Água da vida

Como um projeto implantado pela igreja no interior do amazonas tem mudado a vida de uma comunidade
Priscila Baracho
Poço aberto pela igreja ajudou a melhorar as condições de saneamento básico de comunidade do interior do Amazonas. Foto: Alex Simões

Localizada na tríplice fronteira, onde o Brasil faz divisa com a Colômbia e o Peru, a cidade de Tabatinga tem pouco mais de 63 mil habitantes. Além dos nativos das etnias tikuna e kokama, o município possui uma população rotativa, que inclui militares das forças armadas, bancários e pessoas que trabalham para órgãos públicos.

Como na maioria das cidades no interior do Amazonas, não existem estradas que levam até o município. Para se deslocar até lá, é preciso viajar alguns dias de barco ou cerca de uma hora e meia de avião. A cidade é banhada por três grandes rios: Solimões, Içá e Japurá. Porém, mesmo com essa abundância de água ao redor, característica do estado, o acesso à água potável é precário em alguns locais.

Vista aérea do bairro Vila Nova Xingú 2, onde está sendo construído um templo adventista e oferecida assistência aos moradores. Foto: Alex Simões

Exatamente na fronteira do Brasil com a Colômbia, o bairro Vila Nova Xingú 2 concentra cerca de 100 famílias. Nesta localidade, onde será erguido um templo adventista que vai atender pessoas das três nacionalidades, a falta de água potável para os moradores era parte do dia a dia. Cerca de 300 pessoas que moram no bairro precisavam pedir água aos vizinhos que tinham poço particular ou caminhar até um igarapé para buscar o líquido. Essa era a rotina de Carmem Vargas. Tarefas comuns como lavar roupa, cozinhar e beber água eram verdadeiros desafios. “É muito longe ir até o igarapé para poder pegar água. Além disso, nesse local passa muita sujeira e lixo quando chove”, comenta a dona de casa.

A comunidade adventista percebeu a necessidade dos moradores. Foi através de um pequeno grupo implantado na casa do agricultor peruano Jose Luís Gonzales que tudo começou. Além do sonho de ter uma igreja adventista na fronteira dos países, eles também sentiram o desejo de serem relevantes para a comunidade. Com o apoio do projeto Amazônia de Esperança eles construíram um poço artesiano para suprir a necessidade dos moradores. O poço foi perfurado logo atrás da igreja que está sendo erguida. Agora todos têm acesso à água limpa para consumo. “Em nome da comunidade, agradeço pelo esforço que foi feito para que tivéssemos acesso à água potável para consumo e higiene. Os moradores do bairro sofriam muito”, ressalta Megan Rocío, uma das líderes locais.

Carmem está otimista com o fato de que agora não vai mais precisar buscar água longe de casa. Para Willy Castro, pastor local, os desafios são grandes, mas a missão está no coração dos membros. “Aqui temos um povo muito missionário e uma população receptiva ao evangelho”, ele frisa. Assim como em Tabatinga, o evangelho tem ganhado força em lugares distantes do estado através de projetos como o Amazônia de Esperança. “Isso só se torna possível graças aos voluntários que doam para o projeto”, destaca o líder de Missão Global na região, pastor Guilherme Chateaubriand. As doações tornam possível suprir tanto as necessidades espirituais quanto as necessidades físicas de milhares de pessoas. Estima-se que cerca de 35 mil comunidades no Amazonas nunca ouviram falar de Jesus. Os recursos enviados por voluntários e o desejo de levar a verdadeira esperança torna possível o avanço da missão.

PRISCILA BARACHO é assessora de comunicação da Igreja Adventista para a região central do Amazonas

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