir de 1900. Vale ressaltar que, no passado, qualquer pessoa ou grupo de pessoas que fosse descoberto guardando o sábado, mesmo que ainda não tivesse sido batizado, já era considerado adventista.

Ao longo da pesquisa, você se deparou com histórias impressionantes e pouco conhecidas?

Certamente! Uma delas foi a do pastor Ernesto Schwantes que, certa vez, no sul de Santa Catarina, caiu do cavalo e fraturou algumas costelas. Apesar das fortes dores, Deus lhe concedeu forças para pregar e, no dia seguinte, batizar 30 pessoas que aceitaram a mensagem! Outro relato inspirador com o qual me deparei foi o dos filhos de um líder da igreja de Gaspar Alto que dedicaram a Deus um terreno infértil. Seguindo o exemplo do pai, que tinha vendido uma propriedade e doado o dinheiro para a construção da escola missionária de Gaspar Alto, eles prometeram que, se aquela área produzisse, doariam o valor da venda dos produtos integralmente para o projeto. Deus ouviu a oração e realizou um milagre. Relatos inspiradores como esses nos motivam a prosseguir com a missão dos pioneiros.

Você também pesquisou os primórdios da educação adventista no Brasil. Qual foi a importância, por exemplo, das escolas de Alto Benedito Novo e Gaspar Alto?

Elas foram, respectivamente, o embrião do atual Instituto Adventista Paranaense (IAP) e do Unasp. Fundada no primeiro semestre de 1898 na casa de Samuel Gross, a escola adventista de Alto Benedito Novo começou com seis alunos. O primeiro professor foi Richard Olm, um dos primeiros conversos da igreja de Gaspar Alto. Em ordem cronológica, ela foi a terceira estabelecida no Brasil, depois do Colégio Internacional de Curitiba (1/7/1896) e da escola paroquial de Gaspar Alto (6/1897).

Em 1900, a escola foi transferida para o terreno da igreja, onde os membros haviam construído uma sala de aula. Em 1935, sob a lideranca do professor Conrad Stöhr, ela chegou a ter 62 alunos e a ser a maior escola no território da União Sul-Brasileira (USB). Em 1938, a liderança da sede administrativa adventista para o Sul do Brasil votou a criação de uma escola ginasial (que oferecesse ensino até a oitava série). Um ano depois, o pastor Durval Stockler de Lima, secretário da Associação Paraná-Santa Catarina, começou a recolher donativos a fim de comprar o terreno para estabelecer o que seria chamado de Colégio Industrial Adventista. Porém, naquele ano, o Brasil entrou na II Guerra Mundial e, consequentemente, a língua alemã foi proibida e a escola adventista local teve que fechar as portas. Além disso, a liderança da igreja na região já considerava desfavorável a localização da escola.

Por essas razões, houve uma mudança de planos, e, ainda em 1939, a classe ginasial foi transferida para a localidade do Butiá, no município da Lapa (PR), onde recebeu o nome de Educandário Adventista de Butiá (EAB). Ele funcionou nesse local até 1947, quando a Associação comprou um terreno no Barigui, a 15 km de Curitiba, e a transferiu para lá. As aulas começaram em março de 1948. Em 1973, a prefeitura desapropriou o terreno e a escola ginasial foi transferida para Ivatuba (PR), onde definitivamente recebeu o status de ginásio e foi denominada Instituto Adventista Paranaense (IAP). Ali a instituição permanece até hoje.

Por sua vez, a escola de Gaspar Alto foi fundada como escola paroquial em junho de 1897. Pouco depois de a escola iniciar suas classes, os obreiros estavam desejosos de fundar também uma escola missionária para formar colportores, professores e obreiros bíblicos para atuar no Brasil. O número de conversos aumentava a cada ano e surgiam novas igrejas que também queriam abrir escolas adventistas, mas não dispunham de professores. Durante o ano de 1897, Guilherme Stein Júnior assumiu a escola paroquial, e, no ano seguinte, construiu um prédio para servir de internato, primeiramente para alunos que vinham de outras localidades.

Em novembro de 1899, John Lipke assumiu a unidade. Em maio de 1900, durante a reunião geral de obreiros em Gaspar Alto, foi tomado o voto oficial de criar uma escola missionária. Um ano depois, a escola missionária de Gaspar Alto havia formado os primeiros obreiros para o campo, três professores e dois obreiros bíblicos. Com o crescimento, ela foi transferida para Taquari (RS). O idealizador da nova escola foi Emil Schulz. Em agosto 1903, a escola começou a funcionar em uma sala ao lado da editora, que permaneceu ali até 1907, quando foi transferida para São Bernardo (SP). Sem recursos suficientes, a escola definitivamente fechou as portas em 1910.

Entre 1910 e 1914 não houve mais escola missionária no Brasil, e alguns foram preparados fora da sala de aula, acompanhando os pastores e obreiros mais experientes. Nesse período também chegaram ao Brasil alguns missionários vindos dos Estados Unidos e da Alemanha. Diante do crescimento da igreja, em 1914, a liderança da denominação tomou o voto de fundar um seminário para formar pastores para o Brasil. Então, em abril de 1915, foi adquirida uma fazenda na região de Santo Amaro, no município de São Paulo. O seminário foi inaugurado no dia 2 de agosto de 1915, mas as aulas começaram oficialmente apenas em 15 de abril de 1916, tendo Paul Hennig como primeiro professor da classe formada por 29 alunos. Outros dois docentes o assistiram e as aulas foram ministradas em português, alemão e inglês. A abertura do seminário teológico garantiu obreiros para atender às necessidades dos campos e assegurou o crescimento da igreja nos anos e nas décadas seguintes.

Por que é importante conhecer nossa história denominacional?

É uma questão de identidade saber quem sou, de onde vim e para onde vou. É também uma herança espiritual. A fé dos pioneiros e o que eles vivenciaram inspira as gerações posteriores e as encoraja a encarar o futuro com confiança na providência de Deus. Conhecer a história da igreja também pode ajudar os líderes atuais a encarar suas atribuições como um serviço a Deus e à comunidade, ajudando-os a permanecer humildes.

Que impacto essa pesquisa exerceu em sua vida e ministério?

Recebi uma grande carga de entusiamo e amor pela causa de Deus ao ler e examinar os relatórios dos pioneiros e escrever sobre a história da igreja. Eles tinham poucos recursos, mas muita fé, e com a ajuda de Deus fizeram muito. Isso fortaleceu minha fé e me motivou a trabalhar em função das necessidades das pessoas.

Como a ponte histórica entre os dois países pode ajudar o Brasil a retribuir os esforços dos pioneiros alemães?

Podemos aprender muito uns com os outros. O diálogo e o intercâmbio entre os dois países, seja entre professores, estudantes e líderes, pode ser de grande enriquecimento espiritual, cultural e intelectual. Além disso, precisamos de homens e mulheres dispostos a servir na Alemanha com a mesma paixão que os missionários manifestaram no passado.

SAIBA +

Teólogo e historiador

Adventista de quinta geração, Edegar Link nasceu em Benedito Novo (SC) no dia 20 de abril de 1977. Estudou Teologia na Universidade Adventista do Chile e no Unasp, campus Engenheiro Coelho (SP). Cursou o mestrado em Teologia na Universidade Adventista de Friedensau na Alemanha, especializando-se na história da Igreja Adventista no Brasil. Atualmente, trabalha como pastor distrital no estado da Saxônia, na Alemanha. Ele fala fluentemente português, espanhol e alemão. É casado com Kellyane Link há dez anos. Gosta de visitar castelos, apreciar a natureza e fazer viagens bíblicas.

(Versão na íntegra da entrevista publicada na edição de dezembro de 2017)

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