Tempo de reconciliação

As festividades de fim de ano sempre são uma oportunidade de fazer um balanço da vida e restaurar relacionamentos
Crédito: Adobe Stock

O cravo brigou com a rosa debaixo de uma sacada. O cravo ficou ferido e a rosa despedaçada. O cravo ficou doente. A rosa foi visitar. O cravo teve um desmaio, a rosa pôs-se a chorar. Essa conhecida canção popular ilustra bem a experiência que todos já tivemos de, em algum momento, ter rompido um relacionamento em que, no fundo, as duas partes envolvidas lamentam a dissolução.

Se você já falou o que não devia e ouviu o que não queria, saiba que não está sozinho. A lista dos que passaram por isso é grande e aumentou consideravelmente nos últimos meses. Acalorados por divergências ideológicas e políticas, entramos num verdadeiro tsunami de desentendimentos. Seja nas mídias sociais ou pessoalmente, filhos e pais, irmãos e irmãs, cônjuges e namorados, amigos e colegas, gestores e funcionários não conseguiam dialogar. O cenário de devastação nos afetos ainda é visível e sabe-se lá quando vai ser modificado. Porém, uma coisa é certa: não temos todo o tempo do mundo.

As razões para divergência podem ser variadas, mas quem reconhece a brevidade da vida preza a segunda chance, por andar a segunda milha, por chegar em segundo lugar, mas ter com quem celebrar. Ou será que somos mais felizes quando “ganhamos” uma discussão e perdemos um relacionamento significativo? As pessoas são únicas e têm sensibilidade e tolerância variadas, mas às vezes todos nós exageramos e precisamos retroceder. Não necessariamente em nossa forma de pensar, mas em nosso modo de tratar e conviver. Afinal, todos habitamos no mesmo planeta e não temos para onde fugir.

Refletindo em tantos laços desfeitos ao longo de 2018, creio que a palavra reconciliação seja uma das mais adequadas para esta época do ano. Muita gente precisa restabelecer relações e daria tudo para voltar a certo momento e recolher as ofensas que distribuiu deliberadamente… Contudo, as palavras não podem ser recolhidas. São como um saco de plumas soltas no topo de uma montanha. Então o jeito é construir uma nova ponte sobre o abismo que se criou. Porém, como fazer isso?

Se você se desentendeu feio com alguém, precisa avaliar a intensidade da briga, saber o que deseja do relacionamento daqui em diante e dar a si mesmo um tempo para tentar se colocar no lugar do outro, pensando em como se sentiria caso estivesse no lugar dele. Bondade e gentileza são necessárias se você decidir fazer um novo contato. Por isso, assuma a responsabilidade e tente reconstruir o respeito e a confiança novamente. Não se esqueça de ser humilde. Saiba que provavelmente aquela pessoa querida também esteja sofrendo e almejando uma oportunidade de resolver as coisas com você.

Acordo, conciliação, congraçamento, harmonia e concordância. Todas essas palavras são bem-vindas e necessárias em nossa trajetória de vida. Como consta numa postagem que recebi há pouco tempo: “Independentemente do lado em que você esteja, cultive a paz!”

TALITA CASTELÃO é psicóloga clínica, sexóloga e doutora em Ciências

(Publicado originalmente na edição de dezembro de 2018 da Revista Adventista)

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