Saúde financeira

Revista Forbes chama a atenção para a maneira como os membros da igreja em Loma Linda (EUA) administram as finanças e o estilo de vida
MARCOS PASEGGI
Foto: Adobe Stock

Recentemente, o site de uma das principais revistas de negócios dos Estados Unidos publicou um artigo sobre os adventistas do sétimo dia e sua relação com o dinheiro e a saúde. De autoria do colaborador Richard Eisenberg, a matéria foi divulgada pela Forbes com o título “How the Oldest People in America’s Blue Zone Make Their Money Last” (Como as pessoas mais velhas da Zona Azul da América fazem seu dinheiro durar, em tradução livre).

O autor visitou Loma Linda, na Califórnia (EUA), uma das chamadas Zonas Azuis, termo cunhado pelo jornalista Dan Buettner para designar os “bolsões de longevidade” ao redor do mundo. Loma Linda é considerada um desses redutos, uma vez que uma porcentagem significativa de seus moradores é saudável e ativa até os 80, 90 ou até mesmo aos 100 anos. Muitos desses residentes são adventistas do sétimo dia, como o artigo reconhece.

Eisenberg buscou mostrar como os adventistas do sétimo dia se alimentam, trabalham, se exercitam, se mantêm socialmente ativos e – em sintonia com o foco da revista Forbes mas finanças e investimentos – como eles poupam e gastam o dinheiro, especialmente durante a aposentadoria. 

Além das escolhas alimentares

Não é de surpreender que a matéria da Forbes tenha mencionado que os adventistas do sétimo dia – que Eisenberg descreveu como “energéticos, otimistas e sociais” – “tipicamente não bebem álcool ou fumam”. Ele também escreveu que “eles são frequentemente veganos e gostam de nozes”.

Mas o autor não se debruçou tanto nas escolhas alimentares. Ele enfatizou o hábito da população de praticar exercício físico regularmente, se recrear e cultivar laços sociais. Eisenberg citou o prefeito de Loma Linda, Jarb Thaipejr, que lhe disse: “A vitalidade é um bom termo para os idosos de Loma Linda. Há uma mentalidade diferente. Em vez de competir, as pessoas são mais focadas em viver em comunidade e em demonstrar compaixão e cooperação”.

Eisenberg também ouviu Michael Orlich, um dos principais responsáveis pelos estudos da saúde dos adventistas na Universidade de Loma Linda. Pesquisas realizadas com o grupo demonstraram que esse grupo é menos propenso a desenvolver doenças cardiovasculares e vários tipos de câncer.

Os adventistas e o dinheiro

Como era de se esperar, a Forbes deu ênfase especial na relação dos adventistas do sétimo dia com o dinheiro, especialmente durante os anos de aposentadoria. Eisenberg mencionou que, nos Estados Unidos, ficar sem dinheiro antes que uma pessoa morra foi recentemente classificado como o medo número um dos idosos.

Porém, Eisenberg percebeu que os adventistas de Loma Linda têm uma atitude diferente. “A razão pela qual eles não se preocupam em ficar sem dinheiro é que eles economizaram e investiram diligentemente”, ele escreveu.

O artigo da revista Forbes também citou o pastor aposentado Dan Matthews, que explicou a Eisenberg como o dízimo e as ofertas funcionam para os adventistas do sétimo dia. “Nenhum dinheiro que ganhamos é totalmente nosso; 90% é nosso e 10% pertence a Deus”, disse Matthews.

Eisenberg também enfatizou a sobriedade dos adventistas de Loma Linda, já que eles não gastam com cigarros e álcool, evitam comprar carne, cultivam seus próprios vegetais e comem em restaurantes com moderação.

Onde a saúde e o dinheiro se cruzam

A Forbes ainda mencionou a interseção entre saúde e dinheiro, conforme o autor do texto percebeu nessa comunidade norte-americana. Dieta e exercício, explica o artigo, podem ajudar a manter baixos os custos dos cuidados de saúde.

O autor do artigo também enfatizou o papel dos grupos de estudo da Bíblia e dos círculos de amizade. Segundo Eisenberg, isso “ajuda a aliviar as preocupações com o dinheiro”. “Os adventistas de Loma Linda tendem a ser alegres e sociáveis, o que reduz os níveis de estresse e, por sua vez, os custos de saúde”, escreveu Eisenberg. Ele citou Leland Juhl, de 94 anos, que disse: “O estresse é definitivamente um assassino; orando e entregando as coisas ao Senhor, há menos estresse”.

Dignos de imitação

A matéria elogiosa de Eisenberg convidou os leitores a tomar nota das lições que os adventistas do sétimo dia de Loma Linda tem a ensinar no que diz respeito ao gerenciamento das finanças e da saúde.

Ele enfatizou que isso começa cuidando da saúde de alguém. De acordo com Eisenberg, isso não só pode economizar milhares de dólares em custos de saúde durante os anos de aposentadoria, mas também ajudar alguém a ser mais intencional no planejamento financeiro. “Como as pessoas mais velhas em Loma Linda esperam viver uma vida longa, elas planejam formas intencionais de vivê-las bem e não ficar sem dinheiro”, escreveu Eisenberg.

Ele também sugeriu aos leitores que imitem a diligência dos adventistas como forma de se manter mental e fisicamente em forma. Sobre esse ponto, ele chamou a atenção para uma declaração de Bob Bass, morador de Loma Linda, que disse: “Trabalhar não apenas fornece renda; ajuda você a ficar mentalmente engajado, e isso é bom para a sua saúde”. É uma diligência, escreve Eisenberg, que inclui um dia de descanso necessário, pois os adventistas não trabalham desde o pôr do sol de sexta-feira até o pôr do sol de sábado.

Richard Eisenberg concluiu o texto dizendo que cuidar da saúde, manter bons relacionamentos, planejar os investimentos e aproveitar as iniciativas do governo para os idosos podem ajudar as pessoas a viver melhor na terceira idade. Segundo o autor, essas práticas “poderiam ajudar as pessoas a fazer seu dinheiro durar em qualquer lugar”.

MARCOS PASEGGI atua na equipe da Adventist Review       

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