Templo para os ribeirinhos

Projeto “Igreja que navega” planta primeira igreja em comunidade do Amazonas
Templo plantado na comunidade de Fazenda Braga foi o primeiro fruto do projeto Amazônia de Esperança, que busca ampliar a presença adventista no estado por meio da igreja que navega. Foto: Alex Simões

Às 10 horas da manhã chegamos ao porto de Manacapuru, cidade da região metropolitana de Manaus. Ali é o nosso ponto de partida para a comunidade Fazenda Braga, que fica no rio Purus. Esta é uma das principais rotas para algumas das cidades do interior do Amazonas. O rio Purus tem cerca de 2,5 mil km de extensão navegável.

Compramos as passagens e, enquanto aguardávamos o embarque, era possível ver muitas pessoas vindas de comunidades distantes para visitar parentes, comprar alimentos, receber atendimento médico, entre outras necessidades.

Quase uma hora depois, chegou o momento do embarque. Com capacidade para 52 pessoas, a lancha saiu lotada. Cada parada no beiradão, local em que geralmente há um barranco, descem pessoas que moram nessas localidades. A viagem é tranquila, com direito a serviço de bordo e um pequeno lanche, servido a todos. De vez em quando apareciam outras embarcações, e o banzeiro, movimento produzido pela água quando o barco passa, mexia levemente com nossa lancha. Depois de três horas de viagem, chegamos à comunidade Fazenda Braga.

Para os 180 moradores da localidade, o principal meio de subsistência é a pesca, seguida da agricultura, produção de farinha da região e extração da fibra da malva, planta nativa da Amazônia. A comunidade fica no ponto de entrada do rio Purus, rota principal de navegação para muitas embarcações que saem do rio Solimões em direção às cidades do interior que fazem parte desse eixo. Ali, a “Igreja que navega” tem feito um trabalho evangelístico na comunidade. A primeira moradora do local é a professora Raimunda Soares de Oliveira, uma senhora de 60 anos com disposição de sobra. Adventista há 15 anos, ela sempre sonhou que a comunidade tivesse um templo adventista e para isso orava. Por meio do projeto Amazônia de Esperança, isso se tornou realidade.

Enquanto conversava conosco na escola em que leciona, ela falou do privilégio de ter uma igreja adventista em sua comunidade. “Fico muito feliz pelo fato de o projeto ter chegado aqui e levantado nossa igreja”, declarou a professora.

Os moradores da Fazenda Braga conheceram a mensagem adventista por meio das reuniões evangelísticas na igreja que navega e dos estudos bíblicos ministrados nas casas. Com o apoio do projeto Amazônia de Esperança e a ajuda de voluntários, a primeira igreja adventista foi plantada na comunidade, em um local privilegiado, às margens do rio Purus. A igreja chama a atenção de quem passa pela “avenida” fluvial.

Depois de três dias de trabalho, retornamos para Manaus e levamos a alegria de ter registrado histórias de transformação de vidas e visto a presença de Deus em mais uma comunidade alcançada com a mensagem de esperança no vasto Amazonas.

Conheça o projeto

Em 2018, o projeto Amazônia de Esperança pretende estabelecer oito igrejas como essa em comunidades ribeirinhas. Na Fazenda Braga foi erguido o primeiro templo adventista no formato proposto pelo programa, que busca unificar um padrão de construções das igrejas adventistas nessas localidades. Cada construção conta com a ajuda financeira de doadores voluntários e dos recursos levantados pelo projeto. Para saber mais a respeito da iniciativa, acesse: amazoniadeesperanca.org.br.

PRISCILA BARACHO é jornalista e trabalha como assessora de comunicação da Associação Central Amazonas; ALEX SIMÕES é gerente de mídia da mesma sede administrativa

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