Paz verdadeira

Neste mundo em permanente conflito, é nosso dever buscar, receber e compartilhar a paz que só Cristo pode dar

Escrevo estas palavras ainda impactado pelas imagens do terror. Apesar de já estar profetizado, é difícil ver o aumento da intolerância, a violência perdendo o controle e a opressão do politicamente correto aterrorizando pessoas e tirando a liberdade de crer e defender nossa fé.

As cenas do possível uso de armas químicas na Síria ainda são muito fortes em minha mente. São homens, mulheres, crianças e idosos tentando respirar, em meio aos escombros, enquanto outros tentam ajudar, abanando e jogando água. Um completo desespero! Pior ainda é ver outros países tentando resolver a guerra com mais guerra.

A Síria é o país mais perigoso do mundo, segundo o Global Peace Index (Índice de Paz Global). Esse anuário, coordenado pela revista inglesa The Economist, mede o nível de paz, bem como a realidade dos conflitos domésticos e internacionais em andamento, a proteção e a segurança da sociedade e o grau de militarização em 163 países e territórios. Porém, mesmo a Islândia, considerada a nação mais pacífica do mundo pelo Index, não desfruta de completa e permanente paz.

Há apenas uma fonte de paz verdadeira: a que foi garantida por Jesus (Jo 14:27). Nenhum índice pode medir esse tipo de paz, porque ela não está ligada à ausência de problemas, mas à presença de Cristo. Afinal, Ele não disse que o mundo ficaria sem doenças, guerras, crises familiares, econômicas ou morais; apenas garantiu uma paz que enfrenta qualquer desafio com esperança.

“Não há outra base de paz senão essa. A graça de Cristo recebida no coração subjuga a inimizade; afasta a contenda e enche de amor o coração. Aquele que se acha em paz com Deus e seus semelhantes não se pode tornar infeliz”, descreve Ellen White. “O coração que se encontra em harmonia com Deus compartilha da paz do Céu, e difunde ao redor de si sua bendita influência” (O Maior Discurso de Cristo, p. 28).

Jesus também lembrou que são “bem-aventurados os pacificadores” (Mt 5:9). Na mesma página, Ellen White completou: “Os seguidores de Cristo são enviados ao mundo com a mensagem de paz. Qualquer ser humano que, pela serena, inconsciente influência de uma vida santa, revela o amor de Cristo; qualquer ser humano que, por palavras ou ações, leva outro a abandonar o pecado e entregar o coração a Deus é um pacificador”. Isso não significa uso de armas nem conflitos de rua. Tem que ver com o cumprimento de nossa missão. Compartilhamos a paz por meio da Palavra de Deus, do testemunho pessoal e de uma vida exemplar.

Por outro lado, não podemos nos esquecer de que nunca haverá paz verdadeira enquanto os homens lutarem pelas conquistas exteriores que não comecem com a transformação interior. Os ditadores podem ser derrubados, novos direitos podem ser conquistados e ideias podem ser impostas, mas o coração continuará dominado pelo pecado, e o mal ressurgirá de outra forma. Essa paz é ilusória e passageira.

Diante de um mundo em permanente convulsão, em que os fatos e as notícias negativas se repetem todos os dias perto e longe de nós, precisamos buscar, receber e compartilhar a paz que só Cristo pode dar.

ERTON KÖHLER é presidente da Igreja Adventista para a América do Sul

(Artigo publicado originalmente na edição de maio de 2018)

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