Desafio à beira-mar

A presença adventista em algumas cidades do litoral paulista ainda é pequena, mas a igreja tem buscado se tornar relevante nesses lugares
Isadora Schmitt Caccia
Com uma população de 450 mil pessoas, Santos é a cidade do litoral paulista que tem a menor proporção de adventistas por habitantes. Foto: Adobe Stock

No fim de 2014, a igreja no estado de São Paulo entendeu que precisava realizar uma nova divisão de território a fim de atender melhor algumas regiões específicas. Com a criação da Associação Paulista Sudeste (APSe), sede administrativa que abrange as regiões do ABCD Paulista e da Baixada Santista, a evangelização de cidades litorâneas com pouca presença adventista passou a receber maior ênfase.

Uma das maneiras de ampliar a influência da igreja na região foi abrir novas escolas. Há quatro anos, a região contava apenas com o Colégio Adventista de Santos. Porém, em 2015 foi inaugurada uma nova unidade em Praia Grande que já tem mais de 800 alunos. O objetivo para os próximos quatro anos é a criação de outro colégio no Guarujá. Somado a isso, a denominação investiu nos projetos que já vinham sendo realizados pela ADRA nos municípios de Cubatão, Itanhaém e Bertioga. Os três núcleos que atendem 420 crianças em situação de vulnerabilidade social têm ajudado a mudar a realidade de algumas comunidades.

Apesar disso, o litoral paulista continua sendo um campo missionário desafiador. Santos é o município com menor presença do adventismo nessa região. Lá existem apenas dois templos, que congregam pouco mais de mil membros em meio a uma população de 450 mil habitantes.

A secularização é uma das barreiras para se chegar às pessoas da cidade, que está na lista das que oferecem mais qualidade de vida e, segundo o último censo do IBGE, é a 17ª mais rica do país e a 6ª no ranking dos municípios com maior Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM). “Devido à forte secularização no estilo de vida dos moradores da cidade, o evangelho encontra um pouco mais de resistência ali”, afirma o pastor Emílio Abdala, líder do departamento de Evangelismo da sede administrativa da igreja no estado.

Isso tem demandado estratégias mais contextualizadas. Além das igrejas Central de Santos e Vila São Jorge, nos últimos anos foi estabelecida também uma home church, que funciona num espaço alugado no centro da cidade. Há ainda um grupo que se reúne há mais de dez anos no bairro da Ponta da Praia. Em virtude do alto custo e da dificuldade de encontrar imóveis na cidade, a congregação ainda não possui sede própria.

Para o pastor Oliveiros Ferreira, líder da igreja para essa região do estado, a cidade de Santos é uma das prioridades do programa de evangelismo da Associação Paulista Sudeste. Por isso, uma nova congregação está sendo plantada no Morro São Bento, bairro histórico que concentra cerca de 42 mil moradores. “Já alugamos um salão e temos planos para a compra de um imóvel. A ideia é consolidar um trabalho que servirá de referência para o trabalho nos outros morros de Santos. A Igreja Central da cidade e alguns pastores também estão estabelecendo um clube de desbravadores no local”, o pastor Oliveiros relata.

Alvo de Missão Global da Divisão Sul-Americana, Santos já foi palco de grandes campanhas evangelísticas, realizadas nos últimos anos com o apoio de estudantes de Teologia. Também foram contratados um capelão para desenvolver um trabalho mais estratégico no colégio e um líder associado do departamento de Evangelismo.

O pastor Oliveiros acredita que a abordagem das missões urbanas seja um pouco diferente de décadas atrás e, por isso, a igreja precisa diversificar as abordagens para ser relevante em contextos como esse. “Apesar das barreiras, tenho certeza de que a mensagem de salvação vai impactar muitas pessoas e vidas serão transformadas nesta maravilhosa cidade”, ele conclui.

ISADORA SCHMITT CACCIA é jornalista e atua como assessora de comunicação da Associação Paulista Sudeste

(Texto publicado na edição de janeiro de 2019 da Revista Adventista

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