O pregador do século

Provavelmente ninguém tenha falado de Cristo para mais pessoas do que Billy Graham, evangelista americano que morreu hoje, aos 99 anos
Fernando Dias
Ao longo de 70 anos de ministério, estima-se que o evangelista americano tenha falado para mais de 200 milhões de pessoas. Crédito: Billy Graham Evangelistic Association

Foi por volta das 8 horas (horário local) desta quarta-feira, 21 de fevereiro, que morreu um dos pregadores mais influentes da história. Ele estava em sua casa, na cidade de Montreat (EUA). O evangelista americano William Franklin Graham Jr., mais conhecido como Billy Graham, tinha 99 anos.

Nascido em uma fazenda em Charlotte, na Carolina do Norte, em 7 de novembro de 1918, Graham tinha 16 anos quando foi convidado por Albert McMakin, um funcionário da fazenda, a assistir a uma campanha evangelística liderada pelo Mordecai Ham. Os sermões levaram o jovem Graham a entregar sua vida a Cristo. O que o amigo que o convidou para as reuniões e o evangelista Ham não esperavam era que aquele rapaz levaria o evangelho a milhões de pessoas, mais do que qualquer outro cristão que já viveu na face da Terra.

Vocacionado para o ministério, Graham foi ordenado pastor em 1939, quando ainda era estudante de Teologia no Instituto Bíblico da Flórida. Cerca de um ano depois de se casar com Ruth Bell, filha de um casal de médicos-missionários que haviam servido na China, ele concluiu o doutorado na Faculdade Wheaton, estado de Illinois.

Mesmo durante os poucos meses em que liderou uma igreja local, em Western Springs, o jovem ministro já não se contentava em pregar apenas para os membros de sua congregação. Aliás, eles foram cruciais para que o jovem pastor começasse a expandir seu ministério para além das paredes de seu templo. Com doações dos membros de sua comunidade, Graham conseguiu comprar o horário de um programa evangélico de rádio que havia sido interrompido por falta de patrocinadores. Anunciar Cristo por meio de todas as mídias e recorrer a empreendimentos ousados para levar avante Seu reino foram marcas de seu ministério nas sete décadas seguintes.

No fim da II Guerra Mundial, a mensagem de Cristo foi bem-recebida ao ser enunciada com convicção pelos lábios desse pregador de mais de um metro e noventa de altura. Billy Graham trocou o público cativo da igreja local para pregar a multidões, primeiro em grandes tendas de circo, e depois em teatros maiores e estádios de futebol. Desde a primeira “Cruzada para Cristo”, entre 13 e 21 de setembro de 1947, no Auditório Cívico de Grand Rapids, Michigan, para 6 mil pessoas, o evangelista liderou mais de 400 cruzadas evangelísticas em 185 países. Algumas dessas grandes séries de pregações chegaram a durar quatro meses. Uma das mais concorridas foi realizada em Moscou, na Rússia, em 1992, logo após a queda do comunismo. Ali, onde poucos meses antes não havia liberdade para a pregação religiosa, ele anunciou Cristo para uma audiência de 155 mil pessoas.

Acredita-se, segundo as estimativas mais otimistas, que, somadas todas as plateias de seus sermões durante seus mais de 70 anos de ministério, ele foi ouvido pessoalmente por cerca de 200 a 300 milhões de pessoas, número maior que o de pessoas vivas em todo o mundo no tempo de Jesus. Somando o alcance de sua mensagem no rádio, na televisão, na internet e por meio dos 33 livros que escreveu, quase 2 bilhões de pessoas tiveram, de alguma maneira, contato com o que ele tinha a dizer a respeito da salvação em Cristo.

Graham criou muitos ministérios, vários deles voltados para jovens e universitários. Também influenciou a formação de vários outros, que se apropriaram de seus eficazes métodos de pregação para grandes multidões. Sua técnica consistiu principalmente em encontrar um grande auditório ou estádio, anunciar o evento por todos os meios de comunicação, recrutar os cristãos locais para trazerem seus amigos, distribuir a Bíblia (ou trechos dela) e pregar um sermão bíblico, cristocêntrico, voltado para as necessidades existenciais. Em suas pregações, era comum que, enquanto um grande grupo de cristãos permanecia discretamente em oração para que Deus agisse, um cantor abrisse os corações com um hino no momento em que Billy Graham fazia o apelo para que pessoas dessem um passo à frente e aceitassem a Cristo. Graças à sua ousadia, milhões de pessoas tiveram nova vida em Cristo, e muitos outros pregadores aproveitaram a experiência bem-sucedida de Graham em pregar para as multidões e levar Jesus para um número cada vez maior de pessoas.

Que Deus suscite novos evangelistas que levem Jesus a multidões de pessoas que precisam de salvação!

FERNANDO DIAS é pastor e editor da Casa Publicadora Brasileira

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