Presente para os peruanos

Universidade adventista comemora centenário entregando 2 milhões de livros 
CARLOS HENRIQUE NUNES
Mais de 50 mil adventistas compareceram ao estádio monumental do Universitário de Deportes para a programação que celebrou os 100 anos da Universidad Peruana Unión e mobilizou os membros para uma distribuição de livros que entrou para a história da igreja no país. Foto: Divulgação

Sim, o Peru lê… e lê literatura cristã adventista! Isso é o que se pode dizer, ou pelo menos que se espera, depois de terem sido distribuídos 2 milhões de exemplares do livro Esperança para a Família na grande cidade de Lima, capital do país, no dia 4 de maio. As primícias peruanas do grande movimento de distribuição de literatura, que ocorrerá no próximo dia 25 nos oito países que compõem a Divisão Sul-Americana da Igreja Adventista do Sétimo Dia, estiveram conectadas às festividades do centenário da Universidad Peruana Unión (UPeU).

“Fico muito feliz em ver que a igreja no Peru escolheu celebrar o centenário da sua universidade cumprindo a missão”, declarou o pastor Erton Köhler, líder sul-americano da denominação. “A maior parte das festas institucionais é comemorada relembrando a história, fotos e pioneiros, mas a UPeU decidiu ir para as ruas e cumprir a missão. Para mim, essa é a marca do seu centenário”, ele acrescentou. O presidente da igreja mundial, pastor Ted Wilson, também foi testemunha da celebração que reuniu mais de 50 mil fiéis adventistas no estádio monumental do Universitário de Deportes, conhecido como “LaU”, um dos clubes de futebol mais tradicionais do Peru. Mais de 3 mil ônibus levaram membros das quatro regiões administrativas da igreja na cidade.

Pr. Ted Wilson, líder mundial dos adventistas, prestigiou a grande concentração que resultou na entrega de 2 milhões de livros na região metropolitana da capital peruana. Foto: Divulgação

O plano estratégico de marketing teve uma face interna, o conhecido Impacto Esperança, e outra externa, a campanha “Perú si lee” (Sim, o Peru lê, em tradução livre), que escolheu e nomeou formadores de opinião da sociedade civil organizada de Lima como “embaixadores”. Entre eles, o brasileiro naturalizado peruano Júlio César de Andrade Moura, o Julinho, ex-jogador da seleção peruana de futebol. Para chegar a cada casa da região metropolitana de Lima, mais de 100 mil adventistas se espalharam pelos diferentes territórios eclesiásticos e bairros da metrópole com mais de 10 milhões de habitantes. “É a maior distribuição de literatura realizada em uma única cidade de uma só vez desde que se criou o Impacto Esperança há 11 anos”, afirmou o pastor Köhler. Para ele, a igreja no Peru sempre teve a característica missionária como marca registrada. “Uma igreja aberta, comprometida, que não tem medo de testemunhar, que serve à comunidade e prega o evangelho. Distribuir 2 milhões de livros mostra ousadia em quebrar barreiras”, finalizou o líder adventista.

História institucional

O início da trajetória da Universidad Peruana Unión remonta ao ano de 1919, quando a região leste da capital peruana, onde somente existiam chácaras de cultivo de milho, criação de gado leiteiro e algumas poucas agrupações de casas ao redor do povoado de “Virgen del Carmo de La Era”, deu lugar ao campus que, até 1944, era conhecido como Instituto Industrial. Em 1969, passou a ser chamado de Colégio Unión. A história que se conecta com a missão da igreja no país esteve ligada à antiga União Incaica, que reunia estudantes da Bolívia, do Peru e do Equador, países que formavam a entidade administrativa eclesiástica de então. A visão de crescimento institucional logo elevou o patamar da casa de estudos a Centro de Educação Superior Unión (CESU), entre os anos 1969 e 1983.

Sede de um dos mais característicos fenômenos migratórios do país, a UPeU reuniu em torno de si um sem número de famílias adventistas que, saindo das zonas de selva e serra do interior do país, fizeram do bairro limenho retirado um oásis adventista em seus primeiros anos de vida institucional. “Aqui, éramos literalmente uma família. É verdade que o crescimento veio, e damos glória a Deus por isso! Mas hoje é possível que poucos se conheçam dentro do campus”, mencionou Alejandro Bullón, um dos mais proeminentes egressos de Teologia da universidade, que participou das celebrações lançando uma edição especial de seu primeiro livro, escrito aos 17 anos, quando ainda era aluno da instituição, a coleção de poemas Poesías para el recuerdo.

O bairro mudou sua configuração geográfica e demográfica, a vida ganhou modernidade e o antigo instituto atingiu status de Universidad Unión Incaica, em 1984. Finalmente, em 1999 se tornou Universidad Peruana Unión. Em sua trajetória institucional como universidade já teve oito reitores e hoje é administrada pelo doutor Gluder Quispe.

Igreja Villa Unión

Templo da universidade foi pré-inaugurado durante as comemorações do centenário. Foto: Divulgação

Como esse país ainda guarda traços culturais de sua colonização e mantém uma forte herança militar em suas tradições, o desfile das delegações das sedes eclesiásticas, instituições e empresas adventistas do país marcou presença novamente. Foi assim que as alamedas do campus foram mais uma vez testemunhas de milhares de “unionistas” a desfilar seu orgulho institucional e, dessa vez, elevado à centésima potência. Nas arquibancadas, fiéis das igrejas vizinhas, quase todas filhas da universidade, manifestaram seu aplauso e carinho. E o marco das celebrações internas do centenário foi a pré-inauguracão do novo templo da universidade.

Depois de reunir a maior igreja da América do Sul em número de membros durante vários anos em seus auditórios internos e na famosa “carpa” (barraca, em espanhol) estilo santuário bíblico patriarcal, finalmente os mais de 4 mil membros da Igreja Villa Unión agora têm um edifício amplo e mais bem estruturado para adorar a Deus. As instalações também abrigarão os escritórios da igreja e as classes da Faculdade de Teologia.

Nas ruas, no campus e no estádio, Lima foi testemunha da mobilização evangelística do povo adventista. “Se vocês foram capazes de lotar esse estádio, nada é impossível quanto a terminar a missão de pregar o evangelho”, declarou o pastor Bullón em sua participação na celebração. E foi sobre isso que o quarteto Arautos do Rei também cantou e o presidente mundial da igreja pregou para a multidão adventista que fez desse sábado, 4 de maio, um marco na história do adventismo no país.

CARLOS HENRIQUE NUNES, pastor e jornalista, cursa o mestrado em Missiologia e atua como professor do curso de Comunicação da Universidade Peruana Unión

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