Igrejas acomodadas

As mudanças socioeconômicas são positivas, mas não devemos nos acostumar com o conforto e esquecer nossa missão
Erton Köhler
Foto: Lightstock

“A estabilidade e o conforto ainda vão enfraquecer o crescimento da igreja na América do Sul.” Havíamos acabado um seminário para líderes com a equipe da Divisão Sul-­Americana, e o professor, convidado de uma de nossas universidades norte-americanas, fez essa provocação.

Para ele, a estabilidade e o conforto foram grandes inimigos do crescimento da igreja do primeiro mundo. Sua análise foi direta: “Quanto mais confortáveis são as casas, com conexão rápida à internet, aparelhos de ar-condicionado e TV com múltiplas opções, mais exigentes as pessoas se tornam e menos envolvidas em atividades externas. Elas vão se concentrando mais em seus próprios interesses, e a igreja deixa de ocupar um papel central.”

Na visão dele, os países do Hemisfério Sul ainda têm muitas dificuldades que afetam seu desenvolvimento, mas que facilitam a pregação do evangelho. O professor deixou, porém, um alerta: “Fiquem atentos, pois a realidade também está mudando rapidamente por aqui.”

Foi uma conversa intrigante, que me fez pensar sobre o assunto. Realmente o perfil econômico e social de alguns países sul-americanos está mudando. As pessoas estão mais exigentes e sofisticadas, em busca de qualidade e conforto. Mas precisamos avaliar: a prosperidade está acelerando o avanço da igreja ou intensificando nossa acomodação? Seremos vítimas naturais desse processo ou poderemos ser uma exceção?

Para alguns, seria mais seguro se pudéssemos parar no tempo e fugir dessa tendência. Porém, diante da rapidez das mudanças, só nos resta pedir a Deus sabedoria para modernizar sem mundanizar e manter os princípios sem perder a relevância. Por isso, devemos avaliar permanentemente onde estamos e como deveríamos estar. Essa reflexão é fundamental para evitar o que Thom Rainer, escritor, pesquisador e pregador norte-americano, apresenta como os cinco grandes riscos de uma igreja que começa a lutar apenas pela própria estabilidade. Segundo ele:

  • Uma igreja acomodada não é uma igreja em missão. A própria natureza da grande comissão nos impulsiona a estar em constante movimento e renovação.
  • O conforto é inimigo da obediência. As histórias de pessoas fiéis na Bíblia mostram que, para obedecer, é preciso sair da zona de conforto.
  • Igrejas acomodadas não atingem suas comunidades. Se uma igreja busca apenas estabilidade, ela não está disposta a fazer as mudanças necessárias para impactar a comunidade.
  • Igrejas acomodadas não criam novos grupos. Não surgem novas atividades, projetos nem ministérios. É uma igreja que olha somente para o próprio umbigo.
  • Membros de igrejas acomodadas buscam apenas suas preferências. Sua prioridade é manter o conforto, sem mexer no que estão acostumados.

Não podemos aceitar a simples tradição ou a boa acomodação. Quando Jesus precisou alcançar o mundo de Seus dias, convocou Seu povo para estudar, dialogar e orar intensamente. Enviou o Espírito Santo para agir poderosamente e, como resultado, “tremeu o lugar onde eles estavam reunidos” (At 4:31). A igreja saiu de seu conforto, foi ao encontro das pessoas, cumpriu a missão de forma poderosa e teve um crescimento explosivo. A fórmula continua sendo a mesma: somente “uma igreja que trabalha é uma igreja viva” (Ellen White, Medicina e Salvação, p. 332). ]

ERTON KÖHLER é presidente da Igreja Adventista para a América do Sul

(Texto publicado na edição de março de 2018 da Revista Adventista)

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