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Projetos missionários de curta duração do Unasp incentivam universitários a fazer do voluntariado um estilo de vida

Mairon Hothon

Pela primeira vez, universitários do Unasp são enviados para a China. As missões de curta duração ajudam a formar missionários de dedicação exclusiva. Foto: Mairon Hothon

Até poucos anos, o envolvimento numa missão de curta duração no exterior era uma experiência acessível para poucos no contexto adventista brasileiro. Nos últimos anos, porém, esse quadro tem sido outro: as viagens internacionais se tornaram financeiramente mais viáveis, muitos jovens têm procurado aprender inglês, hoje o serviço voluntário faz diferença no currículo profissional e os internatos têm procurado incentivar o engajamento nesses projetos como parte de seu programa acadêmico.

No Brasil, o Unasp é uma das instituições da igreja que estão realizando um dos trabalhos mais sólidos nesse sentido. Somente nas últimas férias de verão, cerca de 100 alunos e funcionários dos campi de Engenheiro Coelho e São Paulo embarcaram para servir por algumas semanas na China, Índia, Tailândia, Peru e Guiné-Bissau. Por ano, o centro universitário envia, em média, 300 alunos para projetos no exterior.

“Quando falamos em missões de curta duração, ou seja, aquelas que são realizadas durante as férias, estamos fazendo um projeto de longo prazo, pois voltamos nos anos seguintes a fim de continuar o trabalho. As missões mais curtas são uma forma de despertar nos voluntários a necessidade de servir em projetos mais longos e de experimentar a prática do cristianismo”, comenta o pastor Marcelo Dias, diretor do Núcleo de Missões e Crescimento de Igreja (Numci), no campus Engenheiro Coelho. “Normalmente, a escolha dos lugares e da época depende do clima, da estabilidade do país e da necessidade apresentada pela igreja local”, complementa Marcelo Dias.

Durante duas semanas, a equipe de 18 voluntários trabalhou na cidade de Kunming, capital da província de Yunnan. A cidade tem 2 milhões de habitantes e apenas 2 mil adventistas, que congregam em três templos e diversas casas nas montanhas. Os brasileiros realizaram feiras de saúde, palestras antitabagistas numa empresa de mineração, organizaram atividades recreativas com as crianças numa praça e ajudaram a concluir a construção do restaurante vegetariano, que servirá de centro de influência adventista local.

MUDANÇA DE PERSPECTIVA

“Existe uma vida antes e depois da missão. Na missão você faz amigos, aprende e se sente útil. A gente descobre que ser feliz não é ter, mas fazer algo que transforme o ambiente para melhor”, resume sua experiência Giulianna Verano, estudante de Jornalismo. Ela, que já dedicou dois anos como professora de inglês e espanhol nas Ilhas ­Marshall, na Oceania, e nas Ilhas Galápagos, no Equador, este ano ajudou por 15 dias numa escola adventista internacional em Bangkok, na Tailândia.

Outra universitária que também tomou gosto pelas missões foi Marianna Hidalgo. Com passagens pela Amazônia brasileira, Paraguai e Albânia, ela completou na China sua sexta participação nesse tipo de projeto. “Quero muito contribuir em uma missão mais longa em algum país da Janela 10/40, a região menos evangelizada do mundo”, conta a estudante de Pedagogia e Teologia, que já planeja o que fazer depois da graduação. Ao longo do semestre letivo, Marianna também participa de projetos locais. Para ela, missão é um estilo de vida.

MAIRON HOTHON é jornalista e assessor de comunicação da reitoria do Unasp

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