Concílio sul-americano

Testemunhos, batismos e ênfase na missão marcam o primeiro dia da reunião administrativa mais importante do ano para a Igreja Adventista no continente
Batizada pelo pastor Martin Kuhn, reitor do Centro Universitário Adventista de São Paulo (Unasp), Silvana Martins foi um dos frutos da educação adventista apresentados durante a abertura do Concílio Anual. Foto: Márcio Tonetti

No calendário adventista sul-americano, novembro é o mês em que ocorre a reunião administrativa mais importante da denominação no continente. O Concílio Anual dá o rumo do programa da igreja. Ali são aprovados projetos, nomeados líderes para funções administrativas e lançados materiais que serão utilizados pelos membros no ano seguinte. Além disso, esse também é um momento de renovar o foco, reafirmando o compromisso com a missão.

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Foi com essa ênfase que o pastor Erton Köhler, líder da igreja para oito países sul-americanos, abriu o Concílio Anual de 2018 na noite desta sexta-feira (9). Como ele destacou, a palavra que define a Igreja Adventista profeticamente é a missão. Ao dar as boas-vindas aos mais de 200 participantes, entre líderes de sedes administrativas estaduais (Uniões) e instituições da igreja (editoras, universidades, fábricas de alimentos e grupos de comunicação) e outros convidados, ele leu Mateus 28:18-20 e ressaltou que Deus concede toda a sua autoridade e poder, bem como a sua presença, para o cumprimento da grande comissão. Citando o teólogo Christopher Wright, que escreveu que “a missão de Deus é o que preenche o intervalo entre a dispersão das nações em Gênesis 11 e a cura das nações em Apocalipse 22”, o pastor Köhler reforçou que a missão precisa estar no centro das atenções da igreja do início ao fim. “Quando começamos com a missão, os resultados são melhores, mais fáceis e mais rápidos. Aumente a dose de missão e você vai diminuir a dose de problemas”, completou.

DA ESCOLA PARA O TANQUE BATISMAL

Embora aconteça todos os anos, o concílio sul-americano sempre surpreende pela criatividade, pelos testemunhos e batismos. Neste ano, a ênfase do programa de abertura foi no papel que a educação adventista tem exercido na pregação da mensagem. Um exemplo é a história da universitária Silvana Martins Pereira, moradora da Vila Matilde, bairro da zona leste de São Paulo. Seu contato inicial com a igreja se deu por meio do esposo, Marcos. Porém, foi em grande parte por influência da educação adventista que ela decidiu abraçar a nova fé. Depois de conhecer uma professora da rede, que coordena um polo do Unasp na região em que ela mora, Silvana começou a cursar a graduação em Pedagogia e aceitou estudar a Bíblia. O resultado foi visto na abertura do evento, quando ela contou seu testemunho e logo depois entrou no tanque batismal.

O ensino adventista também mudou o ritmo da vida de Franz Solórzan, músico boliviano. Apesar de ter sido educado em outra tradição religiosa, seus pais o matricularam no Colégio Adventista dos Andes. As marcas permaneceram e, anos depois, ele decidiu oferecer a oportunidade ao filho na mesma escola. Um dia, depois de ouvir o garotinho dizer que gostaria de ser pastor, ele se sentiu tocado e decidiu assumir um compromisso mais profundo com Cristo. Franz, que hoje é professor de uma escola adventista na Bolívia, também foi batizado juntamente com a esposa, Jimena, na cerimônia de abertura da programação.

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Além das duas histórias inspiradoras, a programação também trouxe exemplos do que a rede de ensino adventista tem feito para causar impacto na vida de alunos, professores e da comunidade. No Unasp, campus Engenheiro Coelho (SP), por exemplo, duas iniciativas têm se destacado. Uma delas é o projeto “Naamã”, que trabalha com a recuperação de dependentes químicos. O outro, chamado “Skate 4Him”, busca influenciar pessoas que cultivam esse hobby.

Já no Colégio Adventista de Diadema, na grande São Paulo, a ideia foi usar o futebol para evangelizar. Antes de ir para o treino, um grupo de 60 adolescentes participam de uma classe bíblica. Dois deles foram batizados em setembro como resultado do projeto “Futsalva”.

Outro projeto apresentado no programa foi o que acontece no distrito de Capoeiruçu, em Cachoeira (BA). Lá o projeto “Mentores em Missão” igualmente tem transformado a vida de uma comunidade carente. Atualmente, 130 alunos de diversos cursos, acompanhados de professores e funcionários da Faculdade Adventista da Bahia (Fadba), atendem 20 famílias e já levaram 17 pessoas ao batismo.

Por sua vez, a iniciativa “Medicando e Confortando o Coração”, promovida pela comunidade do Instituto Adventista Paranaense (IAP), busca fazer com que os alunos atuem como capelães voluntários num hospital público de Maringá.

O mesmo compromisso com a missão é visto em outros países sul-americanos. No ano de seu centésimo aniversário, que será comemorado em 2019, a Universidade Peruana Unión (UPeU) pretende enviar, por exemplo, cem missionários para atuar ao redor do mundo.

Ao ver os resultados da obra educacional na América do Sul, onde a rede conta com mais de 330 mil alunos, a diretora mundial do departamento de Educação da Igreja Adventista, Lisa Beardsley-Hardy, uma das convidadas da programação, afirmou que a educação adventista é sinônimo de evangelismo e que, portanto, ela nasceu com o propósito de salvar pessoas. “É o trabalho da redenção”, a educadora concluiu.

MÁRCIO TONETTI é editor associado da Revista Adventista

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