Refúgio para os venezuelanos

O Brasil é a principal porta de entrada dos imigrantes que fogem da crise humanitária que afeta o país vizinho. Saiba o que a ADRA tem feito para ajudar centenas de famílias que estão vivendo em situação crítica
Julia Bianco
Parceria entre a ADRA e uma agência governamental americana possibilitará a destinação de 600 mil dólares para assistência a 1,5 mil famílias venezuelanas nos próximos seis meses. Na foto, abrigo em Pacaraima (RR). Crédito: ADRA Brasil

Todos os anos, milhares de pessoas são obrigadas a deixar seu país de origem devido a perseguições políticas, raciais, religiosas, guerras e outros tipos de ameaça aos direitos humanos. Segundo dados do ACNUR (Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados), até o fim de 2016, uma em cada 113 pessoas em todo mundo se encontrava nessa condição. Desde o ano 2000, quando a ONU instituiu o Dia Mundial do Refugiado (21 de junho), a data tem chamado a atenção para os desafios que acompanham o intenso fluxo migratório que está mudando a paisagem demográfica ao redor do globo.

Nos últimos anos, o Brasil recebeu mais de 126 mil pedidos de refúgio. Em 2017, a maior parte deles foi feita por venezuelanos. De acordo com relatório da ONU, mais de 1 milhão de pessoas já deixaram o país vizinho, fugindo da crise de abastecimento de alimentos, do colapso dos serviços públicos e de uma inflação galopante.

Roraima é a principal porta de entrada desses imigrantes. Estima-se que a capital, Boa Vista, já tenha recebido 40 mil venezuelanos, o equivalente a cerca de 10% dos habitantes da cidade. Esse aumento inesperado da população gerou uma crise no estado. Os abrigos estão lotados e vários imigrantes vivem em situação de rua. O governo federal está tomando medidas para distribuir os refugiados no território nacional e promover ações de assistência, mas são necessários reforços.

A ADRA Brasil é uma das entidades que estão apoiando as autoridades governamentais no auxílio aos refugiados. Em parceria com a OFDA, organização do governo norte-americano responsável pelo atendimento a desastres, a agência humanitária adventista reuniu recursos para oferecer assistência imediata a esse grupo por meio da entrega de colchões, roupa de cama, chinelos, kits de higiene pessoal e de cozinha. Além disso, serão realizadas atividades de promoção de saúde e higiene. A ADRA também irá disponibilizar um caminhão pipa que abastecerá essas famílias no período de estiagem e uma ambulância para auxiliar no sistema de saúde local.

Ainda assim, existe o sentimento de que muito mais precisa ser feito. “Estamos vivendo uma situação de emergência. Os venezuelanos chegam ao Brasil em situação de extrema necessidade: sem dinheiro e sem lugar para ficar. Em alguns casos, chegam até sem sapatos ou roupas. Dentro dos abrigos, muitas vezes não há nem colchões e eles dormem no chão. Estamos tomando medidas para melhorar as condições de vida deles, mas há muito a ser feito e precisamos de apoio. Precisamos que as pessoas se mobilizem, orem e doem”, afirma Dalva Silva, coordenadora do projeto da ADRA. A agência humanitária adventista tem capacidade para atender 4,5 mil pessoas, mas o número de refugiados venezuelanos aumenta a cada dia. Para saber mais sobre o projeto e fazer doações, acesse adra.org.br.

JULIA BIANCO é assessora de comunicação da ADRA na América do Sul

(Matéria publicada originalmente na edição de junho de 2018)

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