Igreja no porão

O local que serviu de esconderijo para judeus durante a Segunda Guerra Mundial e foi transformado em centro comunitário adventista na Hungria
Além de ser um ponto de encontro da juventude adventista, a ideia é que as ações no antigo porão abram as portas para que outras pessoas conheçam nossa mensagem. Foto: Divisão Transeuropeia

Um dos pontos turísticos bastante visitados em Budapeste, capital da Hungria, é o Holocaust Memorial Center. Ali é contada a história de perseguição aos judeus no país durante a Segunda Guerra Mundial. O acervo chama a atenção especialmente para o fato de aproximadamente 500 mil pessoas terem sido deportadas e mortas nos campos de concentração.

Às margens do rio Danúbio, outro memorial relembra igualmente a crueldade com que foi tratado esse grupo após a invasão nazista em 1944. Idealizado por um diretor de cinema húngaro, o monumento “Shoes on the Danube” apresenta dezenas de pares de sapatos esculpidos em metal, em homenagem às famílias judias que foram obrigadas a se despir antes de ser fuziladas.

Naquela época, alguns sobreviventes foram forçados a viver em guetos ou buscaram refúgio em esconderijos. Mais de 70 anos depois, um dos locais usados para abrigar dezenas de judeus das forças de ocupação na Hungria tornou-se um centro em que os jovens adventistas e seus amigos podem se encontrar, estudar e brincar. O Duna Youth Center (Centro Jovem Duna) abriu as portas na rua Székely Bertalan, em Budapeste, no mês de maio.

Aproximadamente 30 jovens compareceram à inauguração e ficaram muito felizes com a oportunidade de ver um antigo sonho realizado. Por muitos anos, a igreja nessa região sonhou em ter um lugar na capital onde os jovens pudessem se encontrar para conversar, ler e participar de atividades recreativas. “Para todos nós, é uma grande alegria ver o centro jovem finalmente inaugurado”, disseram os líderes locais na ocasião.

Além da ligação histórica, esse não será um porão qualquer, conforme destacou Erno Osz-Farkas, presidente de uma das sedes administrativas da igreja na região. “Geralmente, colocamos no porão o que desejamos esquecer ou jogar fora, mas o objetivo desse lugar é exatamente o contrário. Não vamos colocar aqui as coisas que queremos esquecer, e sim o que queremos guardar”, ressaltou.

Em uma placa, fixada acima da porta de entrada do centro comunitário, pode-se ler sobre o grande número de judeus que foram salvos naquele basement. “Gostaríamos de continuar a tradição fazendo deste porão um santuário para todo jovem que precisa de um pouco de tranquilidade, descanso, regeneração espiritual e boa companhia”, ele sublinhou.

Osz-Farkas acredita que esse espaço será um local em que a juventude húngara se sentirá à vontade para compartilhar experiências, se descontrair e ouvir a Palavra de Deus. O centro jovem está aberto todas as tardes e noites da semana, das 16h às 22h (aos sábados, até meia-noite). Visitantes são bem-vindos, especialmente os que querem aprender e descansar. O plano é que ali sejam organizadas atividades artísticas e recreativas para o público em geral, atraindo assim também os jovens que não são da igreja.

KRISZTINA SÁNDOR e BOLDIZSÁR ÓCSAI são colaboradores da Divisão Transeuropeia

(Publicada na edição de setembro de 2018 da Revista Adventista / Adventist World)

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