Resgate

A mobilização pela busca dos meninos da Tailândia torna mais fácil entender o envolvimento de todo o Céu em nossa salvação
Erton Köhler
Foto: Handout-Royal Thai Navy – AFP

Durante a Copa do Mundo realizada na Rússia, os Javalis Selvagens, uma equipe de futebol formada por meninos da Tailândia, atraíram a atenção de todos. Depois do treino que realizaram em 23 de junho, os jogadores e o técnico decidiram passear numa caverna e acabaram ficando ilhados a 4 km de sua entrada principal, debaixo de uma cadeia de montanhas que separa a Tailândia de Mianmar. Ficaram na escuridão e perderam a noção do tempo. O técnico ajudou o grupo a manter a calma, usar o mínimo de ar e poupar energia. Tinham apenas lanternas, oxigênio e água que caía das paredes da caverna.

Do lado de fora, pais e amigos ficaram desesperados. Encontraram apenas bicicletas, mochilas e algumas chuteiras na entrada da caverna. Um grande movimento de busca foi organizado para resgatar os 13 desaparecidos, mobilizando a imprensa mundial. Mas as chuvas fortes dificultaram o trabalho.

Cerca de mil pessoas ajudaram, formando uma grande corrente de solidariedade e fé. Profissionais trabalhavam nas buscas, vizinhos reuniam dinheiro e comida para as famílias, ­amigos cantavam e oravam na entrada da caverna. John Volanthen e Rick Stanton avançaram na lama e na escuridão, até que, finalmente, encontraram os meninos e o técnico. Porém, infelizmente, Saman Gunan, mergulhador aposentado da Marinha tailandesa, um dos voluntários, morreu durante a operação.

A água continuou subindo rapidamente, e não houve como esperar mais. O resgate começou em 7 de julho e demorou três dias, até que o técnico e o último menino fossem retirados. Logo depois, saíram os mergulhadores e os médicos que cuidaram dos Javalis Selvagens dentro da caverna, e a água inundou o lugar.

É uma história forte e ao mesmo tempo uma ilustração viva de nosso resgate do pecado. Pense no sofrimento das famílias durante as duas semanas em que esperaram por uma solução e você vai entender melhor o sofrimento de Deus, dos anjos e dos mundos não caídos ao contemplar nossa condição e a longa espera pelo momento certo do resgate. Sinta a dor da morte de um dos voluntários e você vai compreender melhor o significado da morte de Cristo (Mc 10:45). Ellen White destacou que Cristo jamais abandonará a pessoa por quem Ele morreu, ainda que o ser humano O rejeite (O Maior Discurso de Cristo, p. 118).

O mais marcante, porém, é que nosso resgate terá igualmente um final feliz. Em breve Cristo voltará e nos levará para casa. Ellen White descreveu esse momento assim: “Surge no Oriente uma pequena nuvem negra, aproximadamente da metade do tamanho da mão de um homem. É a nuvem que rodeia o Salvador, e que, a distância, parece estar envolta em trevas. O povo de Deus sabe ser esse o sinal do Filho do Homem. Em solene silêncio contemplam-na enquanto se aproxima da Terra, mais e mais brilhante e gloriosa, até se tornar uma grande nuvem branca, mostrando na base uma glória semelhante ao fogo consumidor e encimada pelo arco-íris do concerto. Jesus, na nuvem, avança como poderoso Vencedor” (O Grande Conflito, p. 640, 641). Nosso resgate está chegando. Não perca a esperança!

ERTON KÖHLER é presidente da Igreja Adventista para a América do Sul

(Artigo publicado originalmente na edição de agosto de 2018 da Revista Adventista)

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