Antídoto para a insônia

Dormir se tornou um luxo para a maioria das pessoas, mas a confiança em Deus pode ajudar a ter uma boa noite de sono, segundo novo estudo
MATEUS TEIXEIRA
Insônia nem sempre tem que ver com falta de fé, mas a ciência tem comprovado que pessoas religiosas têm mais facilidade para dormir. Foto: AdobeStock

A falta de sono se tornou um problema de saúde pública. Somente no Brasil, 36,5% da população sofre de insônia, segundo a Associação Brasileira do Sono. De acordo com os especialistas, múltiplos fatores contribuem para que tanta gente passe a noite em claro.

O problema pode estar associado às tensões musculares e à frequência cardíaca acelerada, bem como a tensões emocionais. Tudo isso pode impedir o corpo e o cérebro de “desligarem” por algumas horas.

No entanto, segundo a National Sleep Foundation, entre as causas mais comuns de insônia também estão hábitos que dificultam a chegada do sono, como o uso de celulares, tablets e computadores, o consumo de alimentos estimulantes e a realização de atividades agitadas pouco antes do horário de dormir.

Além do cansaço e das frequentes dores de cabeça, a falta de sono pode trazer problemas mais sérios inclusive para o coração. Outra pesquisa realizada em 2016 pela Agência Nacional francesa de Segurança Sanitária e de Alimentação, Meio Ambiente e Trabalho demonstrou que problemas cardíacos e metabólicos são mais comuns em pessoas que trabalham no período noturno.

Respeitar o ritmo biológico, evitar hábitos que prejudicam o sono e controlar o estresse é, sem dúvida, fundamental para ter uma boa noite de repouso. Mas as pesquisam têm mostrado que outros fatores também desempenham um papel importante. Um deles é a religiosidade. “Em paz me deito e logo pego no sono, porque, Senhor, só Tu me fazes repousar seguro” (Salmo 4:8). De maneira poética, nessa conhecida passagem bíblica, Davi retratou um fato que milênios depois começa a despertar o interesse da comunidade científica.

Em janeiro, por exemplo, pesquisadores da Universidade do Texas, da Universidade do Arizona e da Universidade da Carolina do Norte publicaram no Journal for the Scientific Study of Religion os resultados de um estudo que avaliou o impacto da fé na qualidade do sono.

Nas últimas três décadas, várias pesquisas mostraram que a religiosidade está associada à melhoria da saúde física e mental e, consequentemente, ao menor risco de mortalidade. No entanto, conforme os autores da pesquisa analisaram em outro artigo publicado no Journal of the National Sleep Foundation no ano passado, a relação entre a religiosidade e o sono é um campo quase inexplorado.

Fé que restaura o sono

Os sociólogos concluíram que os que acreditam na salvação e têm um relacionamento inabalável com Deus tendem a dormir mais, adormecem mais rápido e se sentem mais descansados pela manhã. “A pesquisa também mostra que a religião pode promover indiretamente o sono, protegendo contra outros fatores de risco, como o estresse”, acrescenta Terrence D. Hill, professor associado da Escola de Sociologia da Universidade do Arizona e coautor do estudo intitulado “Sleep Quality and the Stress?Buffering Role of Religious Involvement: A Mediated Moderation Analysis”.

“Por todas essas razões, é plausível que pessoas que frequentam regularmente a igreja experimentem menos agitação na esteira de eventos negativos na vida e, em última análise, melhor qualidade de sono”, afirmam os pesquisadores em um relatório publicado no site do periódico (para acessar o documento na íntegra, em inglês, clique aqui).

De acordo com os pesquisadores, ao participarem de uma comunidade religiosa as pessoas compartilham crenças em comum e isso gera um espírito de solidariedade e um senso de propósito que ajudam a lidar com as tensões da vida. Essas crenças, conforme frisa Hill, levam as pessoas a se sentirem menos estressadas, mais felizes e a ter esperança, o que certamente garante um sono restaurador.

Para os autores do estudo, “os crentes podem ser incapazes de compreender por que o infortúnio lhes ocorreu, mas podem dormir melhor à noite, sabendo que o Universo está sob o olhar atento de uma divindade que, no final do dia, permanece profundamente preocupada com o bem-estar do mundo e de seus habitantes”. Ou seja, a fé atua como um “multiplicador de forças” para superar as adversidades que possam tirar o sono. “Grandes eventos da vida envolvendo perda ou outras mudanças fundamentais são, portanto, passíveis de ser percebidos como menos ameaçadores”, diz o relatório do estudo.

As conclusões foram semelhantes às de outra pesquisa realizada no ano passado com militares norte-americanos. Constatou-se que as crenças religiosas/espirituais dos soldados diminuíam significativamente os efeitos de experiências traumáticas de combate sobre distúrbios do sono.

“Nunca tive problemas para dormir, mas sempre me senti muito seguro com Deus antes de me deitar. Quando sigo as regras Dele, não preciso me preocupar com o amanhã, e posso dormir tranquilo. Quando entendo que Ele é o Sustentador de tudo, então consigo deixar minha ansiedade de lado e descansar”, afirma Luiz Augusto da Silva, de 24 anos, estudante de teologia e psicologia.

MATEUS TEIXEIRA é estudante de Teologia e Jornalismo na Universidad Adventista del Plata, na Argentina (Com informações do site Religion News Service)

Veja também

Vítima do massacre

Um dos estudantes mortos pelos atiradores em Suzano era adventista.