Mães refugiadas

Venezuelanas recebem atendimento especial em Manaus
Mais de 50 mães receberam uma refeição especial e tratamentos de beleza no Centro de Apoio e Referência a Refugiados e Migrantes (CARE). Foto: Bárbara Katherinne

Todos os dias a rotina de centenas de mães venezuelanas é de desolação e tristeza. Muitas delas tiveram que deixar os filhos e partir em busca de ajuda em países vizinhos. Karina, mãe de três filhos, é uma delas. “Estou há três meses no Brasil e não sei quando poderei retornar para a Venezuela porque a crise não acaba”, ela desabafa. Karina afirma que foi muito difícil passar o Dia das Mães longe da família.

Na tentativa de amenizar o sofrimento de pessoas como ela, o Centro de Apoio e Referência a Refugiados e Migrantes (CARE), com sede em Manaus (AM), promoveu um dia diferente. Durante a manhã de quinta-feira (9), 55 mães foram recebidas com mensagens de conforto e uma farta mesa de café da manhã. Depois da refeição, diversos serviços gratuitos foram oferecidos com o objetivo de levantar a autoestima das participantes. Além de corte de cabelo, elas tiveram acesso a seções de massagem, limpeza de pele e outros tratamentos de beleza.

Rosimélia Figueiredo, coordenadora do projeto, conta que tudo foi preparado para promover o bem-estar das mães imigrantes. “Queremos que sejam acolhidas para que se sintam bem-vindas ao Brasil e saibam que há esperança para elas!”, ressalta.

Ao longo do dia, os olhares se transformaram. As mães ficaram emocionadas com as palavras e os presentes que receberam. Sara Zanh, psicóloga do CARE, explica que muitas dessas mulheres se sentem frágeis emocionalmente. Ela salienta o impacto positivo da ação sobre a autoestima. “O reconhecimento e o retorno do autocuidado e do valor pessoal são muito importantes nesse momento da vida! Elas necessitam recuperar a força e a motivação para conseguir se manter em um país que não tem a mesma cultura nem fala a mesma língua”, ressalta. Após a ação, Janely, que tem cinco filhos, disse que estava se sentindo melhor. “Ao receber essa homenagem, eu me senti como se estivesse na minha terra, porque na Venezuela também fazem homenagens assim”, afirmou.

Mãos acolhedoras

Naira Henao (ao centro) e sua equipe prepararam o buffet especial para celebrar o Dia das Mães com as refugiadas. Foto: Bárbara Katherinne

De acordo com a coordenadora do projeto, 98% dos recursos utilizados no preparo da refeição, da ornamentação e das lembranças distribuídas foram disponibilizados por meio de uma rede de amigos e voluntários.
Todos os colaboradores do projeto se envolveram e contaram com amigos que chamaram outros amigos, formando uma grande corrente de amor e solidariedade. No total, 26 voluntários deixaram suas atividades e doaram tempo para fazer o bem. O trabalho deles ajudou a mudar o dia de pessoas como Arianna. Ela tem dois filhos e mora no Brasil há um ano. “Hoje eu fiz limpeza de pele, lavei meus cabelos e me sinto mais limpa. Tirei toda essa sujeira e calor por andar tanto a pé. Agora eu sei que posso confiar minhas necessidades aos funcionários do CARE. Eles vão procurar um jeito de me ajudar”, assegurou.

BÁRBARA KATHERINNE é jornalista e atua como assessora da ADRA no Amazonas

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