Vocação para a colportagem

Um sonho mudou a vida de uma mulher e, por meio dela, centenas de vidas estão sendo transformadas
Cida Souza
Com o dinheiro da colportagem, Antônia já ajudou a erguer mais de dez templos. Foto: Cida Souza

Antônia Rosa da Conceição Batista, de 75 anos, acumula experiências em várias áreas. Técnica em enfermagem, ela também trabalhou como professora e costureira. No entanto, é na colportagem que a cearense, natural do município de Milagres, deposita sua maior paixão. Apesar da idade, ela ainda se dedica à atividade e não faz planos de se aposentar.

Tudo começou quando a filha mais velha decidiu ingressar na colportagem. Entusiasmada com a experiência, a jovem convidava constantemente a mãe para participar da equipe. Porém, Toinha, como é mais conhecida, achava que não levava jeito para aquele trabalho.

Sua visão mudou depois que ela foi visitar a filha numa cidade em que a moça estava colportando. Ao chegar lá, alguns integrantes do grupo a convidaram para sair e vender livros. ­Toinha se prontificou em acompanhá-los. Na primeira casa em que ela entrou, uma mulher ficou maravilhada com a literatura oferecida. Contou-lhe sobre uma doença grave que tinha, que já havia realizado alguns tratamentos sem êxito e que havia sonhado com uma senhora lhe apresentando exatamente aquele exemplar sobre saúde. Livro vendido, pensamentos a mil na cabeça da Toinha. Ela nem imaginava que, também com um sonho, descobriria uma nova vocação.

Toinha vendeu três obras e voltou para casa. A partir daí começou a participar eventualmente de algumas campanhas de venda de literatura. Aliava a nova ocupação com a profissão de professora, que já exercia havia mais de 30 anos. Certa noite, após refletir sobre a necessidade que sentia de uma mudança em sua vida, pediu a Deus uma solução e adormeceu. Sonhou que estava em um terreno vazio e que não conseguia se mover. Quanto mais tentava andar, mais afundava em um lamaçal. Foi então que um homem, que ela descreve como um anjo, lhe entregou o que parecia ser um pequeno galho de uma árvore e disse: “Pegue esse galhinho e vá! É sua única solução. Vá e conte ao mundo!”

O que inicialmente parecia algo sem sentido foi interpretado posteriormente como uma resposta às suas preces. Dias depois, estudando a Lição da Escola Sabatina, Toinha observou que o ramo que tinha visto em sonho se assemelhava ao símbolo da Casa Publicadora Brasileira (CPB), editora da igreja.

Nessa época, ela havia sido convidada para trabalhar no hospital da cidade. Ao mesmo tempo, sentia o chamado de Deus para a colportagem. A questão lhe trouxe dúvidas, mas ela fez a escolha que falava mais ao seu coração. “Decidi dedicar meus dias à ­colportagem. Sou feliz porque sei que estou contando do amor de Jesus. Sou apaixonada por Cristo e pela colportagem”, afirma.

Na bagagem, além de livros, Toinha carrega muitas histórias missionárias, sempre contadas com emoção. Enfrentou muitos desafios colportando em lugares perigosos. Entretanto, nada a fez desistir. Há 26 anos ela é colportora credenciada de tempo integral. Sua vida é uma inspiração. Já trabalhou em vários estados do Nordeste e, por onde passa, deixa pessoas batizadas ou estudando a Bíblia. Além disso, tem contribuído financeiramente para a construção de igrejas.

Toinha é recordista de vendas no Ceará, mas trabalha por amor à missão. “Não saio de uma cidade sem visitar toda a comunidade. Um dia vou encontrar muitas pessoas no Céu, pessoas que ajudei a levar para lá”, acredita. Histórias assim mostram que Deus ainda continua recrutando homens e mulheres para a missão por meio da página impressa.

CIDA SOUZA é jornalista e trabalha como assessora de comunicação na sede administrativa da Igreja Adventista para o Ceará

(Publicado na edição de julho de 2018 da Revista Adventista)

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