Terapia a um clique

A orientação psicológica pela web está ganhando espaço como auxílio nas crises modernas e suporte para o desenvolvimento emocional
A orientação psicológica on-line não substitui o atendimento presencial, mas está devidamente autorizada pelo Conselho Federal de Psicologia e pode ser uma opção. Crédito da imagem: Fotolia

O mundo em que vivemos é conturbado, permeado por violência, criminalidade, desemprego, catástrofes ambientais e incertezas na economia e na política. Todos esses fatores influenciam e sobrecarregam a mente. Porém, tão devastadores quanto eles são as crises instauradas em nosso tempo pela ansiedade e a depressão, que é o último estágio da dor humana.

Segundo a Organização Mundial de Saúde, cerca de 4,4% da população mundial apresentam casos de depressão, ou seja, cerca de 322 milhões de pessoas, de idades variadas, sendo que a incidência maior está na América Latina, em países de baixa renda. No Brasil, os dados são expressivos: em torno de 5,8% da população, totalizando 11,8 milhões de pessoas.

E o que dizer da ansiedade? Esse mal consiste numa expectativa desequilibrada pelo futuro. Tudo precisa ser para ontem, há dificuldade para esperar, a pessoa tem uma preocupação incessante e pensamento acelerado. Trata-se de um problema que atinge 33% da população mundial e milhões de brasileiros: 9,3% sofrem de algum tipo de transtorno de ansiedade.

Algumas situações-problemas vivenciadas no cotidiano também provocam desestabilização emocional, como perda de uma pessoa querida, divórcio, dificuldades no relacionamento interpessoal, mudança, medo, pensamentos recorrentes e perturbadores, solidão, baixa autoestima, desânimo, angústia… Todos esses eventos poderão ser enfrentados, mas é o modo com o qual a pessoa se porta diante de uma crise que demonstra se ela tem estrutura ou não para superar a situação.

O ponto é que muitas vezes não estamos preparados para lidar com tantas adversidades. Como disse Sigmund Freud, pai da Psicanálise, “somos de carne, mas temos que viver como se fôssemos de ferro” (Citações da Cultura Universal, p. 249, de Alberto Villamarín). Precisamos ser fortes, mas nem sempre conseguimos sozinhos, devido às demandas do mundo externo (a sociedade que nos cerca, a família, o trabalho) e às exigências da esfera interna (nossos valores, crenças, idealizações).

Contudo, há uma luz no fim do túnel. Ninguém precisa se afligir, sentir-se abandonado ou ter vergonha. Depois de esgotadas as possibilidades para se resolver um conflito, quer desabafando com amigos e/ou conversando com parentes, faz-se necessário procurar um auxílio profissional.

A finalidade da orientação psicológica consiste na união entre terapeuta e cliente para trabalhar nos seguintes processos: autoconhecimento, autonomia, resolução de conflitos pessoais e melhoria das relações interpessoais; na tomada de decisões, na superação de limites, no luto, nas perdas, na criação de metas, enfrentamento dos medos, traumas, no rompimento de preconceitos.

O atendimento psicológico normalmente é realizado de forma presencial em um consultório particular ou clínica. No entanto, a popularização do acesso à internet e a correria do dia a dia, o que inclui as dificuldades de locomoção ou de agendamento de horário, estão mudando a forma tradicional de atendimento. Atualmente está presente no mercado uma nova modalidade de terapia: a orientação psicológica on-line, realizada por videoconferência.

A orientação psicológica via web não substitui o atendimento presencial, mas está devidamente autorizada pelo Conselho Federal de Psicologia e pode ser uma opção. Ela tem um limite de 20 sessões para atendimento e é direcionada para as pessoas que preferem estar no conforto de sua casa, no trabalho ou mesmo em viagem, que precisam de um horário mais flexível, moram em outra cidade, estado ou país e não podem ter acesso ao atendimento presencial.

Os recursos espirituais e o apoio da comunidade religiosa são igualmente muito importantes no enfrentamento de qualquer situação. Mas há casos em que a ajuda profissional se torna indispensável. Nesses casos, o melhor caminho pode ser procurar uma terapia, ainda que a um clique e do outro lado da tela.

DANIELA POLES é psicóloga

(Artigo publicado na edição de novembro de 2017)

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