Depressão pós-parto

As gestantes que passam por isso precisam ser tão cuidadas quanto seus bebês
TALITA CASTELÃO
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Nasceu! Tristeza ou alegria? Sempre associamos o nascimento de uma criança a um momento festivo, cercado por familiares, amigos e presentes. Mas muitas mães não se sentem felizes com o nascimento do filho. E se for um caso de depressão pós-parto, ela não tem culpa disso.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) considera a depressão pós-parto uma doença grave que afeta até 15% das mamães. Muitas vezes a família não compreende que essa condição precisa ser encarada com seriedade e tratamento adequado, pois as consequências são significativas para a mãe e a criança.

Quem desenvolve a depressão pós-parto experimenta geralmente uma tristeza profunda, melancolia, irritação, cansaço, incapacidade de se conectar emocionalmente com o filho e dificuldade em prestar os cuidados básicos ao recém-nascido. Esse quadro pode durar dias ou meses, aparecendo imediatamente após o nascimento ou nas semanas seguintes. Ter um filho gera tensão emocional e estresse mesmo quando a gravidez é desejada. Além disso, alterações nas taxas de estrogênio e progesterona, hormônios femininos, também contribuem para que o quadro se instale.

Um estudo da Universidade de Brown (EUA) mostrou que quando as mães já têm alguma prévia alteração de humor e também quando os filhos nascem prematuros, necessitando ser assistidos em unidades de terapia intensiva (UTI), a incidência de depressão pós-parto pode até dobrar. O estudo contemplou 724 mães de bebês que ficaram mais de cinco dias em UTIs. A doutora Katheleen Hawes, coordenadora da pesquisa, destaca a importância de uma avaliação mais global sobre a saúde das gestantes. Seria importante identificar quais delas são mais suscetíveis à depressão pós-parto, principalmente nos casos em que o nascimento não ocorre como esperado.

No Brasil, uma pesquisa da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) que entrevistou quase 24 mil mães revelou que, em cada quatro brasileiras, mais de uma apresenta sintomas depressivos em um período de até 18 meses após o parto. Esse estudo também revela a influência de fatores econômicos e sociais para o problema. Em casos mais dramáticos pode acontecer a psicose pós-parto, quadro clínico capaz de levar a mãe ao suicídio e até mesmo a atentar contra a vida do bebê. Felizmente, a incidência do transtorno é rara: um ou dois casos em cada mil gestantes.

Vale destacar que o apoio da família é primordial no tratamento da depressão pós-parto, sobretudo o auxílio do companheiro da mulher. A mãe não deve ser julgada como “desnaturada” nem cruel. Em muitos casos será preciso o acompanhamento de um psicoterapeuta, além do uso de antidepressivos. É importante lembrar que esse tipo de adoecimento pode ocorrer com qualquer mulher, mesmo que aparentemente saudável. Por isso, a mamãe precisa de suporte e compreensão para conseguir encarar a doença e nutrir emocional e fisicamente o filho.

TALITA CASTELÃO é psicóloga clínica, sexóloga e doutora em Ciências

(Artigo publicado na seção Em Família da edição de maio de 2018 da Revista Adventista)

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