Pedras para a nova geração

Criar uma experiência espiritual sólida hoje é ter uma visão de futuro
Erton Köhler
Crédito: Lightstock

A história da libertação de Israel é impressionante. Porém, é ainda mais marcante observar o pessimismo do povo, a paciência de Deus e a perseverança dos líderes durante os 40 anos de peregrinação pelo deserto.

O povo estava às portas da Terra Prometida. Moisés havia morrido em um funeral solitário. Mas o que pareceu um final triste foi apenas o começo de outra história muito mais emocionante e eterna. Ele perdeu a Terra Prometida, mas ganhou a Nova Jerusalém. Sua vida foi uma lembrança de que, se perdermos alguma coisa na Terra por servir a Deus, teremos uma recompensa no Céu.

Josué passou a ser o novo líder e, desde seus primeiros dias, Deus confirmou que permanece ao lado daqueles a quem chama. Quando ­Moisés começou, Deus abriu o Mar Vermelho para a saída do Egito. Quando Josué começou, Ele abriu o rio Jordão para a entrada na Terra Prometida. Para cada líder, Deus abre as águas e confirma Sua escolha. Quando Moisés estendeu a mão, as águas do Mar Vermelho se abriram; já o Jordão se abriu quando aqueles que levavam a arca colocaram o pé na água. Foi algo muito maior do que os líderes e o povo eram capazes de fazer ou imaginar. Estavam aprendendo a confiar, avançar e ousar.

A travessia do Jordão foi impressionante. As águas que vinham de cima pararam e formaram uma barreira. Os sacerdotes entraram, esperaram no meio e só saíram quando todos haviam terminado de passar. No fim, Deus pediu que fossem recolhidas 12 pedras como símbolo da libertação. Não era apenas um pedido, mas uma visão de futuro. Ele estava pensando nas gerações seguintes (Js 4:6-7).

Como família, igreja e educadores, precisamos refletir sobre o tipo de pedras, ou marcas, que estamos deixando para os mais novos. Esse legado vai ajudá-los no futuro a continuar lembrando do Senhor?

Nesse processo, a família tem o papel mais importante. Se os pais forem coerentes, intencionais e oferecerem uma educação com valores realmente cristãos, colocarão pedras que durarão por toda a vida.

Como igreja também temos ferramentas fundamentais, como a rede educacional adventista, os clubes de Desbravadores e Aventureiros e o Ministério da Criança e do Adolescente. Eles têm material de apoio relevante, linguagem apropriada, líderes comprometidos e os valores de nossa fé. Por isso, podem fazer grande diferença positiva.

Já os professores têm as maiores oportunidades de moldar os mais novos. Possivelmente eles passem mais tempo diário com os alunos do que os próprios pais dos estudantes. Contudo, para que contribuam com pedras de valores sólidos, precisam entender que sua missão vai além de informar e educar. Precisam transformar vidas nessa fase em que a mente ainda é mais maleável.

Assim como havia uma nova geração que estava para entrar na Terra Prometida e precisava daquelas pedras, hoje temos outra geração perto de entrar na nova Terra e que também precisa de “pedras” que sirvam de memoriais da condução de Deus. Afinal, se Cristo não voltar em 20 anos, como sustentarão sua fé e valores? Por isso, faça o que estiver ao seu alcance para ajudar crianças, adolescentes e jovens que estão ao seu redor a construir uma experiência espiritual sólida.

ERTON KÖHLER é presidente da Igreja Adventista para a América do Sul

(Artigo publicado originalmente na edição de junho de 2018)

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