Nota de falecimento

Morre aos 90 anos o pastor Anísio Chagas, entusiasta da comunicação que abriu portas para a mensagem adventista na esfera pública 
O pastor Anísio deixa esposa, Jurema, três filhos e cinco netos. Foto: arquivo da família

O fato de ter sido alfabetizado somente aos 12 anos de idade não impediu que Anísio Chagas se tornasse um assíduo leitor, escritor e influente pastor adventista. O ministério desse entusiasta da comunicação, que abriu portas para a igreja na imprensa secular e levou o adventismo para a esfera pública, teve fim nesta quinta-feira, 4 de abril. Anísio Chagas, que completaria 91 anos no dia 17, morreu em Indaial, interior de Santa Catarina, vítima de pneumonia. Deixa a esposa, Jurema, três filhos (Jason, Silvano e Suzana) e cinco netos. O corpo do pioneiro será velado na Igreja Adventista Central de Indaial a partir das 9h deste sábado e às 14h seguirá para o Cemitério da Esperança de Gaspar Alto, no município de Gaspar (SC), onde será sepultado.

Legado

Como ele mesmo relatou no livro Minha Vida de Pastor, organizado pelo pastor Tércio Marques (Certeza Editorial, 2007), sua trajetória se assemelhou à do profeta Amós. O mineiro de Santa Maria do Salto deixou as atividades humildes para ser um porta-voz da mensagem de salvação. Anísio foi criado no meio rural, na região do Vale do Jequitinhonha, onde, desde cedo, aprendeu a lidar com a terra e a trabalhar duro. Apesar da dificuldade de acesso à escola, o terceiro da lista de dez filhos do casal André Chagas dos Santos e Ciolanda Rocha Chagas aprendeu a ler por iniciativa própria.

O primeiro a aceitar a mensagem adventista na família, ele despertou para a importância da cultura e das letras graças à leitura de livros e revistas da Casa Publicadora Brasileira (CPB) distribuídos em sua região pelos colportores adventistas. Dali em diante, Anísio se tornou leitor voraz, hábito que manteve até poucos dias antes de falecer. Além de literatura religiosa, lia todos os dias o Diário Catarinense e outros jornais.

Dedicado à obra de Deus e às relações públicas, ele manteve contato com pessoas importantes do meio jornalístico e político, e sempre usou sua influência para ajudar quem precisava. No Rio de Janeiro, tornou-se membro da Associação Brasileira de Relações Públicas (ABRP). Em Santa Catarina, ele também manteve contato com as autoridades. Uma experiência marcante foi quando, em janeiro de 1999, o então governador de Santa Catarina, Esperidião Amin, o convidou para fazer uma oração em seu escritório. Na ocasião, o pastor apresentou um breve estudo da Bíblia sobre administração e a atitude adequada dos governantes. A partir dali, os dois se tornaram grandes amigos.

Anísio Chagas se aposentou aos 65 anos, mas não perdeu o contato com a imprensa secular nem com as autoridades públicas. Seu objetivo sempre foi “construir pontes e não levantar muros”, conforme escreveu o jornalista Ruben Holdorf no e-book História da Comunicação Adventista no Brasil (Unaspress, 2009). Durante grande parte do seu ministério, dedicou-se a publicar textos que relacionavam os valores cristãos aos fatos da atualidade. De 1986 a 1992, por exemplo, manteve uma coluna opinativa semanal no Diário Catarinense e no jornal Zero Hora de Porto Alegre. Por sua dedicação e talento para a escrita, chegou a atuar como conselheiro da Associação Catarinense de Imprensa. Além de suas colaborações escritas, manteve no ar um programa de TV chamado Encontro com a Vida, transmitido pela principal emissora gaúcha, a RBS TV. Mais tarde, o programa passou a se chamar Está Escrito. Já em Santa Catarina apresentou o programa Gotas de Fé, na afiliada local da TV Band.

Anísio foi pastor da Igreja Central de Recife e de Brasília, entre outras. Foi professor de religião no Instituto Adventista Cruzeiro do Sul (IACS) e trabalhou nas áreas de publicações, comunicação, família e assistência social em sedes administrativas de Pernambuco, Rio de Janeiro e Santa Catarina. Depois de aposentado, dedicou-se intensamente ao ministério voltado para os idosos e chegou a fazer parte da Associação Nacional de Gerontologia.

Nas palavras do pastor Apolo Abrascio, presidente da Associação Catarinense, o pastor Anísio Chagas foi um homem de visão e ação. “Santa Catarina foi privilegiada por receber diversos anos de seu ministério, nos quais suas pregações alimentaram as igrejas, seus artigos foram impressos em jornais, sua voz ecoou pelas rádios e sua pessoa se apresentou em TVs importantes em todo o estado”, ele ressalta.

O pastor Rafael Rossi, líder de Comunicação da Igreja Adventista para oito países sul-americanos, acrescenta que ele ousou e inovou em um tempo em que poucas pessoas conheciam a força dos meios de comunicação. “A igreja continuará com o legado de sua paixão e compromisso”, frisa. [Equipe RA, da Redação / Com informações de Michelson Borges, Márcio Tonetti e Felipe Lemos]

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