O pão nosso de cada dia

A igreja na América do Sul tem feito um esforço especial para ajudar os membros a aproveitar cada vez mais o alimento espiritual diário por meio do estudo da Lição da Escola Sabatina  
André Oliveira
Imagem: divulgação projeto Maná

O capítulo 16 de Êxodo fala sobre a solução divina para a necessidade de alimento do povo de Israel, que havia sido libertado do Egito e então, no deserto, sentia falta do estilo de vida na escravidão egípcia, que era destrutivo, mas oferecia um pão com o qual eles já estavam acostumados. Diante das murmurações do povo, Deus, em Sua misericórdia, fez um milagre no deserto. Ao longo de 40 anos, Ele derramou um pão bem melhor do que o pão do Egito. Esse pão foi chamado de Maná. Caía a cada dia, exceto no sábado. Por isso, na sexta-feira eles deviam colher em dobro. O maná que sobrava de um dia para o outro derretia e se estragava, mas o que ficava de sexta-feira para sábado era preservado pelo poder divino.

Cada pessoa devia sair ao campo para colher o maná para si e para sua família. Havia um pão reservado para cada dia. Talvez Jesus tivesse essa história em mente em Sua oração: “[…] o pão nosso de cada dia dá-nos hoje” (Mt 6:11). “Colhiam-no, pois, manhã após manhã, cada um quanto podia comer; porque, em vindo o calor, se derretia” (Êx 16:21). Diante do calor do deserto, o maná que não havia sido consumido era destruído. O tempo elimina as oportunidades espirituais não aproveitadas. A atitude de sair para colher o maná era uma demonstração de confiança de que a promessa divina se cumpriria a cada dia. Ao mesmo tempo, era uma prova de obediência à instrução divina de que saíssem para receber a bênção de Deus.

A cada dia, cada família devia colher e comer o seu maná logo no começo do dia. Jeremias diz: “Achadas as Tuas palavras, logo as comi; as Tuas palavras me foram gozo e alegria para o coração, pois pelo Teu nome sou chamado, ó Senhor, Deus dos Exércitos” (Jr 15:16).

A Bíblia é o pão enviado pelo Céu para nos alimentar em nossa caminhada pelo deserto desta vida, enquanto seguimos em direção à nova Terra, que nos foi prometida. Se fomos libertados do Egito do pecado, precisamos colher e comer com avidez esse pão que o Pai celestial nos enviou como uma carta de amor a cada um de nós.

A Lição da Escola Sabatina é uma das formas mais importantes que temos para o estudo da Palavra de Deus. A Igreja Adventista do Sétimo Dia na América do Sul tem feito um esforço especial para ajudar os membros a aproveitar cada vez mais o privilégio de estudar a Lição da Escola Sabatina. Um dos movimentos para alcançar esse objetivo é o projeto Maná, que busca incentivar as pessoas a ter a assinatura da Lição e a estudar diariamente seu conteúdo. Assim como o maná no deserto, a Lição está disponível a todos, mas cada um precisa colher e comer o pão espiritual.

Para algumas pessoas, é preciso fazer um sacrifício para colher o maná espiritual. Tive a oportunidade de conhecer uma dessas pessoas. Certo dia, bem cedo, em junho de 2017, eu ia saindo da cidade de Engenheiro Coelho (SP) em direção ao Unasp, onde teria um compromisso. Perto do acesso à rodovia, vi uma senhora acenando, tentando ganhar uma carona. Ela segurava um carrinho de compras. Tive que diminuir a velocidade por causa da lombada. Ela começou a andar rapidamente em direção ao carro, entendendo que eu estava parando para lhe dar carona. Fiquei em dúvida, mas, percebendo o entusiasmo daquela senhora, acabei parando o carro. Na região do colégio, é comum dar carona.

Comecei a perguntar-lhe algumas coisas e conheci um pouco da sua história de lutas, sofrimentos e superação. Ela contou que havia descido antes do seu destino a fim de que sobrasse dinheiro para comprar a Lição da Escola Sabatina. Dona Paqui perguntou quem eu era e se eu estudava no Unasp. Ela ficou surpresa ao saber que eu trabalhava na Casa Publicadora Brasileira como editor da Lição da Escola Sabatina. Ela estava indo para a Loja da Casa Publicadora Brasileira no Unasp para comprar um exemplar avulso da Lição da Escola Sabatina.

Fiquei sensibilizado pelo amor que a irmã Paqui demonstrou pela Lição da Escola Sabatina. Ao descer do carro, no Unasp, percebi que havia uma lição nova dentro do carro, e pedi que Paqui posasse para uma foto segurando o exemplar. No começo, ela não se sentiu em condições de aparecer na fotografia, mas aceitou o convite. Depois de fazer a foto, Paqui devolveu a lição para mim, mas eu lhe disse: “Irmã, essa lição é um presente de Deus para você.” Emocionada, quase não acreditando, a irmã agradeceu e começou a chorar.

A irmã Paqui é um exemplo de alguém que faz o sacrifício necessário para colher o pão espiritual. Ela renuncia ao que for necessário para ter acesso ao maná enviado por Deus para Seu povo. Que sacrifício você está disposto a fazer para ter em suas mãos esse pão que alimenta o coração? Que esforço você pode fazer para estudar esse divino maná que pode transformar sua vida? Pense nisso!

ANDRÉ OLIVEIRA é editor da Lição da Escola Sabatina na CPB

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