Casamento tradicional

Decisão da Igreja Metodista reflete o dilema do cristianismo diante das pressões culturais
WELLINGTON BARBOSA
Foto: Unsplash

No fim de fevereiro, a Igreja Metodista Unida, terceiro maior grupo religioso dos Estados Unidos, discutiu em sua Assembleia Geral dois assuntos relacionados ao público LGBT: a aprovação do casamento entre pessoas do mesmo sexo e a ordenação de homossexuais praticantes ao ministério. Após dias de debates, os delegados metodistas decidiram (por 438 a 384 votos) manter a proibição de ambos os ritos, conforme prescreve o manual da denominação.

A votação acirrada foi destaque na imprensa norte-americana e evidenciou a pressão que as igrejas cristãs estão vivendo nas últimas décadas em relação ao tema. Por um lado, instituições como a Igreja Presbiteriana dos Estados Unidos (PCUSA) estão casando e ordenando homossexuais. Por outro, denominações como a Igreja Batista têm mantido a posição convencional.

E o que a Igreja Adventista do Sétimo Dia pensa sobre o assunto? Por meio de declarações oficiais, a denominação tem procurado apresentar uma posição sensata a respeito do tema. Por exemplo, no documento “Homossexualidade” (1999), a igreja destacou “que cada ser humano é precioso à vista de Deus”, mas “a Bíblia não faz ajustes para incluir atividades ou relacionamentos homossexuais”. Diante disso, “os adventistas empenham-se por seguir a instrução e o exemplo de Jesus. Ele afirmou a dignidade de todos os seres humanos e estendeu a mão compassivamente a todas as pessoas e famílias que sofriam a consequência do pecado. […] Mas fez distinção entre Seu amor pelos pecadores e Seus claros ensinos sobre as práticas pecaminosas” (Declarações da Igreja, CPB, 2012, p. 104).

Em relação ao casamento homoafetivo, a declaração intitulada “União homossexual e casamento cristão” (2004) reiterou a posição apresentada anteriormente e acrescentou: “Não toleramos que qualquer grupo sofra escárnio ou ridículo, muito menos abuso. No entanto, é muito claro que a Palavra de Deus não aprova um estilo de vida homossexual” (p. 106).

O último documento, “Declaração sobre transgêneros” (2017), entre outros pontos, afirmou: “O fato de alguns indivíduos alegarem uma identidade de gênero incompatível com seu sexo biológico revela uma grave dicotomia. Essa debilidade ou angústia […] é uma expressão dos efeitos danosos do pecado sobre os seres humanos e pode ter diversas causas”; no entanto, “aqueles que experimentam desajuste entre seu sexo biológico e sua identidade de gênero são incentivados a seguir os princípios bíblicos ao lidar com sua angústia” (Revista Adventista, maio de 2017, p. 36 e 37; ­disponível aqui).

Assim, os documentos da Igreja Adventista têm demonstrado, ao longo dos anos, sensibilidade em relação aos desafios que os homossexuais enfrentam e, ao mesmo tempo, ressaltado o compromisso com os padrões bíblicos. Portanto, os membros da igreja devem refletir a atitude de Cristo ao acolher e auxiliar aqueles que têm lutas em relação à sua orientação sexual, a fim de que esses tenham uma perspectiva correta da justiça e misericórdia de Deus, as duas faces de Seu amor.

WELLINGTON BARBOSA é pastor, editor da revista Ministério e doutorando em Ministério pela Universidade Andrews (EUA)

(Texto publicado originalmente na edição de abril da Revista Adventista)

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