Centro de apoio a refugiados

ADRA inaugura espaço que irá atender imigrantes venezuelanos na capital do Amazonas
Espaço inaugurado pela ADRA em Manaus (AM) irá oferecer diversos serviços para refugiados. Foto: Fernando Borges

Nos últimos anos, milhares de idosos, adultos e crianças atravessaram a fronteira venezuelana, fugindo da situação de miséria em que se encontra o país vizinho. Muitos deles têm buscado refúgio no Brasil. Assim que chegam aqui, essas pessoas fazem qualquer “bico” para sobreviver.

A presença desses estrangeiros em Manaus tem se tornado cada vez maior. Por isso, a regional da ADRA Brasil no Amazonas viu a necessidade de abrir o Centro de Apoio e Referência a Refugiados e Migrantes (CARE). No espaço localizado na avenida Maués, número 120, bairro Cachoeirinha, serão oferecidos serviços de orientação jurídica, agendamento de solicitação de refúgio, acompanhamento psicológico, tradução de currículos, aulas de português e ligações internacionais gratuitas para refugiados e migrantes que vivem em Manaus (AM). O projeto será coordenado pela regional da ADRA Brasil, em parceria com a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), o Fundo de Populações das Nações Unidas (UNFPA), a União Europeia e a prefeitura.

Por ocasião da inauguração do CARE, no dia 16 de dezembro, foram realizadas diversas ações, incluindo uma feira de saúde, distribuição de cestas básicas e oferecidos serviços como corte de cabelo, doações de livros, roupas e brinquedos.

A inauguração do CARE, em 16 de dezembro, foi marcada por diversas ações sociais que beneficiaram mais de 200 refugiados. Foto: Fernando Borges

Um grupo de 50 voluntários, incluindo voluntários da ADRA, da agência da ONU para refugiados e pessoas que ficaram sensibilizadas ao ouvir falar do projeto, se envolveu nas ações solidárias. Segundo Rosimélia Figueiredo, coordenadora do CARE, o núcleo estará aberto para a participação de pessoas de diferentes áreas que estejam dispostas as ajudar em qualquer dia da semana, seja em período integral ou por apenas algumas horas na semana.

Para Brad Mills, diretor da ADRA Brasil no estado, a região amazônica, em geral, apresenta muitos desafios. “Estamos numa região em que as pessoas têm menos acesso à saúde, educação, energia, a tudo. Mas, com a chegada de refugiados, a situação se agravou. Precisamos de mais recursos para poder suprir as necessidades dessas pessoas e, por isso, doações são fundamentais”, afirma.

A implantação do Centro de Apoio e Referência a Refugiados e Migrantes representa um marco para a cidade de Manaus, pois irá centralizar vários serviços. É o que destaca Sebastian Roa, chefe do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur) em Manaus, um dos parceiros da iniciativa. “A ideia é centralizar esses serviços e oferecer ações diferenciadas que possam tornar mais positiva a vinda dos refugiados à cidade”, ressalta.

Vidas transformadas

As ações realizadas durante a inauguração do núcleo da ADRA podem parecer simples para quem se envolveu, mas fizeram grande diferença na vida de quem foi beneficiado. Zuleika Velásquez foi uma das pessoas atendidas. Na Venezuela, a estudante de Jornalismo dividia o tempo entre dois empregos: como chefe de design gráfico e layout de um jornal e como funcionária de uma emissora de rádio. Mesmo assim, seu salário não dava para sobreviver por mais do que três dias. Ela mal conseguia comprar leite para o filho de três anos. Por isso ela, o marido e o filho foram para Manaus. “Tive que vender água e bolo no centro da cidade para sobreviver. Por isso, agradeço pela forma como estamos sendo atendidos no CARE. Não estamos recebendo apenas alimento ou outros serviços, mas apoio emocional. Há muitos precisando de um abraço, pois tiveram que deixar familiares para trás”, afirma Zuleika.

Steven Jose, de 38 anos, era auxiliar em um armazém na Venezuela, mas está desempregado no Brasil. “O dia aqui está maravilhoso! A ajuda que estão prestando a nós, venezuelanos, é muito boa. É muito importante que brasileiros e venezuelanos sejam unidos, ajudem uns aos outros!”, enfatizou ao ser atendido no dia da inauguração do CARE.

Já María Eugenia Daso destaca que, além de ter sido beneficiada, um dia ela também deseja ser uma voluntária. “Vocês não imaginam a grande ajuda que prestaram a mim e aos meus três filhos. Algum dia gostaria de ser voluntária porque, assim como vocês me ajudaram, a minha forma de agradecer-lhes é colaborando voluntariamente”, declarou.

No próximo domingo (23), a Igreja Adventista do Sétimo Dia, por meio da ADRA e da ASA (Ação Solidária Adventista), irá promover um almoço especial de Natal para cerca de 150 refugiados venezuelanos no CARE.

CÍGREDY NEVES é jornalista e mora em Manaus (AM)

Veja também

História do adventismo na Europa

Novo livro mostra como a igreja no Velho Continente desempenhou um papel importante no envio de missionários para várias partes do mundo.