Apoio mundial

Ofertas da igreja ao redor do globo beneficiarão projetos missionários na África de língua portuguesa
MATEUS TEIXEIRA
Depois de receber apoio financeiro da igreja mundial em 2015, a Divisão Sul-Africana Oceano Índico será novamente beneficiada com as ofertas missionárias. Parte dos recursos será destinada à expansão do departamento de Nutrição da Universidade Adventista de Moçambique. Foto: Divisão Sul-Africana Oceano Índico

Apesar de estarem separados por quase 4 mil quilômetros, nos extremos do continente, Moçambique e São Tomé e Príncipe são unidos pelo idioma e por grandes necessidades. Os dois países de língua portuguesa na África, que pertencem ao território da Divisão Sul-Africana Oceano Índico, serão o destino das ofertas missionárias do primeiro trimestre.

Os recursos provenientes de todo o mundo tornarão possível o estabelecimento de um centro de reabilitação de dependentes químicos, bem como a construção de uma nova igreja para alcançar públicos diferenciados e de um auditório multifuncional para uma escola de ensino fundamental e médio em São Tomé e Príncipe. Já no caso de Moçambique, as ofertas missionárias ajudarão na construção de uma escola e de um orfanato para crianças cujos pais foram vítimas do HIV. Outra parte dos recursos será destinada à expansão do Departamento de Alimentação e Nutrição da universidade adventista no país.

Depois de aceitarem o chamado para servir na Universidade Adventista de Moçambique (UAM), em 2016, o pastor Heraldo Lopes e a esposa, Malu, notaram que a desnutrição entre os próprios alunos era um dos problemas que demandavam atenção. Certa vez, Heraldo encontrou um rapaz cozinhando uma pequena porção de arroz com um pouco de repolho e ouviu dele que aquela seria a única refeição do dia para uma família de três integrantes. Sabendo que os estudantes não conseguiriam ter um bom aproveitamento na escola se estivessem com fome, o casal foi em busca de ajuda. A primeira resposta às orações foi uma doação feita por um missionário para a construção de uma cantina, o que possibilitou refeições diárias para todos.

Com o passar do tempo, a universidade ganhou novos prédios e áreas de estudo. A igreja da UAM, que estava em péssimas condições, foi reformada. Uma nova biblioteca também foi construída no campus e novos livros foram doados para o acervo. Como resultado, a universidade recebeu o mais alto nível de credenciamento concedido pelo governo do país. Além disso, a implantação de um instituto de missões fortaleceu o trabalho de preparar missionários.

Nos últimos anos, a igreja também cresceu no arquipélago de São Tomé e Príncipe, o segundo menor país da África e uma das menores economias do continente africano. Em três anos, o número de igrejas nesse território saltou de 70 para 110. Graças a projetos como a Missão Calebe e às transmissões da TV Novo Tempo, a igreja se tornou mais conhecida e respeitada pelas autoridades locais e a população em geral.

No entanto, o adventismo na região continua tendo necessidade do básico para poder trabalhar. Como conta Fernando Lopes, brasileiro que administra a sede adventista no arquipélago, faltam Bíblias e outros materiais evangelísticos, por exemplo. O pastor Fernando conta que, certa vez, recebeu em sua casa um jovem que lhe pediu um exemplar das Escrituras. Ministrar estudos bíblicos sem ter uma Bíblia em mãos era motivo de constrangimento para o rapaz. “Ao receber o livro de presente, o jovem disse emocionado: ‘Agora o soldado vai armado para a guerra’”, conta Lopes.

Graças à generosidade de adventistas espalhados pelo mundo e do envio de Bíblias, guias de estudo e outros materiais, como fez recentemente a CPB, novas frentes de trabalho devem se abrir na África.

MATEUS TEIXEIRA é estudante de Teologia e Jornalismo na Universidade Adventista del Plata, na Argentina

(Matéria publicada na edição de março de 2019 da Revista Adventista)

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